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Estado de Minas DIVÓRCIO

Intimidade de Johnny Depp é devassada em tribunal

Ator processou tabloide inglês que se referiu a ele como agressor da mulher por calúnia. Julgamento da causa revela detalhes escandalosos


18/07/2020 04:00

O ator Johnny Depp fuma um cigarro ao deixar o tribunal londrino onde o processo está sendo julgado, na última quinta-feira(foto: Fotos: daniel leal-olivas/afp)
O ator Johnny Depp fuma um cigarro ao deixar o tribunal londrino onde o processo está sendo julgado, na última quinta-feira (foto: Fotos: daniel leal-olivas/afp)
Oh, Deus. Por que ela tinha que acontecer? Justo quando eu estava indo tão bem sem ela”, afirma Paul Kemp, extasiado ao observar Chenault nadando à noite. A cena foi rodada há 10 anos, quando Johnny Depp e Amber Heard, intérpretes dos ditos personagens, filmavam o longa-metragem Diário de um jornalista bêbado, de Bruce Robinson, lançado em 2011.

Ao longo dos últimos quatro anos, Depp deve ter se feito a mesma pergunta de Kemp: “Por que ela tinha que acontecer?” Os dois se conheceram durante as filmagens de Diário, se casaram em 2015 e se separaram 15 meses depois, no meio de um escândalo, quando Amber acusou Johnny de violência doméstica. Ele nega.

Com voltas, reviravoltas e uma incessante troca de acusações entre Depp, de 57 anos, e Amber, de 34, o caso voltou a ficar em evidência nesta semana, quando teve início o julgamento do processo de calúnia que Depp moveu contra o tabloide inglês The Sun, por haver se referido a ele em 2018 como “agressor de esposa”, tendo como base a acusação de Amber. O jornal afirmou haver múltiplas evidências de que a acusação era procedente.

No julgamento que está em curso, a cada dia surgem informações constrangedoras, com a exposição da intimidade do casal. Os detalhes incluem os problemas de Depp com álcool e drogas, recados escritos por ele no espelho do banheiro com o próprio sangue, acessos de raiva de Amber pelo fato de Depp não segurar sua mão enquanto assistiam à TV no sofá e fezes humanas espalhadas na cama do casal (supostamente por Amber), algo que o ator definiu como “um fim apropriado para esse casamento”.

A atriz Amber Heard, ex-mulher de Depp, acena para os fotógrafos, na saída do tribunal
A atriz Amber Heard, ex-mulher de Depp, acena para os fotógrafos, na saída do tribunal
APOIO 

Amber afirma que Depp a agrediu em 14 ocasiões diferentes. O ator, no entanto, tem contado com alguns apoios importantes nesse processo. Duas ex-mulheres gravaram depoimentos favoráveis a ele. A atriz e cantora francesa Vanessa Paradis, com quem Depp viveu por 14 anos e teve seus dois filhos, afirmou que “Johnny foi um pai e um homem gentil, amoroso, generoso e não violento. Ele nunca foi violento ou abusivo comigo”. O casal se separou em 2012, discretamente.

A atriz norte-americana Winona Ryder, que manteve uma relação de quatro anos com Depp, foi enfática em sua defesa. “Honesta e verdadeiramente, eu o conheço como um homem bom, um cara incrivelmente amoroso e extremamente gentil, que foi sempre muito protetor comigo e com as pessoas que ama e eu sempre me senti muito, muito segura ao lado dele”, declarou Winona.

O depoimento dela faz referência indireta à versão de que Amber mentiu propositalmente ao acusar Depp e de que era ela a verdadeira agressora. Um segurança do ex-casal testemunhou ter visto Amber repetidamente agredir Depp verbal e fisicamente, “quando bebia”. O segurança disse que o ator não reagia às agressões e procurava acalmar Amber ou se afastar dela nessas ocasiões.

“Não quero chamar ninguém de mentiroso, mas, de acordo com minha experiência com Johnny, é impossível acreditar que essas terríveis alegações sejam verdadeiras”, afirmou Winona.

Por episódios como esses, os meandros da turbulenta relação de Depp e Amber têm feito história entre os escândalos que os tabloides se especializaram em cobrir. O impacto negativo na carreira de Depp foi abertamente citado por Vanessa Paradis em seu depoimento. Mas é injusto dizer que foram as acusações da Amber que deram início ao ocaso de Depp.

A descida do céu ao inferno acumula diversos exemplos em Hollywood (Mel Gibson, Nicolas Cage, Mickey Rourke são alguns dos mais recentes). Mas, no caso de Johnny Depp, chama a atenção a estatura do protagonista dessa trama, assim como o tamanho da queda. 

