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Estado de Minas TELA E MESA

Festival Matula une cinema e gastronomia com programação on-line gratuita

Desta  quinta-feira (13/5) a domingo (16/5) haverá exibição de filmes e oficinas sobre ingredientes e preparos, com foco nas tradições mineiras


13/05/2021 04:00 - atualizado 13/05/2021 07:14

A cozinheira Nelsa Trombino, do Xapuri, aqui em registro de 2015, é tema do curta documental ''A dona do tacho'', que terá sua primeira exibição no festival (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
A cozinheira Nelsa Trombino, do Xapuri, aqui em registro de 2015, é tema do curta documental ''A dona do tacho'', que terá sua primeira exibição no festival (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)

A tradição culinária de Minas Gerais é algo que atravessa séculos. Já a presença do estado no cinema, seja nas telas ou por trás das câmeras, se consolidou nos últimos anos. A partir desta quinta-feira (13/5), o Matula Film Festival celebra o encontro entre esses dois universos com uma programação on-line e gratuita que inclui oficinas, palestras e mesas de debate, além da exibição de obras audiovisuais.

Com curadoria do crítico gastronômico e de cinema Guilherme Lobão, o festival exibirá 12 produções, entre curtas e longas-metragens nacionais e estrangeiros. "A ideia de comida e cinema começou a ser muito utilizada e banalizada com essa profusão de programas culinários. A partir disso, a gente pensou uma programação que favorecesse a gastronomia, mas também destacasse a produção cinematográfica. Aí o trabalho foi justamente descobrir quem tem utilizado o filme e a comida como arte dramática", afirma Lobão.

Até o próximo domingo (16/5), o Matula exibe quatro longas-metragens. O primeiro deles, que vai ao ar hoje, às 21h, é o peruano "Sembradoras de vida" (2019),  de Diego e Álvaro Sarmiento. O documentário, que estreou no 69º Festival de Berlim, acompanha cinco mulheres andinas que lutam para manter a tradição de trabalho nas plantações orgânicas no Peru.

GRÉCIA

Na sexta (14/5), também às 21h, é a vez do longa "Walachai" (2011), de Rejane Zilles. No sábado (15/5), será exibido o grego "Tomates, molho e Wagner" (2019), de Marianna Economou, filme submetido pela Grécia ao Oscar 2020.

O domingo será um dia voltado especialmente para a produção mineira. Além do longa "O mineiro e o queijo" (2011), de Helvécio Ratton, a programação conta com a mostra “Raízes mineiras”, na qual serão exibidos os curtas-metragens "Pão de queijo da Romilda" (2011), também de Ratton, e "A dona do tacho" (2021), de Marcelo Wanderley. Esse último faz sua pré-estreia no festival.

"Minas Gerais é um locus de produção gastronômica principalmente pela motivação turística", diz Guilherme Lobão. "É um estado muito profícuo na função de se estabelecer como pólo gastronômico."

Marcelo Wanderley concorda. "A nossa maior atração turística é o torresmo", diz o diretor. Segundo ele, o Matula Film Festival valoriza a culinária mineira e destaca uma produção audiovisual que fala sobre ela. "É uma oportunidade muito grande de mostrar para o mundo as nossas riquezas. A gastronomia é muito importante para a nossa identidade."

"A dona do tacho", que é seu primeiro curta-metragem, conta a história de Nelsa Trombino, fundadora do Restaurante Xapuri, dedicado à comida típica de Minas Gerais. Recém-saído do forno – com o perdão do trocadilho –, a produção foi gravada entre o final de 2020 e o início de 2021.

"Trata-se de um produto que fala de gastronomia mineira e consegue mostrar a essência dessa gastronomia", conta ele. Em razão da amizade com Flávio Trombino, filho de Nelsa, Marcelo teve passe livre para filmar e entrevistar a matriarca.

"Passei uma parte da minha vida dentro do Xapuri. Como tenho a experiência de rodar o Brasil, comecei a enxergar esse restaurante como um ícone da comida mineira", conta.

Dona Nelsa, como é conhecida, não nasceu em Minas Gerais, mas em Cubatão, em São Paulo. Apesar disso, ela é defensora ferrenha das tradições que cercam a gastronomia de Minas, como o uso do tacho de cobre, por isso o título do curta. A produção traz um relato emotivo dela sobre sua própria história e a relação com a comida.

"Ela é mais mineira do que muita mineira que eu conheço", brinca Marcelo Wanderley. "Mas é verdade. Ao lembrar passagens de sua vida, dona Nelsa deixa isso bem claro. E é engraçado porque, quando a gente começou a produção, ela disse que só aceitaria se fosse para conversar comigo. Nas gravações, eu chorava mais do que ela", conta.

A exibição no Matula, segundo ele, é apenas o início da trajetória do filme, que deve ser disponibilizado virtualmente nos próximos meses. "Não fosse a pandemia, iria fazer pelo menos uma exibição no cinema, para oficializar essa estreia. Como ainda não dá, a gente vai disponibilizando de maneiras alternativas mesmo", afirma.

O Matula Film Festival também compartilha dessa premissa. Além das exibições de produções audiovisuais, o festival realiza ciclo de debates para promover a aproximação entre realizadores e o público. Essa aproximação, no entanto, ainda é on-line.

Como também é o caso da oficina “Cozinha de origem: Biomas brasileiros”. Em três aulas gastronômicas, os chefs Ana Boquadi, Marcos Lélis e Silval Espírito Santo compartilham o passo a passo de receitas criadas com ingredientes típicos de diferentes regiões do Brasil.

Já as palestras que ocorrem nos quatro dias de evento serão conduzidas pela cozinheira e diretora do projeto Cultura Alimentar Tradicional Amazônica, Tainá Marajoara; a doutora em comunicação e semiótica Helena Jacob; a cozinheira e apresentadora do programa de cozinha on-line Gastronomismo Isadora Becker; e o jornalista gastronômico e especialista em queijos artesanais mineiros Eduardo Girão.

MATULA FILM FESTIVAL
Desta quinta-feira (13/5) a domingo (16/5). Programação virtual e gratuita por meio do site www.matulafilmfestival.com.br.


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