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Estado de Minas PANDEMIA

Veja seis momentos que ficarão para a história dos seis meses de quarentena

As medidas de isolamento social para a contenção do novo coronavírus se arrastam por muito mais tempo do que se previa. Relembre pontos marcantes desse período


27/09/2020 04:00 - atualizado 27/09/2020 08:14

Decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no dia 11 de março, a pandemia do novo coronavírus já se arrasta por seis meses. Ao longo desse tempo, alguns acontecimentos se tornaram marcos do “novo normal' estabelecido pela imposição do isolamento social como fator fundamental para deter a propagação do vírus. 

A seguir, seis momentos que ilustram como foram os últimos seis meses. Entre lives históricas, um reality show que virou febre no Brasil e uma intervenção artística que alerta sobre a gravidade da COVID-19, a pergunta que fica é: como serão os próximos meses? 

Tom Hanks e Rita Wilson: o vírus não poupa ninguém
 
(foto: Robyn Beck/AFP)
(foto: Robyn Beck/AFP)
O astro de Hollywood Tom Hanks e sua esposa, a atriz e cantora Rita Wilson, foram as primeiras celebridades a revelar diagnóstico positivo para a COVID-19, em março, logo no início da pandemia. O casal estava na Austrália para as filmagens do longa de Baz Luhrmann sobre Elvis Presley, quando os sintomas começaram. 

Hanks anunciou o diagnóstico em seu Twitter e manteve os fãs (preocupadíssimos) informados. Depois da recuperação, o casal contou que viveu momentos difíceis com a doença e revelou que Rita foi a mais afetada. 

A atriz contou que teve “efeitos colaterais extremos” da medicação (hidrocloroquina). “Fiquei completamente enjoada e batalhei contra a vertigem. Eu não conseguia andar e meus músculos estavam tão fracos que eu não podia me manter de pé.''

Hanks contou que a mulher “teve que engatinhar no chão, da cama até as outras partes do quarto'', no hotel em que concluíram sua recuperação.

Ainda se sentindo um pouco zonza e para tentar voltar à forma mental, Rita postou em seu Instagram um vídeo no qual se exercitava a memória cantando um rap do Naughty by Nature. O sucesso foi tanto que ela recebeu elogios até do ex-presidente Obama e um convite dos autores originais da música para uma gravação conjunta. Neste mês, Hanks voltou à Austrália para retomar as filmagens do longa. 

O filme foi tenso mas, ao menos nesse caso, o final é feliz. 

Emoções: o Rei comemora 79 anos com 1,4 milhão de amigos (a distância)
 
(foto: YouTube/REprodução)
(foto: YouTube/REprodução)
Considerado o Rei no universo da música brasileira, o cantor Roberto Carlos estreou no universo das lives no dia em que completou 79 anos, em 19 de abril. A apresentação foi em seu estúdio particular, localizado no bairro carioca da Urca, e contou com a presença do maestro Eduardo Lages e do tecladista Tutuca.

Transmitido parcialmente na Globo e, depois, seguindo para o ambiente on-line do YouTube, o show contou com clássicos do repertório do cantor, como É preciso saber viver e Detalhes, além de músicas escolhidas especialmente para a ocasião, como Caminhoneiros, que RC escolheu para homenagear os profissionais dessa categoria. Ele também cantou em italiano, como forma de apoiar seus amigos e fãs no país europeu, àquela altura o epicentro da pandemia. 

Roberto Carlos ainda apresentou um conjunto de canções religiosas, dando um tom de esperança e celebração ao show ao vivo. Ao final, quando a live atingiu o pico de visualizações com 1,4 milhão de pessoas assistindo simultaneamente, ele recebeu de sua equipe um bolo para assoprar as velas e ofereceu o primeiro pedaço aos fãs. 

''Obrigado a todos por estarem nos acompanhando e não se esqueçam de usarem máscaras e evitar sair de casa'', alertou. ''Todas as pessoas que estão aqui comigo respeitaram os cuidados recomendados e mantiveram uma distância segura durante toda a live. Agradeço a toda a equipe que trabalhou para isso aqui acontecer, ao diretor Boninho e a vocês, que nos assistiram. Eu amo vocês e que Deus os abençoe.''


A TV reina: confinado em casa, espectador transforma BBB20 em final de Copa
 
(foto: Globo/Divulgação)
(foto: Globo/Divulgação)
Antes mesmo da estreia, a Globo apostou que a 20ª edição do Big brother Brasil fosse ser histórica. Coube ao destino cumprir essa meta da emissora. No paredão do dia 31 de março, o reality show contabilizou mais de 1,5 bilhão de votos totais - que eliminaram Felipe Prior da casa, com 56,73% dos votos. 

A disputa com Manu Gavassi dividiu o país com uma ''polarização'' digna dos embates políticos do Brasil atual: a cantora recebeu 42,51% dos votos, enquanto Mari Gonzalez, que também estava no páreo, teve apenas 0,76% dos votos. 

Confinados dentro de casa por conta do coronavírus, não foram poucos os brasileiros que reagiram com gritos de celebração ao resultado, o que deu à ocasião um clima de Copa do Mundo. 

