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Estado de Minas PANDEMIA

De frente para o futuro

Artistas analisam os desafios impostos pelo surto de COVID-19 à humanidade e ao Brasil. O novo cenário surge como incógnita diante do aprofundamento da desigualdade social


postado em 20/05/2020 04:00

Como será o mundo pós-pandemia? Seremos pessoas melhores? Artistas e criadores revelam inquietações, mas também esperança em relação ao futuro. O cantor e compositor Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura, acredita em “reinvenções”. “A única coisa que julgo clara neste momento é a tarefa de sobreviver”, afirma o escritor Sérgio Rodrigues. “Que a humanidade acorde e faça valer o desejo da vida”, deseja a atriz Camila Pitanga. De acordo com o rapper Criolo, a pandemia expôe cruamente “como o Brasil é realmente”.


REINVENÇÃO POSSÍVEL
(foto: Canal Brasil/divulgação)
(foto: Canal Brasil/divulgação)

Gilberto Gil,
cantor e compositor

“O mundo vai ser reinventado e novas direções para essas reinvenções podem ser as mais variadas possíveis. Desde o fortalecimento desses novos sistemas de interação com os públicos (os shows domésticos, a disponibilização via internet de arquivos e acervos de museus, teatros, bibliotecas, televisões e tanta coisa mais) até a volta gradual aos modos convencionais de interação, à medida que forem caindo os isolamentos, as quarentenas, os lockdowns. É difícil apontar com segurança como vai ficar este novo mundo que vem por aí, o que ficará melhor ou pior.”

REFLEXÃO COLETIVA
(foto: Sophia Pascoal/Divulgação)
(foto: Sophia Pascoal/Divulgação)

Camila Pitanga,
atriz

“Esse sentimento de dor, essa dor que estamos vivendo, ela tem que fazer valer para que possamos reconstruir tudo de novo. É um momento de repactuarmos. A gente desacelerou, os bichos voltaram, voltamos a ver as estrelas. Isso não é um símbolo, é a vida. A natureza tem uma autorregulação que a gente não tem. Temos que ouvir mais. Essa coisa de achar que o ser humano pode dominar a natureza, a pandemia está mostrando que não, que não controlamos tudo. A pandemia está mostrando mais claramente o fosso que a desigualdade social é. Não é inventar a roda, temos que ter a sabedoria viva. Este momento de isolamento precisa ser para nos repensarmos, quem são nossas referências. Por isso, não dá mais para ficar no seu rebanho. Ninguém será como antes, não vai ter recuo. É a realidade de que a gente precisa para não adoecer psiquica e fisicamente. Precisamos nos nutrir de boas informações, estar cada vez mais guardiões do que estamos lendo, vendo, multiplicando e compartilhando, porque a pandemia existe, assim como a doença da cegueira política. Isso é passível de reconstrução. É possível a gente pensar e repensar nosso estar no mundo. Embora não seja Poliana – sei o tanto que esta pandemia está exacerbando a desigualdade no país e no mundo –, sou otimista, sim, sobre o caminho de instrução para que estamos indo, de que a gente precisa ouvir saberes ancestrais e que temos como obrigação multiplicar. Todos os dias, fazemos escolhas que podem fazer sucumbir e renascer. Que a humanidade acorde e faça valer o desejo da vida. E, sim, a favor da vida.”

HORA DA VERDADE
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press)
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A.Press)

Criolo,
rapper

“A pandemia revela a situação de extrema fragilidade que nossa sociedade brasileira vive. Uma sociedade cheia de problemas que é catapultada por uma desigualdade social muito cruel. Esta pandemia vem revelar a determinadas camadas da nossa sociedade a calamidade pública que vivem o ano inteiro, há décadas e séculos, as partes mais pobres da cidade, os lugares mais esquecidos pelo Estado. Essa calamidade pública é o ano todo. A pandemia revela às pessoas que não tinham ideia de como o Brasil é realmente. Enquanto não houver justiça social, é impossível viver em paz. Que a gente possa se sentir tocado, se sentir forte o suficiente para lutar contra as desigualdades.”

MISSÃO: SOBREVIVER
(foto: Bel Pedrosa/divulgação)
(foto: Bel Pedrosa/divulgação)

Sérgio Rodrigues,
escritor

“Falar do mundo pós-pandemia neste momento seria, para mim, um simples chute. Acredito que faltem elementos para embasar uma previsão razoável. Até as próximas fases da pandemia, que não terminará tão cedo, me parecem nebulosas demais. A única coisa que julgo clara neste momento é a tarefa de sobreviver, cuidar das pessoas queridas, tentar não ficar maluco, torcer para que nos sobre um país minimamente funcional depois que passar esta calamidade sanitária e política. No meu caso, pelo menos, não tem sobrado espaço para pensar em mais nada.”

UM DIA DE CADA VEZ
(foto: João Cotta/Divulgação)
(foto: João Cotta/Divulgação)

Ingrid Guimarães,
atriz

“Nossa realidade já mudou. Os hábitos vão mudar daqui para a frente. Tem o lado da solidariedade, de pensar no coletivo, que é algo que me emociona. Acordo pensando em como posso ajudar o outro de alguma forma. E as novas maneiras de se relacionar. Vamos viver uma vida asséptica. Só nos resta viver um dia de cada vez.”

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