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Estado de Minas CINEMA

Brasil profundo ganha destaque da mostra on-line Cine Direitos Humanos 21

Até domingo, 78 filmes serão exibidos de graça. Dirigidos por indígenas, 'Essa terra é nossa' e 'Guardiões da floresta' mostram aldeias vítimas da violência


07/04/2021 04:00 - atualizado 07/04/2021 07:13

Documentário 'Essa terra é nossa' denuncia o desrespeito aos direitos de indígenas da etnia tikmu'un(foto: Youtube/reprodução )
Documentário 'Essa terra é nossa' denuncia o desrespeito aos direitos de indígenas da etnia tikmu'un (foto: Youtube/reprodução )
No cenário político conturbado em que a crise sanitária evidencia a privação do acesso à saúde e à vacina, a mostra on-line Cine Direitos Humanos 21 – Olho no olho, que começa nesta quarta-feira (7/4), exibe 78 filmes voltados para os desafios enfrentados pelo Brasil. De acordo com os organizadores, a programação destaca a importância de valores como empatia e solidariedade.

“Decidimos trazer um olhar voltado para as questões contemporâneas, então procuramos diretores que trabalham nessa linha”, explica Beatriz Goulart, curadora da mostra. A luta dos indígenas, a violência, o desafio enfrentado pelas minorias e a realidade das crianças em diferentes comunidades brasileiras são alguns dos temas dos filmes selecionados.

MARANHÃO 

Um dos destaques da programação é o documentário “Guardiões da floresta”, dirigido por Jocy e Milson Guajajara. Ambos integram o grupo Guardiões da Floresta na terra indígena Caru, no Maranhão, e filmaram a luta pela preservação de seu território.

Seis líderes guajajaras e awá-guajás foram assassinados em apenas um ano na região do Alto Guamá e Alto Turiaçu, a última área de floresta contínua no Maranhão. A produção do longa é assinada pelo premiado cineasta e indigenista Vincent Carelli, diretor de “Martírio” (2026) e “Corumbiara” (2009), esse último vencedor do Festival de Cinema de Gramado.

De acordo com Carelli, os indígenas detêm direitos originários que devem ser respeitados. “São direitos inquestionáveis sobre as terras que ocupam”, afirma. “Muitos filmes feitos por índios são positivos, mostram aldeias batalhando e passando ensinamentos, mas neste, especificamente (“Guardiões da floresta”), vemos a tragédia. A intenção é retratar a violação dos direitos indígenas.”

Outro filme dirigido por indígenas é “Essa terra é nossa”, de Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero, sobre a saga da etnia tikmu'un, que vive no limite de Minas e Bahia. Denuncia sucessivos assassinatos de indígenas e a tensão constante com fazendeiros.

Os 78 curtas, médias e longas-metragens da mostra se dividem em nove categorias: “Tempo suspenso”, “Ocupa”, “Diversidade e luta”, “Contemporaneidades”, “Políticas extremas”, “Infâncias”, “Juventudes”, “Africanidades” e “Janelas”. Até domingo (11/4), eles poderão ser assistidos gratuitamente no site do evento.

PANDEMIA 

“Hoje, a gente vive a mistura de crise sanitária com crise institucional. Mais uma vez, sofremos com o cerceamento político. Ao longo da história, muitas vezes a cultura esteve atrelada aos desejos governamentais. A pandemia agrava ainda mais a crise institucional que vivemos”, comenta Alexandre Pimenta, curador do evento em parceria com Beatriz Goulart.

De hoje a sexta-feira (9/4), a mostra promoverá três lives para discutir o direito à saúde e à vacina, a saúde mental durante a pandemia e o combate às fake news. “Vale a pena assistir”, convida Beatriz Goulart. De acordo com ela, esses debates ajudam a refletir sobre os filmes em cartaz.

* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

CINE DIREITOS HUMANOS 21: OLHO NO OLHO
Filmes ficarão disponíveis das 10h desta quarta-feira (7/4) a domingo (11/4), no site da Polo Audiovisual
Filme 'Guardiões da floresta' mostra a luta dos guajajaras e awá-guajás por suas terras(foto: Youtube/reprodução )
Filme 'Guardiões da floresta' mostra a luta dos guajajaras e awá-guajás por suas terras (foto: Youtube/reprodução )

LIVES

HOJE (7/4)
Tema: “Direitos humanos e a pandemia”. Convidado: Infectologista Unaí Tupinambás, integrante do Comitê de Enfrentamento da COVID-19 da Prefeitura de Belo Horizonte e da Universidade Federal de Minas Gerais. Das 19h às 20h30.

QUINTA (8/4)
Tema: “Direitos humanos são direitos sociais: A ocupação da cidade enquanto acesso a direitos e promoção de saúde mental”. Convidados: Laura Fusaro Camey, integrante do Fórum Mineiro de Saúde Mental; Léo Péricles, integrante do Movimento de Lutas nos Bairros e Favelas de BH; e Flávia Santana, militante dos direitos humanos. Das 19h às 20h30.

SEXTA (9/4)
Tema: “Criatividade e resistência no enfrentamento das fake news”. Convidados: Frei Gilvander, assessor da Comissão Pastoral da Terra; Munish, ator e militante dos direitos humanos LGBTQI+; e Reinaldo da Silva Junior, psicólogo e professor 
da Universidade do Estado de Minas Gerais. Das 19h às 20h30.

EM CARTAZ

“Guardiões da floresta”
» De Jocy Guajajara e Milson Guajajara

“Essa terra é nossa”
» De Isael Maxakali, Sueli Maxakali, Carolina Canguçu e Roberto Romero

“Mulheres em quarentena”
» De Bárbara Tavares

“Eagoraoque”
» De Jean-Claude Bernardet e Rubens Rewald

“Aconteceu naquela manhã”
» De Arnaldo Galvão

“Quilombo Rio dos Macacos”
» De Josias Pires

“Chuva é cantoria na aldeia dos mortos”
» De João Salaviza e Renée Nader Messora

“Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados”
» De Aiano Bemfica

“Dona Sônia pediu uma arma para seu vizinho Alcides”
» De Gabriel Martins

“Mineiros”
» De Amanda Dias

“Virou Brasil”
» De Pakea, Hajkaramykya, Arakurania, Petua, Arawtyta’ia, Sabiá e Paranya

“Difícil é não brincar”
» De Papoula Bicalho

“A gente luta mas come fruta”
» De Wewito Piyâko e Isaac Pinhanta

“As coisas que moram nas coisas”
» De Bel Bechara e Sandro Serpa 


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