Esse barulho foi um reflexo de uma imensa mobilização nas redes sociais, que trouxe à tona pautas feministas e contou com o posicionamento de Bruna Marquezine, Agatha Moreira, Bruno Gagliasso, jogando no time de Manu; e dos jogadores de futebol Neymar e Gabigol, além do deputado federal Eduardo Bolsonaro, na torcida por Prior.

Tanta comoção rendeu um recorde: foram 1.532.944.337 votos, o maior número na história do BBB. O recorde anterior era do próprio BBB20, com 416.649.126 milhões de votos no paredão entre entre Gizelly, Guilherme e Pyong. A marca histórica é a maior alcançada no reality show, mundialmente inclusive. 


Para sempre Aldir: compositor partiu, mas lei com seu nome deve reerguer a cultura
(foto: Fábio Motta/Estadão)
(foto: Fábio Motta/Estadão)

No dia 4 de maio, o compositor e escritor Aldir Blanc morreu de COVID-19, aos 73 anos. Autor de uma vasta obra musical e literária, ele compôs, ao lado do mineiro João Bosco, o clássico O bêbado e a equilibrista, canção eternizada na voz de Elis Regina (1945-1982), entre várias outras pérolas da MPB. 

No dia 10 de abril, o compositor foi internado com infecção urinária e pneumonia, que evoluíram para um quadro de infecção generalizada. Cinco dias depois, a partir de uma campanha de amigos e artistas para conseguir um leito de UTI na rede pública de saúde do Rio, Blanc foi transferido para o Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte da capital fluminense. Na unidade, chegou a apresentar sinais de melhora, mas como seu estado era muito grave, foi mantido sedado o tempo inteiro.

Aldir Blanc deixou composições que marcaram a vida e a história dos brasileiros. Nascido no Estácio, Centro do Rio, era um observador das ruas, poeta da vida e da cidade. Virou também cronista e em suas histórias revelava paixões, como o bairro de Vila Isabel, onde passou a infância; o time do coração, o Vasco da Gama; e o carnaval.

Três meses depois de sua morte, em agosto, foi regulamentada a Lei Aldir Blanc, que destina recursos para o setor cultural, fortemente afetado pela paralisação das atividades durante a pandemia. 

A lei prevê a liberação de R$ 3 bilhões para estados, municípios e o Distrito Federal. Os recursos poderão ser destinados à manutenção de espaços culturais, pagamento de três parcelas de uma renda emergencial a trabalhadores do setor que tiveram suas atividades interrompidas e a instrumentos como editais e chamadas públicas.

A voz da esperança: tenor Andrea Bocelli canta sozinho na Páscoa
 
(foto: Piero Cruciatti/AFP)
(foto: Piero Cruciatti/AFP)
O show solo que Andrea Bocelli apresentou na catedral deserta de Milão, no domingo de Páscoa (12 de abril), foi outro momento emblemático da pandemia. 
O tenor fez o recital Música para a esperança, durante 25 minutos, e declarou desejar que o concerto aproximasse pessoas isoladas durante a quarentena imposta pela COVID-19. Ele cantou uma seleção de músicas religiosas, árias operísticas e uma versão de Amazing grace.

Antes do início do show, foram exibidas imagens aéreas (captadas por drones) de ruas e praças completamente desertas em Milão, o que deu a dimensão de como o vírus afetou o funcionamento de grandes cidades como a metrópole italiana. Bocelli cantou acompanhado somente de um organista. 

A transmissão ao vivo bateu recorde e se tornou a apresentação de música clássica mais assistida do YouTube. O concerto teve mais de 2,8 milhões de espectadores nos momentos de pico, a maior plateia simultânea numa live de música erudita da história, segundo o site. 

Mind the gap: Metrô de Londres apaga intervenção de Banksy sobre gravidade da pandemia
 
(foto: Instagram/Reprodução)
(foto: Instagram/Reprodução)
Ainda durante a quarentena imposta pela COVID-19, Banksy realizou uma intervenção no Metrô de Londres. O artista urbano marcou paredes dos vagões com ratos que usavam máscaras e mensagens sobre a pandemia do novo coronavírus. 

Sem quebrar a regra de não revelar a própria identidade, ele compartilhou um vídeo no Instagram usando máscara, capuz e equipamentos de proteção como se fosse um funcionário da limpeza do Metrô. A intervenção foi chamada de If you don't mask - you don't get.

Os ratos são elementos comuns nas obras do artista e apareciam ''espirrando'' nas paredes do vagão. No final do vídeo, é exibida a mensagem: ''I get lockdown, but I get up again'', com a música Tubthumping, da banda inglesa Chumbawamba, ao fundo.

No dia seguinte à divulgação do vídeo, a companhia que administra o Metrô de Londres informou que apagou os grafites feitos por Banksy nos vagões. Segundo uma porta-voz da empresa Transport for London (TfL), a ação violava a ''rigorosa política antigrafite'' da empresa. 

A empresa disse ainda que “aprecia a iniciativa” contra a crise do coronavírus e  ''oferece a Banksy a oportunidade de fazer uma nova versão de sua mensagem para nossos usuários em uma locação adequada'', ao que o artista simplesmente não respondeu.


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