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Estado de Minas SEM CINEMA

Drama búlgaro 'O pai' é lançado no streaming nesta quinta (7)

Longa mostra a reconfiguração da relação de um filho com seu pai, após a morte da mãe. Pandemia impediu sua estreia nos cinemas


postado em 07/05/2020 04:00

Longa-metragem O pai, que chega hoje ao streaming, mostra a reconfiguração da relação de um filho com seu pai após a morte da mãe (foto: PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO)
Longa-metragem O pai, que chega hoje ao streaming, mostra a reconfiguração da relação de um filho com seu pai após a morte da mãe (foto: PANDORA FILMES/DIVULGAÇÃO)
O velório está prestes a acabar, todas as bênçãos já foram ditas. Assim que o caixão está para ser fechado, o homem mais velho pede ao mais moço que tire uma foto do corpo. Ele recua, constrangido. Faz somente um clique de longe. Quando o caixão se fecha, o idoso pega a câmera, abre-o novamente e faz várias fotos, causando um estarrecimento geral.

Na primeira sequência, o filme búlgaro O pai mostra que a relação entre Vasil (Ivan Savov) e seu filho Pavel (Ivan Barnev) não é das melhores. O pai desautoriza o filho como pode. Homem já passado dos 40, Pavel tenta relevar o desconforto, afinal, sua mãe, Valentina, grande amor de Vasil, acaba de morrer. É sobre afeto, perda, velhice e outras questões universais que os diretores Kristina Grozeva e Petar Valchanov tratam nesta comédia dramática.

Mais um filme impedido de chegar aos cinemas em decorrência da pandemia do novo coronavírus, O pai estreia nesta quinta-feira (7), na plataforma Belas à La Carte. A coprodução Grécia-Bulgária foi a principal vencedora do Festival de Cinema de Karlovy Vary, na República Tcheca, no ano passado. O filme é livremente inspirado em um fato que ocorreu na família de Kristina, diretora (com Petar) também dos longas A lição (2014) e Glory (2016).

De acordo com a diretora, após o funeral da mãe de um parente, um vizinho chegou apavorado dizendo que a mulher que acabara de ser enterrada estava telefonando para ele. A partir desse fato quase tragicômico, os cineastas criaram a história.

Vasil é um pintor ríspido, egoísta e preso ao passado. Ele vive no interior da Bulgária, um local cheio de superstições. Pavel é fotógrafo, e mora na capital, Sofia – deixa a cidade para acompanhar o funeral da mãe. Não conta para a mulher sobre a morte, já que ela está em casa, lidando com uma gravidez de risco.

A partir do dito telefonema, Vasil decide que precisa entrar em contato com Valentina, já que ela morreu deixando assuntos pendentes com ele. Pavel, ciente do comportamento pra lá de estranho do pai – ele planeja pintar um quadro que evoque a figura da mulher na juventude e na velhice –, tenta demovê-lo da ideia.

Mas o velho, obcecado com a ideia, resolve seguir em frente. E o filho se vê obrigado a segui-lo, o que acarreta uma série de situações pra lá de atípicas – algumas, vale dizer, um tanto inverossímeis.

A partir de certo momento, O pai se torna um road movie que navega entre a farsa e a sátira, acompanhando um relacionamento que vai se reconfigurando a partir da perda.

Um abnegado Pavel assente a todas as loucuras do pai porque simplesmente quer ser visto, algo que o homem mais velho, centrado em sua arrogância, nunca conseguiu fazer.

Mentira após mentira – para a mulher, para o colega de trabalho, para o pai –, Pavel se envolve na própria teia, que só é desenrolada na cena final. Esta é tocante, nada melodramática, e revela muito não só dos personagens, mas das relações de pais e filhos.

O PAI
O filme de Kristina Grozeva e Petar Valchanov será lançado nesta quinta (7), exclusivamente na plataforma Belas à La Carte (belasalacarte.com.br) por R$ 12,90. Há também um pacote com O pai e os filmes anteriores da dupla de diretores, A lição (2014) e Glory (2016), por R$ 15,90.



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