Jornal Estado de Minas

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Série sobre Aretha Franklin marca a estreia da plataforma Star+ no Brasil

Um vídeo do YouTube levou Cynthia Erivo a interpretar Aretha Franklin (1942-2018). “Foi um choque, nem sabia que estava na corrida para o papel. Recebi o telefonema, no carro, dizendo que haviam me visto cantando em um tapete vermelho e que eu tinha sido escolhida”, conta a atriz e cantora britânica, de 34 anos, que encarna a chamada “Rainha do Soul” nos oito episódios da série “Genius: Aretha”.





Mesmo que a produção tenha sido iniciada após a morte da cantora, Cynthia já havia sido referendada por ela. Em seu primeiro grande momento, como intérprete de Celia Harris Johnson no musical “A cor púrpura” (estreou em 2013 e lhe deu um Tony, um Grammy e um Emmy Awards), ela recebeu a visita de Aretha nos bastidores da montagem da Broadway. Impactada, a veterana cantou para Cynthia uma das músicas que ela havia interpretado pouco antes no palco.

Produção da National Geographic, “Genius: Aretha” estreia na terça-feira (31/8) na plataforma Star%2b, que chega ao Brasil no mesmo dia. É a terceira produção da série “Genius”, que já se debruçou sobre a vida e a obra de Albert Einstein (com Geoffrey Rush no papel-título) e Pablo Picasso (Antonio Banderas).

EMMY 

Criada por Suzan-Lori Parks, roteirista do filme “Estados Unidos VS. Billie Holiday”, que concorreu ao Oscar neste ano, “Genius: Aretha” garantiu a Cynthia nova indicação ao Emmy, cuja premiação ocorrerá em 19 de setembro, na categoria melhor atriz por minissérie. A produção acompanha a trajetória de Aretha do início ao fim – o que é muito, pois sua carreira se estendeu por 60 anos.





O desafio, além de encarnar um ícone da cultura americana, foi interpretar canções que fazem parte do imaginário popular. Em cada episódio são pelo menos três músicas. No segundo dia de filmagem, Suzan-Lori entendeu como a escalação de Cynthia havia sido acertada. “Ela já tinha feito a pré-gravação em estúdio, mas teria de cantar ao vivo. Quando interpretou ‘I never loved a man’, o set, que já estava quieto, ficou mudo. Todos nós da equipe paramos e ali vimos a força que Cynthia tinha”, diz a criadora e roteirista.

Quando os holofotes dos estúdios e dos palcos se apagavam, Aretha tinha a mais difícil das vidas. Deu à luz quatro filhos – o primeiro deles aos 12 anos e o segundo aos 14. Foi o pai, o famoso, difícil e controverso pastor C.L. Franklin (na série interpretado por Courtney B. Vance), quem a obrigou a ser mãe.

Na época viúvo (a mulher, Barbara Siggers, havia morrido, mas antes abandonara a família por causa dos abusos e traições do marido), era Franklin quem determinava a carreira de Aretha. A menina-prodígio que deixava a todos boquiabertos na igreja assinou o primeiro contrato com uma grande gravadora ainda menor de idade. O pai mandava em tudo – e havia rumores de incesto. Aretha pouco falava da vida pessoal.





“A música dela é a combinação de coisas diferentes, mas sua essência é a resiliência. Aretha era uma pessoa muito privada, mas ouvindo e prestando atenção em suas canções, você entende as experiências que passou”, diz Cynthia.

Para a atriz, a possibilidade de conexão é um dos legados da cantora. “Quando você a ouve cantando ‘Border song’ ou ‘Respect’, sente a diferença. A música de Aretha inspira confiança, o que é muito diferente da música só pelo entretenimento. Isso a faz universal.”

Cynthia é fã da cantora desde pequena. “Ouvi Aretha pela primeira vez quando estava no carro da minha mãe indo para a escola. Tinha 9 ou 10 anos, e ela cantava ‘Think’. Logo depois, a ouvi no dueto com Annie Lennox (‘Sisters are doin’it for themselves’) e vi que havia algo muito poderoso em uma mulher que podia fazer esses dois tipos de música. Realmente me conectei com ela com aquela idade, acho que a música de Aretha, seja através do amor ou da dor, consegue se conectar com as experiências das pessoas”, diz Cynthia.