O ator mais cool de Hollywood, reconhecidamente um camaleão nas telas, capaz de encantar o mainstream e o cinema independente, é hoje sinônimo de abuso de álcool, drogas e de um manejo desastroso da própria fortuna.
E é tudo superlativo. Entre 1986 e 2006, Depp participou de 32 filmes, incluindo a sua parceria com Tim Burton iniciada em 1990 com Edward mãos de tesoura – os dois fizeram ao todo nove filmes. O quarto filho de uma garçonete e um engenheiro civil que mal parava em casa encontrou seus dias de glória entre duas décadas.

A franquia Piratas do Caribe – iniciada em 2003, com A maldição da Pérola Negra, que lhe rendeu outros quatro filmes – lhe deu fama e dinheiro. O Capitão Jack Sparrow virou uma marca mundial e lhe rendeu cachês de US$ 30 milhões por filme. 

Estima-se que Depp já tenha recebido US$ 650 milhões somando-se todos os filmes de que participou. A maior parte desse dinheiro se esvaiu,  graças às extravagâncias do ator e à má gestão da fortuna. Ele chegou a processar o The Management Group, empresa que administrava sua carreira havia uma década, por negligência, roubo e fraude. 

Entre as alegações, estava a de que a irmã de Depp havia recebido US$ 7 milhões sem conhecimento do ator. Também somava quase US$ 6 milhões de impostos atrasados. Há dois anos, Depp e seus antigos empresários chegaram a um acordo, confidencial.

CARROS 

Ao longo deste tempo, para tentar diminuir as dívidas, Depp teve que pôr fim a boa parte de seu patrimônio, que chegou a contar com 14 residências e 45 carros de luxo. Extravagâncias custam caro. O ator gastou US$ 3 milhões para atirar as cinzas do amigo Hunter S. Thompson (o escritor, que ele chegou a interpretar em Medo e delírio, é também o autor do Rum: O diário de um jornalista bêbado) utilizando um canhão. 

Depp gastava US$ 30 mil mensais em vinho e mantinha um engenheiro de som em sua folha de pagamento para que ele passasse suas falas por meio de um ponto eletrônico quando estava filmando.

A ladeira abaixo da vida financeira e pessoal se refletiu em sua produção no cinema. O sucesso de Jack Sparrow levou Depp a se repetir no papel – em muitos momentos, parece ter levado a extravagância do pirata dos cinemas para a vida pessoal. O personagem foi trazido de volta tantas vezes (a mais recente em Piratas do Caribe, A vingança de Salazar, de 2017) que ficou fácil esquecer que o pirata mereceu a atenção do Oscar com uma nomeação em sua primeira incursão no cinema.

Na última década, ele participou de um número grande de desastres cinematográficos: Sombras da noite (2012), a mais recente colaboração em um longa dirigido por Tim Burton; O cavaleiro solitário (2013); Transcendence: A revolução (2014), Mortdecai: A arte da trapaça (2015). A série de fracassos de bilheteria fez com que, em 2015, Depp carregasse o nada honroso título de ator menos rentável de Hollywood. 

Tantos reveses poderiam colocar uma pá de cal em um nome do primeiro escalão de Hollywood. Mas sua presença continua marcante, mesmo que com menos expressão. Ainda que infinitamente inferior ao original, a refilmagem de O assassinato no Expresso Oriente (2017), com um elenco estelar, foi um sucesso de público. 

Apesar de os fãs de Harry Potter terem, em massa, pedido a sua saída do elenco da franquia Animais fantásticos – pelos alegados abusos contra Amber – o ator fez os dois primeiros longas (2016 e 2018). Se no primeiro o vilão Gellert Grindelwald tinha apenas uma participação, no segundo o personagem ganhou protagonismo.

O terceiro filme está em aberto. As filmagens, que teriam início em março passado, foram suspensas em decorrência da pandemia do novo coronavírus. Durante a quarentena, a autora J.K. Rowling se envolveu em uma polêmica no Twitter e foi acusada de transfobia. Não há mais muita certeza sobre a produção, ainda mais porque a história, prevista para chegar aos cinemas em 2021, seria rodada no Rio de Janeiro. 

Para este ano, quando (e se) a situação se normalizar, está previsto o lançamento do drama Minamata, que foi exibido em janeiro no Festival de Berlim (a participação de Depp causou furor no evento). Baseado em fatos reais, o filme dirigido por Andrew Levitas acompanha o fotojornalista americano W. Eugene Smith, que ganhou fama cobrindo a Segunda Guerra Mundial e retorna, anos mais tarde, ao Japão para revelar para o mundo como os moradores de uma cidade costeira estão sendo envenenados por mercúrio.

O momento da vida de Eugene Smith que Minamata acompanha é o da decadência, quando o fotógrafo está sozinho, bêbado, deprimido. Um papel assim ser oferecido a Depp neste momento de sua carreira não pode ser mera coincidência. Histórias de redenção existem aos montes, na vida e na ficção. Resta saber se esta também significará a remissão do próprio Johnny Depp.


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