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Estado de Minas

VAC enfrenta a crise e terá 27 atrações, apesar do orçamento reduzido

Até fevereiro, Verão de Arte Contemporânea estará em cartaz em 16 espaços de BH. Luna Lunera, Quatroloscinco, André Mehmari, Alexandre Andrés e mostras de cinema estão na agenda


postado em 14/01/2020 04:00

Luna Lunera estreia no VAC com E ainda assim se levantar(foto: Carlos Hauck/divulgação)
Luna Lunera estreia no VAC com E ainda assim se levantar (foto: Carlos Hauck/divulgação)
“Sem deixar a peteca cair”. Com esse espírito, Ione de Medeiros, diretora artística do Verão Arte Contemporânea (VAC), anuncia a programação da 14ª edição do evento, cuja programação estará em cartaz de 15 de janeiro a 11 de fevereiro, reunindo 27 atrações em 16 espaços culturais de Belo Horizonte. Com entrada franca ou ingressos a preços populares, o VAC abrange teatro, música, dança, arquitetura, literatura, gastronomia, artes visuais, cinema e reflexão política.

O projeto abre seu 14º ano consecutivo enfrentando as dificuldades de financiamento e patrocínio que têm preocupado o setor cultural. “Quando você começa a ter um movimento de ir contra a cultura, achar que ela não é necessária, isso acaba estimulando quem faz. A gente quer criar mais e mais, não quer parar. Porém, é péssimo ser estimulado pela carência, pelo descaso. Mas não vamos desistir, muito pelo contrário”, diz Ione.

O orçamento de 2020 soma R$ 106,75 mil, viabilizados pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte – R$ 90 mil vindos do UniBH e R$ 16,75 mil do Sesc. Apesar da verba enxuta, Ione destaca novas e antigas parcerias. “É uma rede de colaboradores, não só instituições como UFMG, Funarte, teatros municipais e Sesiminas, como também artistas. Em alguns casos, um orçamento como este é o cachê de apenas um show de um grande artista ou banda famosa. Por isso, as parcerias são fundamentais”, frisa. Em 2019, o evento foi realizado com cerca de R$ 167 mil.
Ione de Medeiros e Jonnatha Fortes destacam a rede de colaboradores do VAC(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Ione de Medeiros e Jonnatha Fortes destacam a rede de colaboradores do VAC (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)

FESTA 
Devido à redução de custos, pela primeira vez o VAC fará uma festa e não um show de abertura. Amanhã (15), a Festa de Arromba vai reunir, no espaço A Central, no Centro, os DJs Roger Dee e Eduardo Sô.

“A abertura já é a marca do evento, uma forma de confraternizar e de dar unidade a ele. É para começar num clima de alegria e alto-astral, pois é aberta a todos os públicos”, destaca Ione.

Outra novidade é o intercâmbio cultural com a França por meio do projeto Portrait, em colaboração com o Centre National de La Danse (CND). Está programada mostra de filmes de coreógrafos europeus da atualidade, que liberaram direitos autorais para o VAC. Haverá retrospectiva sobre o trabalho de Jérôme Bel e será exibido documentário sobre as criações mais recentes de Maguy Marin.

“O público terá contato com trabalhos de renomados coreógrafos. Eles se destacam pelo caráter inovador e a coerência de suas obras, pautados na pesquisa da dança. Também fruto desse intercâmbio, será realizada, no Centro de Referência da Juventude (CRJ), residência artística de oito dias com bailarinos brasileiros que têm vivência artística no exterior”, explica Ione.

No cinema, um dos destaques é Perspectiva André Luiz Oliveira, que reúne seleção de trabalhos do cineasta baiano radicado em Brasília. O outro lado da memória, seu filme mais recente, será lançado no VAC. O diretor participará de bate-papo mediado pela escritora Lucia Castelo Branco. Serão exibidos também Cozinheiro do tempo, Zirig dum Brasília, Exu iluminado e O outro lado da memória.

Idealizado pelo Grupo Oficcina Multimédia, o VAC tem direção artística de Ione de Medeiros e coordenação de Jonnatha Horta Fortes.

Batalha é cotidiana 
No início de fevereiro, Palco Hip-Hop vai ocuparo Sesc Palladium (foto: Pablo Bernardo/divulgação)
No início de fevereiro, Palco Hip-Hop vai ocuparo Sesc Palladium (foto: Pablo Bernardo/divulgação)

Presente no Verão Arte Contemporânea desde 2015, o Palco Hip-Hop Danças Urbanas “é um festival dentro do festival”, afirma Pedro Valentim, o PDR, um dos curadores dessa ação. Em 1º e 2 de fevereiro, toda a estrutura do Sesc Palladium será tomada por apresentações de MCs, DJs, grupos de dança e grafiteiros, além de batalhas de dança urbana.

“Nas últimas edições do Palco, a gente vem tentando trabalhar de forma geral os elementos da cultura hip-hop, criando diálogos sobretudo com os artistas locais, mas também com os de fora da cidade e até do Brasil”, comenta PDR.

