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Estado de Minas EM SUSPENSO

Orquestra Filarmônica adia novamente volta à Sala Minas Gerais

Depois de prever retomada em julho, grupo agora planeja concertos com menos músicos no palco e apenas 20% de espectadores na plateia no mês de agosto


postado em 27/06/2020 04:00

A Sala Minas Gerais, com 1.470 lugares, muitas vezes tem sua lotação completa, como foi o caso desse concerto realizado em 2017 (foto: Bruna Brandão/Divulgação)
A Sala Minas Gerais, com 1.470 lugares, muitas vezes tem sua lotação completa, como foi o caso desse concerto realizado em 2017 (foto: Bruna Brandão/Divulgação)

Sem realizar concertos desde março passado, com a suspensão de suas atividades imposta pelas medidas de combate à disseminação do novo coronavírus, a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais reajustou pela terceira vez sua previsão de retomada das atividades presenciais.

Agosto seria a nova data para o início da volta das apresentações na Sala Minas Gerais, segundo disse o  diretor-presidente do Instituto Filarmônica, Diomar Silveira. Ele afirma já ter os protocolos de segurança, que incluem a redução de público para, no máximo, 20% da capacidade total, que é de 1.470 lugares. Outra estratégia seria privilegiar um programa de obras camerísticas, de tal forma que a orquestra se apresente com menos músicos, o que permitiria também adotar o distanciamento entre os artistas.

No entanto, esse plano ainda depende da aprovação das autoridades municipais e estaduais, o que ainda é incerto, sobretudo depois do recuo no processo de abertura das atividades de comércio e serviços na capital mineira, anunciado na tarde de ontem (26) pelo prefeito Alexandre Kalil.

Quando foi editado o primeiro decreto que proibiu aglomerações em Belo Horizonte, ainda em março, a expectativa da Filarmônica era retornar às suas atividades em abril. Depois, o prognóstico foi postergado para julho. Agora, é em agosto que se concentra a esperança de um reencontro com o público e de reestruturação financeira da orquestra, que perdeu as receitas de bilheteria, um dos pilares de sua sustentação.

Como resultado dessa situação, os músicos tiveram seu salário e sua carga horária reduzidos em 70%  nos meses de maio e junho. “Para nós, está sendo um grande desafio. Depois de termos planejado uma temporada tão bonita... Trabalhamos com planejamento desde o ano anterior. Então, cuidávamos desse programa desde 2019, assim como já planejamos a temporada de 2021”, afirma Silveira. “Ficar impossibilitado de executar a temporada foi realmente um grande baque. Tivemos que nos adaptar rapidamente a uma agenda digital, com um leque de ações muito rico. Agora estamos nos preparando para voltar, mas em um cenário em que não temos a certeza de que poderemos executá-lo”, observa.

BEETHOVEN

 Sem poder executar seus concertos ao vivo, a Filarmônica realizou diferentes ações para se manter próxima do público em suas redes sociais durante esse período. Toda sexta-feira, no canal da orquestra no YouTube é postada uma apresentação antiga, na íntegra.

Ontem, foi a vez da Sinfonia nº 3 de Beethoven em Mi bemol maior, a chamada Eroica. Como 2020 marca os 250 anos de nascimento de Beethoven, o universo da música clássica havia se preparado para homenagear o compositor alemão com a execução de suas obras mais conhecidas.

Além de divulgar registros de apresentações completas de seu catálogo, a orquestra tem procurado também abastecer seus canais virtuais com solos feitos pelos músicos em suas casas. Os profissionais também ministram aulas de música on-line em projetos sociais específicos. A reportagem apurou, no entanto, que ao menos uma parcela dos músicos tem se sentido insatisfeita e desmotivada, dada a redução salarial.

Na cúpula da Filarmônica, o momento é de preocupação também com a renovação do contrato entre a entidade gestora da orquestra e o governo de Minas. A previsão, segundo o edital que reformulou os termos da parceria, era de que o Instituto Filarmônica continuaria responsável pela administração da orquestra até 2023.

No documento, estava previsto um repasse de R$ 8,75 milhões para custeio de parte das operações no segundo semestre. No entanto, com o contingenciamento de gastos imposto pelo Executivo, que atingiu a Secretaria da Cultura em 45% dos seus recursos, o repasse será de R$ 6,75 milhões, segundo Diomar Silveira.

A composição das receitas da Filarmônica inclui ainda os valores arrecadados com as assinaturas e patrocínios. De acordo com Silveira, os assinantes das séries regulares da orquestra optaram por não pedir ressarcimento dos valores pagos. Ele diz também que a maior parte dos patrocinadores foi mantida e que a perda mais preocupante no momento é com a bilheteria.

''Ficar impossibilitado de executar a temporada foi realmente um grande baque. Tivemos que nos adaptar rapidamente a uma agenda digital, com um leque de ações muito rico. Agora, estamos nos preparando para voltar, mas em um cenário em que não temos a certeza de que poderemos executá-lo''

Diomar Silveira, diretor-presidente do Instituto Cultural Filarmônica


CONTRATO

“No contrato de gestão para este ano, sofremos contingenciamento do valor, sim. Houve um corte no primeiro semestre e um corte no segundo, mas conseguimos absorvê-los graças a essa gestão de pessoal, utilizando a MP, reduzindo carga horária e o valor do pagamento dos músicos”, diz Silveira,

Nas medidas de enfrentamento à crise sanitária, o governo federal editou as medidas provisórias 927 e 936, que permitem aos empregadores lançar mão da redução de carga horária e de salário de seus contratados, assim como suspender contratos temporariamente.

“Não há nada que não esteja nos preocupando. Preocupação é 24 horas. A atividade cultural é presencial. O digital não substitui totalmente. Já até tínhamos um projeto digital anterior à pandemia, mas para complementar nossa atividade, que são os concertos nas praças, no interior, na Sala Minas Gerais. É isso o que queríamos estar fazendo”.


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