Jornal Estado de Minas

TEATRO

Peça ''Em casa a gente conversa'' brinca com o amor na era digital


A peça “Em casa a gente conversa” retrata o fim de um casamento após a traição descoberta pelas redes sociais. Dirigidos por Fernando Philbert, os atores Cássio Reis e Juliana Knust vivem o casal em crise. A temporada virtual vai até 10 de dezembro, com sessões gratuitas de quinta-feira a domingo.



Depois de estrear em 2018 e passar por 13 cidades – inclusive Belo Horizonte –, o espetáculo teria nova temporada, interrompida pela pandemia de COVID-19. A produção decidiu gravá-lo e disponibilizar o material na internet, com reserva de ingressos via site Sympla.

EIXO

“Acho uma boa ideia levar o espetáculo a pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de vê-lo”, afirma a atriz Juliana Knust. Embora as sessões presenciais venham sendo retomadas agora nas salas de teatro, sobretudo no eixo Rio-São, ela observa que há amplo público além das duas metrópoles.

A gravação ocorreu em outubro, sem a presença do público. A peça, que se passa antes da COVID-19, mostra um casal à beira da separação. O aumento dos divórcios no período de confinamento social estimulou a temporada on-line pandêmica.



De acordo com o Colégio Notarial do Brasil (CNB), esse aumento foi de 15% em 2020, em relação ao mesmo período do ano anterior.

“É um assunto muito atual, porque realmente muita gente está se separando. Casais se viram numa condição com a qual não estavam acostumados, a de ficar muito tempo junto”, comenta a atriz.

Juliana acredita que grande parte dos divórcios se deve a relações fragilizadas já antes da pandemia, assim como ocorre na trama de “Em casa a gente conversa”. Os personagens Malu e Carlos Alberto assumem o abismo entre eles após a descoberta da infidelidade, graças às redes sociais. A dupla analisa seu casamento durante encontros para discutir os detalhes do divórcio.

Apesar de retratar uma separação, o espetáculo traz “mensagem positiva”, explica Juliana. “A gente fala de relacionamento de uma forma bem-humorada. Os dois estão casados há sete anos, têm filhos e vivem naquela rotina. Falamos de parceria e individualidade, das certezas e incertezas de uma relação. A história daquele amor é linda e deu certo durante anos, apesar de todas as turbulências”, comenta.



“A separação pode ser uma experiência positiva”, defende Juliana Knust, de 40 anos. “A intenção da peça é mostrar que as pessoas precisam ser sinceras com o outro e, principalmente, com elas mesmas. Devem ser firmes em suas decisões, respeitar suas verdades, aceitar os erros e aprender com eles.”
 

 
A peça fala de tudo um pouco: almoço em família, Dia dos Namorados, vida sexual, TPM, divisão de tarefas e, claro, brigas. “Era impressionante a quantidade de gente que vinha conversar com a gente depois (do espetáculo), dizer que passou pelas mesmas situações. Todo mundo que vive um casamento se identifica de alguma forma”, ela comenta.

As aparências enganam, mostra o casal “comercial de margarina” da peça. Carlos Alberto se divide entre o desejo de ascensão profissional, o casamento e o sonho de ser eternamente livre. Malu se desdobra entre a carreira, o relacionamento afetivo e a maternidade.




“A mulher pensa bem diferente do homem. São mundos diferentes que se complementam, mas muitas vezes esses mundos podem afastar um casal”, comenta a atriz.

INTERNET

Outro tema importante é o amor na era da internet, pois as redes sociais são o gatilho para o fim do relacionamento de Malu e Carlos Alberto.

“As pessoas estão reaprendendo a se relacionar nesta nova era digital. O ciúme é experimentado de diferentes formas em relação a antigamente. A influência das redes sociais pode desestabilizar muito aquela relação que não tem a confiança como base”, diz Juliana.

A atriz elogia o companheiro de palco Cássio Reis e o diretor Fernando Philbert. “Digo com orgulho que essa peça faz parte do meu currículo, porque pude aprender muito.”

Aliás, a parceria rendeu. Atualmente, ela está em cartaz, no Rio de Janeiro, com “Parabéns, senhor presidente”, de Fernando Philbert, no papel de Marilyn Monroe. Na trama, a estrela americana se encontra com a diva do canto lírico Maria Callas, interpretada por Claudia Ohana.

* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

“EM CASA A GENTE CONVERSA”

Peça de Fernando Duarte e Tatá Lopes. Direção: Fernando Philbert. Com Juliana Knust e Cássio Reis. Temporada on-line até 10 de dezembro. Gratuito. De quinta-feira a sábado, às 21h; domingo, às 19h. Ingressos no site Sympla







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