Jornal Estado de Minas

MEMÓRIA

TUNAI MORRE AOS 69 ANOS

Conteúdo para Assinantes

Continue lendo o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Experimente 15 dias grátis

“Cantor, compositor e violonista. Neto de árabes. Filho de Daniel Mucci e Dona Lilá, com quem aprendeu as primeiras noções de música.” É assim que se inicia a biografia de José Antônio de Freitas Mucci, o Tunai, no site oficial do músico. O artista morreu dormindo, em sua casa, no Rio de Janeiro, na madrugada de domingo (26), quando sofreu uma parada cardíaca. Irmão do também cantor e compositor João Bosco, Tunai nasceu em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, e deixou a esposa Regina, os filhos Daniela e André, e o neto, Fernando.



A família publicou o seguinte comunicado: “Este é um momento pelo qual não esperávamos passar. Com profunda tristeza, familiares comunicam o falecimento do pai, avô, irmão e amigo Tunai. Ele nos deixou na madrugada deste domingo (26), dormindo. Como não estava doente, acreditamos que foi uma parada cardíaca. Sempre ativo, estava tocando novos projetos, como a composição de uma nova música para um poema de Fernando Brant (1946-2015) com a obra Guerra e Paz. Engenheiro de (quase) formação e artista por verdadeira vocação, deixa uma obra que faz parte das mais belas páginas da história da MPB. O velório será nesta segunda (27) no Memorial do Carmo, sala 7, a partir das 12h30. A cremação está marcada para as 15h30."

ARQUITETURA

A música não foi a primeira opção profissional de Tunai. Com 18 anos, ele se mudou para Ouro Preto, onde estudou na Escola Técnica Federal (Metalurgia) e depois na Escola de Minas (Engenharia). Mas, já nessa época, começou a mostrar sua verdadeira vocação. Tunai participou de vários festivais de música na região. Foi no final dos anos 1970, mais precisamente em 1977, que João Bosco o apresentou ao poeta Sérgio Natureza, com quem viria mais tarde a produzir boa parte de sua obra e seus maiores sucessos. 

Entre seus muitos parceiros está “Milton The Voice Nascimento”, como Tunai apelidou carinhosamente Bituca. Ao lado dele, fez Certas canções e Rádio experiência. O músico mineiro sempre fez questão de ressaltar a importância de Elis Regina na sua trajetória. A Pimentinha gravou três de suas composições: As aparências enganam, do disco Essa mulher (1979), Agora tá, de Saudade do Brasil (1980), e Lembre-se, gravado no show de lançamento de Essa mulher, no Palácio do Anhembi, em São Paulo (SP), em setembro de 1979, que entrou no álbum Vive (1998). “Elis gravou, em três anos, três composições minhas. E, quando eu a conheci, o Milton estava junto. Foi um começo glorioso”, declarou, em 2015, ao Estado de Minas.



Seu principal sucesso certamente é Frisson, com Sérgio Natureza (Você caiu do céu/Um anjo lindo que apareceu/Com olhos de cristal, me enfeitiçou/ Eu nunca vi nada igual), que entrou para a trilha da novela Suave veneno (1999), da Rede Globo. O compositor e maestro Wagner Tiso, de 74 anos, era um dos amigos mais próximos de Tunai e dividiu o palco com ele recentemente durante cinco anos, numa turnê em homenagem a Elis. “Ainda não me caiu a ficha. Eu almocei com ele na sexta-feira (24), na Cobal do Humaitá, aqui no Rio, que é pertinho da nossa casa. A gente se encontrava pelo menos umas três vezes por semana. A gente tinha uma amizade de muitos anos”, conta Tiso.

Segundo o maestro, por volta de 1980, Tunai bateu na porta de sua casa, no Rio, se identificou como o irmão de João Bosco e disse que também era músico. “Ele me pediu para ser o arranjador do primeiro disco dele. Topei e, desde então, nunca mais nos separamos. Tunai era uma pessoa sempre alto-astral, entusiasmado pela vida, um excelente compositor”, afirma.

No último encontro, Tunai contou casos sobre a mãe, Dona Lilá, e comentou que ela costumava dizer que o filho viveria 100 anos, por causa de seu temperamento tranquilo e afável. “Infelizmente, ele partiu antes... Mas deixou uma trajetória muito bonita. Vai fazer falta demais. 2020 já começou bem pesado”, lamenta Tiso. Ele pretende incluir canções do amigo em seus próximos shows. “A gente tem duas parcerias, uma meio inacabada. Nunca gravamos, mas quem sabe a gente não pensa nisso. Até como uma homenagem mesmo.