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25/10/2020 04:00 - atualizado 25/10/2020 07:41

Nicole Kidman é a terapeuta Grace Fraser, bem-sucedida na carreira, rica e feliz no casamento, aparentemente(foto: Fotos: HBO/DIVULGAÇÃO)
Nicole Kidman é a terapeuta Grace Fraser, bem-sucedida na carreira, rica e feliz no casamento, aparentemente (foto: Fotos: HBO/DIVULGAÇÃO)

Grace Fraser leva a vida dos sonhos. Terapeuta do Upper East Side, o lado dos endinheirados de Nova York, trata basicamente de pacientes com conflitos de relacionamento e autoestima. Questões que nunca foram problema para ela, em um casamento amoroso e nada entediante com o oncologista pediátrico Jonathan Fraser. Completando o quadro de felicidade, tem um pai compreensivo e um filho adolescente que frequenta uma escola particular seletíssima e toca violino.

Nada poderia estar errado. Mas está, e muito, só que Grace nunca percebeu. The undoing, minissérie em seis episódios que estreia neste domingo (28), é daquelas produções da HBO que não têm sequer um fio solto. Muitos vão compará-la com outra série da mesma emissora, Big little lies (2017-2019), também um drama familiar sobre ricos com um assassinato como mote para explicitar as intrincadas relações interpessoais.

Tal como a produção anterior, The undoing é protagonizada por Nicole Kidman e criada por David E. Kelley. Só que o clima aqui é menos irônico e mais dramático, denso até. Adaptação do romance You should have known, de Jean Hanff Korelitz (inédito no Brasil), é uma trama que enfoca desigualdades sociais, abuso sexual, privilégios. E com uma reviravolta impactante. Ou seja, o que menos se souber da série, melhor.  
Noah Jupe vive Henry, o filho do casal Fraser, que estuda num colégio elitista e toca violino
Noah Jupe vive Henry, o filho do casal Fraser, que estuda num colégio elitista e toca violino

O que dá para dizer sem entregar muito é que o mundo de Grace (Kidman) vem abaixo após o assassinato de Elena Alves (Matilda De Angelis). Um momento aparentemente inocente de mal-estar social é a deixa para a catástrofe. Em uma reunião do comitê de arrecadação de fundos da escola, Elena, a mãe pouco conhecida de um dos raros alunos hispânicos (e bolsistas) chega com seu bebê. 

Embora nenhum homem esteja presente, ela causa nojo generalizado quando começa a amamentar, expondo calmamente os seios. Na confraternização, ela causa mais inquietação com sua sexualidade latente. No dia seguinte, seu corpo é encontrado com o rosto desfigurado.

Dividindo o protagonismo da série com Nicole, Hugh Grant interpreta o marido, Jonathan; Donald Sutherland vive o pai da personagem, Franklin Reinhardt; e Noah Jupe, Henry, o filho. A dinamarquesa Susanne Bier, egressa do movimento Dogma 95, que antes de partir para os EUA realizou grandes dramas familiares (Corações livres, Irmãos, Depois do casamento) dirigiu todos os episódios. 

A tensão é sempre crescente, mas nunca óbvia. São detalhes que chegam aos poucos (atenção para as mãos dos personagens) e vão dominando a narrativa. A própria Nova York é outra personagem da trama, com destaque para a arquitetura dos prédios históricos e o Central Park, cenário constante da série. 

Interpretando Fernando Alves, o marido de Elena, o ator porto-riquenho Ismael Cruz Cordova viu em The undoing a chance de fazer um personagem fora do padrão. Na entrevista a seguir, concedida da Nova Zelândia, onde roda a série O senhor dos anéis, Cordova falou sobre as relações que a produção aborda. “Um casamento é muito mais do que a relação entre duas pessoas. Além disto, a série mostra o que o poder pode ou não fazer com cada um.”
 Ismael Cruz Cordova é Fernando Alves, marido da jovem mãe assassinada no início da trama
Ismael Cruz Cordova é Fernando Alves, marido da jovem mãe assassinada no início da trama

ENTREVISTA
O que mais chamou a sua atenção em seu personagem, Fernando Alves?
A paternidade nem sempre é bem explorada nas séries. Temos constantemente grandes exemplos de mães e da devoção por seus filhos, mas não costumamos ver tal comprometimento com personagens masculinos. E em Fernando você consegue ver o fogo de um pai. O que, para mim, foi muito importante, já que, como ator latino, geralmente interpreto papéis mais agressivos e menos emocionais.

Você trabalhou com um time dos sonhos. Além de Nicole Kidman, Hugh Grant e Donald Sutherland, atua numa série dirigida pela cineasta Susanne Bier. Fez toda a diferença?
A Susanne é um exemplo de determinação e disciplina. Ela sabia exatamente o que queria, tanto que eu sabia, desde o início, que estava em boas mãos. É uma série que exige muito do ator, pois você tem que sustentar diferentes situações muito emocionais. Às vezes tem que ser forte, noutras demonstrar vulnerabilidade. A maneira como ela guia o elenco no set faz você se sentir sempre protegido. Sou um grande fã da Nicole, e não fiquei decepcionado. O tratamento foi de ator para ator, não de celebridade. O mesmo com Hugh e Donald. Lembro que, no primeiro dia que fui contracenar com ela, estava muito nervoso. Não consegui dormir.

The undoing é um drama familiar, protagonizado por Nicole Kidman e escritor por David E. Kelley, que também estiveram em Big little lies, sucesso recente da HBO. O que há em comum entre as duas produções?
Quando soube que era David E. Kelley o autor da série, eu nem precisei ler o roteiro para aceitar. O que se pode comparar é a complexidade dos personagens. A história sempre vai mais fundo. Assim como em Big little lies, todo mundo pode ser bom e ser ruim. Mas só pode ser comparável neste sentido.

Você é um ator latino que vive nos Estados Unidos. O que significa isto nos dias de hoje?
E há ainda diferenças neste grupo, pois há os atores latinos e os atores latinos afrodescendentes. Sempre foi uma luta para conseguir papéis que não são estereotipados. Se você tem sotaque, vai conseguir papéis como serviçal ou integrante de gangue, muitas vezes em situações em que não se pode explorar muito a interpretação. Venho de uma família de serviçais, o que é nobre, mas em geral tais personagens não têm muita humanidade nas produções. As coisas começaram a mudar, ainda que devagar. Sou latino, mas já fiz um músico renascentista (no filme Duas rainhas, de 2018), um superagente da CIA (na série Operação Berlim, de 2018-2019) e agora estou fazendo O senhor dos anéis. Estamos revolucionando este mundo.

Falando sobre O senhor dos anéis, como está a vida na Nova Zelândia?
Vim a primeira vez em novembro de 2019. Começamos as preparações em janeiro e, depois de três meses de treinamentos, um dia antes do início das gravações, a pandemia começou. Fechou tudo, tive que voltar para Los Angeles. Quando retornei para a Nova Zelândia, fiz uma quarentena de 14 dias, trancado em um quarto, e depois voltei a treinar, tanto a parte física quanto dialeto.

THE UNDOING
Minissérie em seis episódios. Estreia neste domingo (25), às 22h, na HBO e HBO Go.


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