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Estado de Minas ARTES VISUAIS

Arte-educadores buscam formas de entreter as crianças nesta quarentena

Equipe do CCBB, com 70 profissionais de quatro estados, faz mutirão on-line para criar projetos. Algumas ideias já são testadas no Instagram e no site oficial da instituição


postado em 02/04/2020 04:00

Imagem do projeto BH Imagina Rio postada no site oficial do CCBB de Belo Horizonte (foto: CCBB/JA.CA/REPRODUÇÃO)
Imagem do projeto BH Imagina Rio postada no site oficial do CCBB de Belo Horizonte (foto: CCBB/JA.CA/REPRODUÇÃO)

Planejar em parceria com 70 profissionais de quatro estados como levar a vivência artística para dentro da casa das pessoas. Esse é o desafio diário de Pompea Tavares, coordenadora pedagógica do projeto CCBB Educativo, nestes dias de quarentena.

“Dá uma saudade de ver as carinhas das crianças... Estamos carentes”, lamenta Pompea, que há dois anos trabalha no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), na Praça da Liberdade. Acostumada a lidar diariamente com cerca de 280 crianças, fora os adultos que visitam o espaço, a educadora revela que ficar longe do público é a maior dificuldade que tem enfrentado.

Em 2019, apenas durante a exposição A DreamWorks animation, que ficou em cartaz de 15 de maio a 29 de julho, cerca de 605 mil visitantes passaram pelo centro cultural mineiro. Isso garantiu ao CCBB-BH o segundo lugar no ranking das exposições mais visitadas no mundo no ano passado. O resultado foi divulgado nesta terça-feira (31), pela revista The Art Newspaper.

O coronavírus fechou as portas do CCBB, suspendendo as atividades do setor educativo desde 17 de março. Porém, o trabalho remoto de arte-educadores, gestores e profissionais de comunicação continua. Equipes de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília buscam formas de levar projetos on-line para o público.

Pompea e os colegas têm trabalhado no esquema home office. “Os desafios são maiores, porque a gente está construindo coisas que nunca fizemos antes. Queremos levar as vivências que acumulamos nesses dois anos para a casa das pessoas”, conta ela.

“É um trabalho coletivo, com várias pessoas criando e revisando. A troca é intensa, ainda estamos descobrindo quais são as melhores plataformas on-line”, diz ela. “O WhatsApp virou até sala de reunião.”

Arte-educadores do CCBB levam em conta as peculiaridades das famílias para oferecer opções que tornem o isolamento social mais leve para as crianças. “Estamos olhando para trás, tudo o que já realizamos, adaptando linguagens e buscando formas de interação”, resume Pompea.

“Por sorte, estou muito envolvida com uma equipe grande do educativo”, afirma, revelando que mora sozinha, fazendo do trabalho uma forma de se manter ativa e de ocupar o tempo durante o isolamento social.

O CCBB vem utilizando o Instagram (@ccbbbh) e o site oficial (http://www.ccbbeducativo.com/) para divulgar, esporadicamente, práticas destinadas a pessoas de todas as idades. Em abril, ainda sem data definida, o centro vai postar conteúdos diariamente, com novas propostas e atividades, baseadas no material gravado durante os dois anos do projeto.

“Particularmente, gosto muito das leituras, de podermos olhar juntos para uma obra de arte. Mesmo que no virtual fique mais efêmero, isso nos inspira a pequenos exercícios artísticos. É como observar a paisagem da janela e fazer um desenho”, compara Pompea.

Um dos projetos é a gravação de pequenos vídeos, com cerca de um minuto, nos quais o educador oferece instruções rápidas sobre como fazer determinada atividade. Por meio de hashtags que ainda estão sendo desenvolvidas, o público poderá compartilhar os resultados com a equipe.

“Está todo mundo se reinventando, mas ao mesmo tempo a gente se diverte. Nos primeiros vídeos, gravados para teste, a gente cometeu muitas gafes. É uma aventura interna. Estamos melhorando com o tempo, mas precisamos enfrentar a vergonha de aparecer ali”, conta Pompea, aos risos.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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