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Estado de Minas

Petrobras retira apoio ao Galpão e ao Corpo e não renova patrocínio em 2020

Outras empresas, no entanto, decidem elevar seu investimento no setor cultural em Minas, destinando verba a projetos, instituições e grupos


postado em 09/01/2020 04:00 / atualizado em 08/01/2020 18:36


No início de 2019, o Museu do Oratório, em Ouro Preto, quase fechou as portas. A instituição chegou a suspender as atividades durante algum tempo por falta de verbas. Até que, em maio, o Itaú Cultural resolveu aportar R$ 800 mil, garantindo a manutenção do Museu do Oratório e também do Museu de Sant’Ana, em Tiradentes, até dezembro. A virada do ano trouxe uma ótima notícia para ambos os museus, que são administrados pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez (ICFG). A Vale fechou o patrocínio máster para o Museu do Oratório, enquanto o de Sant’Ana passará a contar com recursos da Copasa.

“O ano passado foi tenebroso. A gente estava praticamente com pires na mão. O Itaú Cultural nos salvou e, apesar de o contrato ter terminado, já sinalizou que pode continuar nos apoiando em 2020. Se não fossem a Vale e a Copasa, não sei o que seria da gente. Vamos celebrar muito essas parcerias e continuar na luta”, afirma Angela Gutierrez, presidente do ICFG.

Outros projetos e instituições culturais em Minas – num total de 15 – receberão recursos da Vale nos próximos 12 meses. Segundo Flavia Constant, gerente-executiva de investimento social, cultura, pesquisa e conhecimento da mineradora, a empresa investirá no estado R$ 28 milhões, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Entre os destaques estão o aporte de R$ 4 milhões para o Instituto de Arte Contemporânea Inhotim, em Brumadinho, a manutenção do Museu de Congonhas (R$ 1,6 milhão) e do Museu do Oratório (R$ 1,1 milhão), em Ouro Preto, e o novo museu da cidade de Mariana, Casa do Conde de Assumar. A Vale também será patrocinadora máster da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais (R$ 2 milhões) e vai reformar o Teatro Atiaia (R$ 1,5 milhão), em Governador Valadares, fechado desde 2015.

Questionada se os investimentos da empresa nessas ações em Minas têm relação com o abalo de sua imagem provocado pelas tragédias de Mariana e Brumadinho, a gestora diz que a Vale sempre atuou pela valorização da cultura brasileira, há mais de duas décadas, sendo patrocinadora do Inhotim desde 2011. Ela afirma que a mineradora segue focada nas ações de reparação e prestação de assistência aos atingidos pelo rompimento da Barragem do Córrego do Feijão.

“As ações da Vale têm o objetivo de valorizar e preservar o patrimônio material e imaterial brasileiro, democratizar e ampliar o acesso dos brasileiros à arte e à cultura, fomentar manifestações culturais e artísticas das diversas regiões do país, articular políticas de interesse público a partir dos direitos culturais e valorizar a cultura dos territórios onde a Vale está presente. A Vale acredita no poder transformador da cultura e do conhecimento. A cultura é a base para o desenvolvimento humano e territorial, inclusivo e equitativo”, diz Flavia.

CONTINUIDADE 

A Cemig é outra empresa que se tem destacado no investimento em projetos e ações culturais. A companhia fechou o patrocínio máster do Grupo Galpão, passando a ocupar uma posição que era da Petrobras. A petroleira decidiu não renovar o contrato com o grupo teatral mineiro. O Galpão preferiu falar sobre o assunto com a reportagem via nota de sua assessoria de comunicação. “A Companhia Energética de Minas Gerais sempre acreditou no potencial e na importância do Galpão, contribuindo desde 2017 com o grupo e patrocinando há 18 anos o Centro Cultural Galpão Cine Horto. Este ano, o Galpão tem ainda a felicidade de contar com um novo patrocínio, o banco BV. Essas parcerias são fundamentais para a continuidade das atividades do grupo.”

Embora sempre tenha destinado verba para a área da cultura, a estatal mineira decidiu intensificar essa atuação recentemente, depois que o jornalista Marco Antônio Lage assumiu a Diretoria de Comunicação e Sustentabilidade da Cemig. Além do Galpão, a empresa se torna em 2020 patrocinadora máster da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, do Grupo Corpo, do Giramundo e do Inhotim. O contrato com a Fundação Clóvis Salgado (FCS) foi assinado no fim de 2019, quando  o Grande Teatro passou a se chamar Grande Teatro Cemig Palácio das Artes.

Segundo a empresa, os R$ 5 milhões disponibilizados têm o objetivo de viabilizar melhorias e manutenção adequadas ao teatro e oferecer maior conforto aos artistas e ao público, além de as ações da FCS serem fortalecidas e os processos de democratização do acesso à produção cultural serem ampliados.

