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Estado de Minas

Longe dos palcos, mas perto dos fãs


postado em 08/04/2020 04:00

 Banda Lamparina e A Primavera aproveita a quarentena para compor canções para o novo álbum, além de promover lives nas redes sociais (foto: Gabriela Otati/divulgação)
Banda Lamparina e A Primavera aproveita a quarentena para compor canções para o novo álbum, além de promover lives nas redes sociais (foto: Gabriela Otati/divulgação)

Ensaios, viagens, shows e gravações. Essa era rotina da banda belo-horizontina Lamparina e A Primavera antes da quarentena. Devido ao isolamento social, o grupo teve de cancelar toda a agenda de shows e se adaptar ao modelo home office. Com o futuro ainda indefinido, os músicos buscam compor para o novo álbum e planejar eventos, sem perder o contato com os fãs.

Formada por Marina Miglio (voz), Hugo Zschaber (voz e percussão), Arthur Delamarque (guitarra e voz), Stênio (guitarra), Calvin Delamarque (baixo), Fabiano Carvalho (percussão) e Thiago Oliveira (bateria), a banda é um dos destaques da cena belo-horizontina. Misturando axé, rock, pop, manguebeat e psicodelia, Lamparina faz um som autoral e dançante.

Impulsionada pelas canções Não me entrego aos caretas, Pochete, Canseira e Convite, a banda já ultrapassou 80 mil ouvintes no Spotify e 3,6 mil inscritos em seu canal no YouTube. Formado em 2016, o grupo enfrenta hoje um grande desafio. Impossibilitado de ensaiar, gravar e fazer shows, os jovens buscam se reinventar durante o confinamento.

A cantora Marina Miglio, de 23 anos, diz que o isolamento social tem contribuído para as novas composições. “Convivendo com muitas pessoas diferentes e na correria do dia a dia, você acaba não conseguindo focar na sua parte criativa. Pessoalmente, a minha tem muito a ver com o silêncio, por incrível que pareça. A gente tá sempre rodeado de som, barulho, informação, e isso acaba te bloqueando. O isolamento social me deixa sensível e ajuda a compor”, afirma. Ela vem usando o tempo livre para assistir a videoaulas de canto.

Planejando o terceiro álbum, a banda alterou totalmente o processo de criação. “A gente vai trabalhando de forma totalmente virtual. Alguém pensa em uma letra, manda pro outro, que já tem uma nova ideia em cima disso e pensa em uma harmonia. Alguém pensa em alguma coisa no violão, que já traz uma nova referência. Estamos aprendendo a lidar com tudo isso, tentando trazer as ideias pro papel”, afirma Hugo Zschaber, de 24.

De acordo com o percussionista, a quarentena é positiva, ajudando o grupo a descansar da correria. “A gente vive viajando, então, pelo menos para mim, tá sendo bom ficar em casa. Mesmo em Belo Horizonte, a gente fica na correria louca do dia a dia. Estar sossegado perto dos meus pais é muito bom”, revela. “A gente tá conseguindo compor bastante também, apesar de todas as dificuldades virtuais.”

Os músicos se comunicam por WhatsApp e chamadas de vídeo, mas não é fácil lidar com essas ferramentas como instrumento de trabalho. A falta de ensaios e encontros prejudica o processo de criação. “Como a gente tá passando por um processo de adaptação, conseguir se expressar virtualmente ainda é complicado. A arte necessita do toque e da presença, então no virtual fica realmente difícil. Mas estamos conseguindo lidar bem, entrando em um caminho interessante na produção do novo disco”, esclarece Hugo.

Além disso, a banda trabalha no lançamento do remix de algumas de suas músicas mais conhecidas, projeto que já estava em produção antes da quarentena. O primeiro deles será o single Canseira (2019), produzido pelo DJ Cidoca, com lançamento agendado para 17 de abril. Em maio, será disponibilizada a versão de Não me entrego pros caretas (2019), feita pelo coletivo carioca Mango DJs, além de A gente gosta (2019), remixada pelo DJ Baka.

PROXIMIDADE 

Durante o isolamento social, o Lamparina mantém o contato com o público, via redes sociais. “Tentamos manter o pessoal por perto, fazendo um movimento para a galera ouvir nosso som em todas as plataformas. Isso ajuda. É o meio de a gente conseguir ter acesso a alguma renda nesse período”, explica Marina.

O grupo vem promovendo lives regularmente. Em 29 de março, a banda participou do Festival Solitude, que reuniu 48 atrações em um evento on-line. “A experiência foi massa, o público recebeu superbem. Mesmo de longe, deu pra sentir o carinho e o calor da galera. É muito diferente de um show convencional, mas, na falta de opção, tá sendo uma boa maneira de estar presente”, afirma a cantora.

O grupo também tem utilizado as mídias sociais para produzir novos conteúdos para os fãs. “A gente grava IGTV, videoaula das músicas, e faz enquete no Instagram. As redes sociais dão a sensação de proximidade que a gente gosta de manter com o nosso público, independentemente da quarentena”, destaca Marina. 

* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro

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