Jornal Estado de Minas

SÓ FALTA CHORAR...

Bebês 'quase' humanos vêm ao mundo em ateliê de artesã em Contagem


Cabelos vêm de ovelhas e são implantados fio a fio (foto: Douglas Magno/divulgação)

No ateliê da artesã Ana Paula Guimarães, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, vários bebês hiperrealistas estão sentados no sofá, enquanto outros “dormem” em berços.





“Não faço só bonecos, realizo sonhos”, explica Ana Paula, com a cabeça de um recém-nascido nas mãos, terminando de pintar os lábios de vermelho claro com o pincel.

São os “bebês reborn”, arte que consiste em criar bonecos com tanta precisão de detalhes que eles parecem ter vida.

A semelhança dessas “criaturas”, de poucos dias e 2 anos, com nenéns reais é surpreendente.

O corpo é feito de tecido, a cabeça e membros são de borracha, os cabelos são confeccionados em pele de ovelha e implantados “fio a fio”.

Vários tipos de tinta são usados para cílios e unhas. Alguns dos bebês têm veias ligeiramente marcadas. Outros, até marcas de nascença.

“O mais difícil é conseguir realismo nos tons de pele, porque são mais de 20 cores que usamos para isso. O implante capilar, uma parte muito trabalhosa, pode ser a mais difícil”, afirma a artesã.





Realismo da expressão dos bebês de borracha chega a impressionar (foto: Douglas Magno/divulgação)


O cliente escolhe a cor dos olhos, cabelo e pele, assim como o formato do rosto.

Ana Paula Guimarães, que sempre trabalhou como artesã, cria “bebês reborn” desde 2008. Já fez mais de 1 mil.

Ela demora, em média, sete dias para produzir uma peça, vendida por até R$ 7 mil para os clientes, principalmente brasileiros. Ana Paula também recebe encomendas de Portugal, Estados Unidos, França e da Austrália.

“Na televisão, vi uma menina que fazia os bebês e adorei. Também queria começar a fazê-los, pois trabalho com artesanato desde muito pequena”, explica.

Muito difundida na Europa e nos Estados Unidos, essa arte tem raízes na escassez vivida durante a Segunda Guerra Mundial, quando as mães consertavam bonecas quebradas dos filhos utilizando vários materiais. Daí o nome “reborn” (renascido).





Entre os clientes de Ana Paula estão colecionadores, crianças, pessoas com problemas reprodutivos ou que sofreram aborto. “Não são brinquedos”, ela explica, citando “pais que desejam eternizar seus bebês já crescidos”.

Bebês são produzidos por Ana Paula Guimarães de acordo com recomendações dos clientes sobre cor da pele, olhos e cabelos (foto: Douglas Magno/divulgação)


“Certa vez, a cliente veio me procurar porque estava tentando engravidar há oito anos e pediu um bebê. Dois meses depois, engravidou naturalmente, após passar por vários tratamentos”, conta a artesã. “Por mais estranho que pareça, o bebê que fiz era idêntico ao que nasceu.”

Além de criar as peças, Ana Paula oferece cursos on-line para quem quiser aprender a arte “reborn”, que está em expansão no Brasil.

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