“A cultura é um canal fundamental para que empresas estabeleçam um relacionamento com a sociedade e com o território onde estão inseridas. Oferece ainda uma oportunidade de dialogar e trazer melhorias para a comunidade e traz desenvolvimento humano, econômico, social. É certo também que cria um valor positivo para a marca da empresa”, afirma Lage.

O orçamento total da Cemig para o setor este ano é de R$ 25 milhões. Parte desse dinheiro também será investida nos acervos dos equipamentos públicos culturais do estado, como museus e igrejas. “Outro pilar importante é trabalhar com editais, contemplando projetos do interior de Minas nas áreas de artes plásticas, teatro e música”, diz o diretor de Comunicação e Sustentabilidade.

LEIS 

Outra empresa que vem apostando há algum tempo na cultura é a ArcelorMittal. De acordo com Adriana do Carmo, gerente de projetos sociais incentivados da Fundação ArcelorMittal, o conglomerado multinacional incentiva, anualmente, mais de 30 iniciativas na área cultural, que, juntas, somam quase R$ 10 milhões em recursos viabilizados por meio das leis estaduais de Minas e de São Paulo e a Lei Federal de Incentivo à Cultura. Segundo ela, essas ações beneficiam mais de 200 mil pessoas por ano.

“Os projetos viabilizam a programação cultural de mais de 40 comunidades, localizadas em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio e Espírito Santo. Em algumas dessas comunidades, a programação ofertada pela ArcelorMittal é a única opção cultural, como é o caso das comunidades mineiras de Buriti Grande (distrito de Martinho Campos que conta com menos de mil habitantes) e de Santo Antônio do Mercadinho (distrito de Carbonita com menos de 500 habitantes)”, comenta.

A executiva destaca que os projetos culturais têm como premissa democratizar o acesso aos bens e produtos culturais produzidos, por meio da oferta regular de programação teatral e para a formação de público. “Por entender e considerar que as mais variadas formas de saberes e fazeres culturais estão nessas comunidades, a empresa respeita a existência das múltiplas culturas e apoia iniciativas que visam promover o resgate e o desenvolvimento da cultura local das comunidades onde está presente, buscando estar sempre em consonância com as políticas públicas culturais existentes”, diz.

Adriana do Carmo cita como exemplos desse investimento o programa Diversão em Cena, que oferece apresentações culturais gratuitas ou a preços populares, e também o ArcelorMittal Forma e Transforma, iniciativa que dá suporte às ações de valorização da cultura local e está em sua terceira edição. Para 2020, a empresa vai ampliar a programação do Diversão em Cena para 39 comunidades em quatro estados, ofertando mais de 400 espetáculos. Já o ArcelorMittal Forma e Transforma atenderá neste ano a 18 comunidades urbanas e rurais, dando suporte às ações de desenvolvimento local e à incubação de projetos artísticos e criativos.

Nos últimos anos, a Arcelor realizou ações com grupos mineiros, como o Galpão, a ONG Favela É Isso Aí e o Instituto Hahaha. Desde março de 2019, a empresa firmou parceria com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, na realização dos concertos das séries Presto e Veloce. Além disso, a iniciativa permitiu o intercâmbio entre músicos profissionais da orquestra mineira e de alunos do projeto Acordes, que promove o ensino de música erudita em escolas públicas de Juiz de Fora e João Monlevade, em Minas, e de Feira de Santana, na Bahia.

“Os alunos do Acordes tiveram a oportunidade de participar de ações promovidas pela Filarmônica, nas quais os músicos contaram um pouco de suas trajetórias, a importância da disciplina e da metodologia de estudo da música e repassaram dicas aos novos talentos do projeto. Acreditamos que, com essa parceria, estamos contribuindo com a democratização da música erudita.”

PERDAS 

Se, por um lado, há empresas que seguem investindo na cultura em Minas, por outro, há quem faça o contrário. A Petrobras deixa de patrocinar em 2020 dois dos mais importantes atores da cultura de Minas, ambos com projeção nacional – os grupos Galpão e Corpo. A Petrobras afirmou à reportagem, por meio de nota, que os dois grupos desenvolvem projetos de alta qualidade e que a empresa se orgulha de tê-los patrocinado nos últimos anos. “Contudo, em função de revisão do portfólio de patrocínios – para maior alinhamento à Iniciativa Petrobras pela Primeira Infância – não há previsão, no momento, de novo contrato com essas instituições”, diz o texto.

Também em nota, o Grupo Galpão salientou a importância da parceria com a Petrobras durante 20 dos 37 anos de existência da companhia teatral, afirmando que ela “foi imprescindível para a manutenção e crescimento do grupo, possibilitando ainda o aprofundamento na pesquisa artística e o fomento a atividades formativas, ações essenciais para o trabalho do grupo, que é hoje um dos mais importantes no cenário teatral brasileiro”. A reportagem tentou contato com o Grupo Corpo para comentar o assunto, mas não obteve resposta.


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