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Estado de Minas

Silêncio na Broadway

Fechamento do maior point cultural de Nova York significa o prejuízo de US$ 33 milhões semanais em venda de ingressos. Estreias são canceladas


postado em 16/05/2020 04:00

Nova York – Os famosos teatros da Broadway não reabrirão antes do início do mês de setembro, anunciou seu grupo de acionistas. Embora a associação Broadway League não tenha definido uma data para a volta da agenda, a troca e a devolução de ingressos poderão ser realizadas a partir de 6 de setembro.

A decisão não surpreende, pois Nova York é o epicentro da pandemia de coronavírus nos Estados Unidos. A reabertura do setor de arte e entretenimento, marca registrada da vida nova-iorquina, integra a última fase do plano do governador Andrew Cuomo de retorno das atividades no estado.

“Precisamos garantir a saúde e o bem-estar de todos que vão ao teatro, atrás e na frente da cortina, antes que os shows voltem a ocorrer”, diz Charlotte St. Martin, presidente da associação Broadway League.

Os teatros da Broadway interromperam suas atividades em meados de março, quando 31 espetáculos estavam em cartaz e oito finalizavam ensaios para estrear na primavera.

O fechamento da atração turística mais lucrativa de Nova York atinge fortemente a economia: semanalmente, a venda de ingressos para eventos na Broadway soma US$ 33 milhões.

Profissionais do setor receberam o pagamento duas semanas depois do decreto do fechamento, mas agora têm sua renda limitada ao seguro-desemprego, que muitos nem sequer receberam devido ao caos administrativo provocado pela pandemia.

“Infelizmente, é quase impossível para um músico de palco ganhar dinheiro neste momento”, lamenta Clayton Craddock, baterista da orquestra do musical Ain't too proud.

A renda básica, de acordo com fontes, é estimada em US$ 2 mil por semana, mas muitos artistas recebiam mais por seu trabalho.

De acordo com o presidente do sindicato dos músicos Local 802, Adam Krauthamer, vários colegas morreram depois de contrair a COVID-19.

CANCELAMENTO 

Dos 16 espetáculos que estavam sendo preparados no momento da interrupção das atividades, apenas dois foram oficialmente cancelados. “Alguns podem não voltar, mas ainda não temos essas informações”, informou a presidente da Broadway League.

O pessimismo é grande. “O modelo financeiro da Broadway está estruturado de tal maneira que o distanciamento social simplesmente não funciona”, adverte St. Martin. “Mesmo com ocupação de 50%, um espetáculo não conseguiria pagar seus custos.”

Peças, musicais e espetáculos se enquadram na categoria de aglomerações, a última atividade a ser permitida no período pós-pandemia. Para resistir até a reabertura, a Broadway busca ajuda pública.
“Economicamente, a cidade precisa que a Broadway retorne à vida e que o turismo, hotéis e restaurantes sejam mais saudáveis”, diz Charlotte St. Martin. De acordo com ela, um estudo estima que o setor gere US$ 14,7 bilhões anuais para a economia de Nova York.


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