Valentim, um dos organizadores do Duelo de MCs, um dos eventos de rap mais importantes do país, também destaca a importância de apostar na cultura, mesmo em tempos conturbados como agora. De acordo com ele, a luta e a resistência sempre fizeram parte da essência do hip-hop.

“É uma batalha cotidiana, nunca foi um mar de rosas. Infelizmente, vivemos agora um momento mais difícil, principalmente com relação às políticas públicas de cultura. Por isso, mais do que nunca temos que resistir, não ficar apenas lamentando. A gente tem de se unir e se fortalecer”, defende.

ESTREIA 
O músico Heberte Almeida vai lançar no VAC o seu primeiro trabalho solo, o disco Negro amor. Ele lamenta as dificuldades do setor cultural impostas, sobretudo, pelo governo federal, mas diz que isso nunca será empecilho para os artistas.

“Quem está na área sente como se tivesse uma missão, como se estivesse numa batalha. Nunca foi fácil. Lógico que trabalhar com a situação precarizada não é ideal e atrapalha, mas a gente também sabe fazer com menos recursos. Temos de lutar para tentar melhorar esse cenário”, afirma.

O novo álbum é fruto do projeto dele dedicado ao repertório de cantores e cantoras negras. Ao longo de suas apresentações, Heberte foi encaixando músicas próprias. Quando percebeu, já contava com vasto material para um disco.

“Muitas das canções traziam a narrativa do afeto, do encontro e das vozes negras, além de várias referências minhas, como samba, soul, afoxé, axé, rap e arrocha. Foi assim que a ideia nasceu”, conta. Com 11 composições autorais, Negro amor está disponível nas plataformas digitais.

DESTAQUES

ABERTURA

>> Festa de Arromba
Quarta-feira (15), às 20h. Espaço A Central, Praça Rui Barbosa, 104, Centro. Entrada: 
R$ 10. Ingressos à venda na portaria

TEATRO
(foto: Luiza Palhares/divulgação)
(foto: Luiza Palhares/divulgação)

>> Eclipse solar
Peça do grupo Quartatela. De quinta (16) a sábado (18), às 20h; domingo (19), às 19h. Teatro Marília. Av. Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada).

>> Glauco
Peça da Pigmentar Companhia. De 23 a 26 de janeiro, no Teatro Marília. De quinta a sábado, às 20h; domingo, às 19h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

>> E ainda assim se levantar
Estreia da Cia. Luna Lunera no VAC. De 24 a 26 de janeiro, no Teatro Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. De sexta a domingo, às 20h. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

>> Tragédia
Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum. De 6 a 9 de fevereiro, na Funarte. Rua Januária, 68, Floresta. De quinta a domingo, às 19h. R$ 30 (inteira) e R4 15 (meia).

MÚSICA

>> Negro amor
Lançamento do primeiro disco de Heberte Almeida. Em 25 de janeiro, às 19h, no Teatro Francisco Nunes. Avenida Afonso Pena, 1.377, Centro. Ingressos: 
R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

>> Rã
Lançamento do disco de André Mehmari, Alexandre Andrés e Bernardo Maranhão. Em 6 de fevereiro, às 20h, no Teatro Sesiminas. Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

M.A.R.P 

A proposta do Movimento de Arte e Reflexão Política é refletir sobre inquietações relacionadas à arte e à cultura. Em 4 de fevereiro, será exibido o documentário Espero tua (re)volta, de Eliza Capai, sobre estudantes que, em 2015, ocuparam escolas no Brasil. A sessão está marcada para as 19h, no Cine Sesc Palladium, na Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro.

GASTRONOMIA
Projeto idealizado pelo chef Carlos Normando, criador do Projeto Gororoba. Jantar Secreto, na sexta-feira (17), às 19h, no Centro de Referência da Juventude. Rua Guaicurus, 50, Centro. Almoço Secreto, em 25 de janeiro, às 13h, no Centro Cultural Venda Nova. Cada evento vai receber 30 pessoas. Entrada franca. É necessário retirar o convite uma hora antes dos eventos.

LITERATURA

>> 12ª Textura – Feira de Impressões e Literatura
Em 8 de fevereiro, das 11h às 17h, nos jardins do Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro. Entrada franca

DANÇA

>> Palco Hip-Hop Danças Urbanas
Em 1º de fevereiro, às 20h, e 2 de fevereiro, às 19h, no Sesc Palladium. Ingressos: R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia).

CINEMA

>> Mostra Portrait
Parceria com o Centre National de La Danse (CND), da França. Em 3 de fevereiro, às 19h, no Teatro Marília. Filmes Les théâtres du moi (Alain Buffard), Le décalage (Fanny De Chaillé), La ribot ou La durée du geste (La Ribot), Écriture sur écriture (Noé Soulier), De l’endurance (Lisbeth Gruwez), Rythme et langage (Daniel Linehan) e La désinstallation (Miet Warlop).

>> Perspectiva André Luiz Oliveira
Em 5 e 6 de fevereiro, no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes, e de 6 a 9 de fevereiro, no Cine Sesc Palladium.


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