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Estado de Minas TEATRO

Trupe puxa hino do Galo após peça e divide público no Palácio das Artes

Os atores da peça 'Hermanoteu na terra de Godah' cantaram o hino do Atlético durante os agradecimentos, para o delírio de parte da plateia


21/11/2021 22:04 - atualizado 21/11/2021 22:31

Elenco da peça 'Hermanoteu na terra de Godah' também fica divido na hora de cartar o hino do Galo
Elenco da peça 'Hermanoteu na terra de Godah' também fica divido na hora de cartar o hino do Galo (foto: Helvécio Carlos)
A Companhia de Comédia Os Melhores do Mundo se apresentou na noite deste domingo (21/11), no Palácio das Artes, com a encenação “Hermanoteu na terra de Godah''. No final da peça, o ator e roteirista Victor Leal puxou o hino do Atlético e dividiu a plateia. Parte do público vaiou a iniciativa, enquanto a outra parte cantou junto e fez o teatro parecer um estádio de futebol.

Maior sucesso na trajetória de 26 anos da trupe de Brasília, a montagem ocupou o palco do Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes neste domingo (21/11). Criada em 1995, a peça já rodou o Brasil e vem sendo permanentemente exibida desde então, mas, como destaca Leal, nunca é a mesma.

Ele explica que o fio narrativo de “Hermanoteu na terra de Godah” – bem como nos demais espetáculos da companhia – é constantemente atravessado por fatos e eventos cotidianos, de forma que é constantemente atualizado. Some-se a isso o fato de que o grupo sempre absorve elementos e costumes dos lugares onde se apresenta e os insere no texto, criando o que Leal chama de peças personalizadas.

FILME
 
Além de Victor Leal, a Cia. de Comédia Os Melhores do Mundo reúne Adriana Nunes, Adriano Siri, Jovane Nunes, Ricardo Pipo e Welder Rodrigues – atores que também se dividem na dramaturgia, direção, produção, sonoplastia, cenografia, design e figurino.

A trupe avaliou que a popularidade do espetáculo poderia conduzi-lo a outros formatos, e assim “Hermanoteu na terra de Godah” vai migrar também para as telas de cinema e plataformas de streaming.

“É o nosso primeiro longa-metragem”, observa Leal. O filme já está pronto e deveria ter sido lançado no ano passado, plano inviabilizado pela pandemia. A companhia ainda está em dúvida se o lançamento será no cinema ou diretamente nas plataformas de streaming, já que o contexto ainda de pandemia e a crise econômica podem comprometer o desempenho da produção no circuito comercial das salas de exibição.

“É um filme incrível, que foi rodado no deserto do Atacama, no Chile”, conta Leal. O elenco tem convidados como Marcos Caruso, Jonas Bloch e Milton Gonçalves, “atores sérios que embarcaram nessa loucura com a gente”. A direção é de Homero Olivetto. 

“A ideia do filme veio a reboque do sucesso da peça mesmo. É uma produção grandiosa, quase um épico, com cenários muito bonitos e paisagens que as pessoas vão achar que é chroma-key, de tão deslumbrantes. Acho que era um caminho natural que a peça virasse filme”, diz o ator.

Ao longo de sua trajetória de 26 anos, a Cia. Os Melhores do Mundo pôde acompanhar as muitas mudanças no panorama do humor que se faz no Brasil. Leal acredita que a principal delas está atrelada à expansão da internet e à revolução digital. 

“A gente começou antes disso, então a comédia era feita de tal modo que, se você quisesse mostrar o trabalho, tinha que pegar o ônibus e circular, tinha que ir nas redações dos jornais levar o material de divulgação, tudo exigia uma estrutura maior. O Whindersson Nunes, um cara do interior do Piauí, provavelmente não teria acontecido há 20 anos. Não à toa surgiram muito mais humoristas a partir da revolução digital”, afirma.

Ele acredita que a internet tornou tudo mais fácil e mais democrático quando se trata da criação humorística no país, mas pondera que, no caso, a quantidade é infinitamente maior que a qualidade. 

“Claro que nem tudo o que aparece é bom. Hoje, se contar com memes, vídeos engraçados e piadinhas em geral como linguagem de humor, e considerando a quantidade absurda de conteúdo que você recebe diariamente pelo WhatsApp, por exemplo, é um universo inesgotável. Digamos que 10% você pode achar legal, mas 90%, para quem trabalha com humor e tem que ser mais exigente, não cola. Não dá para eu confiar na curadoria da minha tia no WhatsApp”, diz.


Uma grande vantagem que ele vê nas possibilidades abertas pelo digital é o alcance que o conteúdo humorístico pode ter. “Nós somos de Brasília, que é fora do que já foi chamado de eixo cultural, que era Rio-São Paulo, e que a internet também de certa forma aboliu. Hoje você pode falar da sua aldeia para o mundo. A gente nunca abriu mão de continuar morando em Brasília. Em Belo Horizonte, a gente vê isso com o Grupo Corpo, com o Galpão, com o Skank, que não precisaram se mudar para conquistar espaço. E hoje, graças à internet, isso é menos necessário ainda.”

Na esteira da revolução digital, ele também observa mudanças nos paradigmas do humor. “Para o bem e para o mal, a questão do politicamente correto está aí posta. Certas piadas não cabem mais, nem no palco nem na mesa de bar, então é preciso ir buscando novas formas de se fazer comédia. O sucesso, as pessoas acham que você chega nele e é uma coisa vitalícia, como o STF. Não é, as coisas passam, novas mídias surgem, novas linguagens surgem. Como fazer para continuar lutando depois de tanto tempo? A gente sempre tem isso em mente”, diz.

E é com isso em mente que a companhia, neste momento de arrefecimento da pandemia, volta a pensar, a partir do presente, nos passos futuros. O grupo retomou as atividades presenciais com uma apresentação em Brasília que precedeu a vinda para Belo Horizonte. Daqui, “Hermanoteu na terra de Godah” segue para São Paulo. 

“As pessoas estão querendo e precisando sair, rir, porque o humor é terapêutico, causa um efeito muito benéfico no corpo, contribui para uma boa saúde. Estamos muito animados com essa volta. A apresentação em Brasília pareceu uma festa”, comenta.


O grupo prepara, para meados de 2022, a estreia de um novo espetáculo, chamado “Pilantropia”, e já começou a conversar sobre a produção de um novo filme, baseado em “Notícias populares”, além de voltar a planejar a agenda de viagens. 

“Em novembro do ano passado, a gente ia fazer temporadas em Angola e Moçambique. Estamos retomando essa agenda. Mais do que nunca, é muito necessário continuar trabalhando. As pessoas precisam voltar a viver, a se abraçar, a conviver, a gargalhar.”


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