Courtney B. Vance afirma que a riqueza de seu personagem está justamente nas falhas. “A beleza é ver como eles lidam com tudo e ainda são uma família. Os filhos cresceram na igreja, foram machucados, sabiam que o pai era só confusão. Ele estava absolutamente errado? Estava. A igreja, inclusive, sabia disso, mas o mundo estava errado. E os grupos mais machucados eram os formados por crianças negras.”

BONECA 

Na série, uma boneca de pano cumpre o papel de mostrar a forma brusca com que Aretha foi arrancada de sua infância. “Quando a vemos segurando a boneca, é uma maneira de lembrar ao público que a menina que encantava a todos cantando tinha
12 anos, era uma criança. Em muitas situações neste país, jovens meninas negras não são vistas como crianças”, comenta Suzan-Lori.

Além da vida pessoal atribulada, o ativismo de Aretha chamou a atenção de Cynthia. “Eu sabia, mas não que ela tinha ido tão a fundo na luta pelos direitos civis, que teve muita proximidade com Martin Luther King, o quanto ajudou o movimento”, continua.





Suzan-Lori, que estudou as biografias de Aretha e Billie Holiday para série e filme lançados este ano, vê paralelos e diferenças entre as duas. “Ambas foram bem-sucedidas já na juventude, apesar das dificuldades, em negócios comandados por homens brancos. Billie não teve uma família unida para protegê-la, como Aretha, ainda que a união da família Franklin, às vezes, fosse em excesso. Mais importante é que o filme e a série dão luz ao ativismo das duas.”

Para a criadora de “Genius”, é essencial que produções biográficas apresentem artistas a novas gerações. “Ela foi uma mulher negra que continuou. Sabe quão difícil é ser mulher negra na área de entretenimento nos Estados Unidos? Eu sei, porque eu sou. É difícil continuar acreditando em você quando o mundo te diz o contrário. Ativismo é importante”, finaliza a roteirista Suzan-Lori Parks.

“GENIUS: ARETHA”
Série em oito episódios. Estreia terça-feira (31/08), na plataforma Star

NO CINEMA
(foto: Universal Pictures/Divulgação)

A cinebiografia “Respect: A história de Aretha Franklin”, com Jennifer Hudson no papel-título, deve chegar em breve ao Brasil. Vencedora do Oscar de atriz coadjuvante por “Dreamgirls” (2007), Hudson foi escolhida pela própria Aretha para interpretá-la. As duas conversavam semanalmente até a morte da estrela – Hudson, inclusive, cantou no funeral da cantora. Dirigido por Liesl Tommy, o filme traz no elenco Forest Whitaker como C.L. Franklin.





Novidades na Star

'Only murders in the building' vai ao ar na nova plataforma (foto: Star /divulgação)

Última das plataformas dos grandes grupos de mídia a chegar à América Latina, a Star estreia nesta terça (31/8) com a promessa de oferecer extensa programação de entretenimento e esportes. Plataforma para adultos da Walt Disney Company (a Disney está no Brasil desde novembro de 2020), a Star vai reunir conteúdo também do FX, 20th Century Studios (antiga Fox), National Geographic e ESPN, bem como produções originais Star.

Entre as séries que estreiam com a plataforma estão “Only murders in the building”, comédia criada e protagonizada por Steve Martin, aqui ao lado de Selena Gomez e Martin Short; o drama policial “Big sky”, de David E. Kelley, com Katheryn Winnick e Ryan Phillippe; a décima temporada de “American horror story”, que traz como novidade a presença de Macaulay Culkin; e a terceira da brasileira “Impuros”.

O catálogo oferece as temporadas completas de “The walking dead”, “Os Simpsons”, “This is us”, “Pose”, “Homeland”, “Modern family” e “Grey’s anatomy”. Para assinar a plataforma, com plano mensal de R$ 32,90, acesse www.starplus.com.

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