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Festival Musimagem destaca a importância do criador de trilhas sonoras

O brasileiro Edino Krieger e o americano Christopher Young, que ganhou o Globo de Ouro, serão homenageados em Belo Horizonte


postado em 20/11/2019 04:00

Edino Krieger, de 91 anos, é um dos principais compositores do Brasil (foto: Carol Pires/divulgação)
Edino Krieger, de 91 anos, é um dos principais compositores do Brasil (foto: Carol Pires/divulgação)

O audiovisual é o principal mercado de trabalho para a música. A garantia é do compositor e produtor Tim Rescala, curador do festival que começa na quinta-feira (21), em BH, considerado o principal evento do país voltado para a relação imagem/trilha sonora.

Até domingo (24), a programação inteiramente gratuita do Festival Musimagem estará em cartaz no CCBB, na Praça da Liberdade. O evento é promovido pela Musimagem Brasil, associação que reúne compositores do setor audiovisual. Criada em 2008, ela defende a valorização desses profissionais.

“O mercado da música no audiovisual está em franca ascensão, ainda mais com toda essa onda de streaming e de produções para a internet. Ele não sofreu um abalo, como a indústria fonográfica. Nossa associação existe para divulgar o trabalho dos compositores. Por incrível que pareça, eles são muito ouvidos, mas pouco conhecidos. É raro alguém conhecer a cara de um John Williams ou de um Ennio Morricone. Mas quando as pessoas escutam suas composições, identificam de imediato”, observa Tim. Williams criou a trilha de Star wars e ET, entre outros blockbusters. Morricone é autor da música de Cinema Paradiso e levou o Oscar por seu trabalho no filme Oito odiados.

Durante quatro dias, a programação oferecerá palestras com convidados brasileiros e estrangeiros, oficinas para crianças e jovens, workshops, mesas-redondas e concertos especiais. Idealizado pelo compositor e produtor Marcos Souza, filho do músico Chico Mário (1948-1988), o evento investe também na formação, capacitação e valorização de profissionais.

“Este ano, o Musimagem está mais interativo, tendência cada vez maior em museus e outras instituições para estimular a participação dos frequentadores”, informa Tim Rescala. Um dos destaques será a instalação multimídia Tocando no Cine Odeon-RJ, montada no hall do Teatro 1 do CCBB. Trata-se de uma homenagem ao Cine Odeon, Centro do Rio de Janeiro, onde o compositor Ernesto Nazareth (1863-1934) tocava enquanto o público aguardava o início dos filmes.

“Um ator, que interpreta o Ernesto, vai convidar a plateia a criar, ali na hora, sua própria música de cinema. Um piano especial estará lá. Cada tecla traz trecho de uma trilha conhecida. O telão vai exibir imagens e cabe ao visitante definir a melodia que combina melhor com elas”, explica. Por outro lado, oficinas estimularão jovens, adultos e crianças a compor.

(foto: Musimagem/divulgação )
(foto: Musimagem/divulgação )

''O mercado da música no audiovisual está em franca ascensão, ainda mais com toda essa onda de streaming''

Tim Rescala, compositor


HOMENAGENS 

Todas as edições do Festival Musimagem prestam tributo a dois compositores – um brasileiro e outro estrangeiro. Desta vez, as homenagens vão para o catarinense Edino Krieger e o norte-americano Christopher Young, vencedor do Globo de Ouro e indicado duas vezes ao Emmy. Ambos receberão o Troféu Remo Usai de Música Para Imagem, que será entregue sábado (23). Na cerimônia, Beto Villares, Alexandre Guerra, Marcelo Guima, Tim Rescala, Monique Aragão, Alberto Rosenblit e Sergio Canedo, da Associação Musimagem Brasil, interpretarão famosas trilhas de cinema.

Edino Krieger, de 91 anos, compôs várias obras para orquestras sinfônica e de câmara, oratórios, peças para coro, vozes e instrumentos solistas, além de partituras incidentais para teatro e cinema. Ele criou as trilhas dos filmes Meu pé de laranja-lima, Aleijadinho e Os Trapalhões. Idealizou a Bienal de Música Brasileira Contemporânea, realizada desde 1975, no Rio de Janeiro.

“Ele é o compositor brasileiro vivo de maior importância que temos hoje. E continua na ativa, produzindo. Uma figura premiada como Edino Krieger, com essa trajetória exemplar, merece sempre ser reverenciada”, salienta Tim Rescala.

SONHO 

Autor das trilhas de Homem-Aranha 3 e Doce novembro, Christopher Young diz que nem em seus sonhos “mais loucos” imaginaria receber homenagem no Brasil. “Dizer que estou honrado não faz justiça a tudo isso. É um milagre, sou o ser humano absolutamente mais sortudo do mundo”, diz o compositor americano, que virá ao país pela primeira vez. “Mal posso esperar para chegar ao Brasil. Acredite em mim: saí e comprei livros para me encher de fotos e informações sobre seu maravilhoso país”, ressalta, em entrevista por e-mail.

Young, de 62 anos, adora bossa nova. Diz que sua música incorporou ritmos, instrumentos, harmonias e melodias brasileiras. Admirador de Antônio Carlos Jobim, não se esquece do presente de Natal que ganhou quando era bem jovem: um álbum de Tom. Conta que se emociona com O trenzinho do caipira, de Heitor Villa-Lobos.

“Tive a oportunidade de ouvir partituras de César Guerra-Peixe, Marcelo Zarvos e André Abujamra. Sou grande fã”, afirma, elogiando o talento dos brasileiros de “levar (o ouvinte) a lugares como nenhum compositor americano jamais pensaria fazer.”

Young dará palestra e fará workshop sobre seu processo de criação. Para ele, o maior desafio do autor de trilhas é compor intensamente em um período muito curto. “Somos obrigados a fabricar mais música por ano, se compararmos a outros projetos individuais”, explica.

O ofício do autor de trilhas traz muitos desafios. “No começo do trabalho, fico preocupado com todos os filmes, pois não tenho ideia do que vou fazer. Isso é aterrorizante. De muitas maneiras, todos os projetos compartilham esta mesma característica: a ansiedade. Porém, tenho de fazer o melhor, e precisa ficar ótimo. Dito isso, a partitura mais complicada de produzir foi a primeira, pois nunca havia feito antes. Fiquei aterrorizado com o fato de que se não tivesse sucesso, jamais seria solicitado a desenvolver novos trabalhos”, revela Young, que mora em Los Angeles.

MUSIMAGEM 2019
De quinta-feira (21) a domingo (24), no CCBB – Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. Entrada franca. Informações: www.festival.musimagembrasil.com

O americano Christopher Young é fã de bossa nova(foto: Musimagem/divulgação)
O americano Christopher Young é fã de bossa nova (foto: Musimagem/divulgação)

DESTAQUES 

QUINTA (21)
17h30 – Instalação Tocando no Cine Odeon-RJ
19h30 – Concerto da Orquestra Ouro Preto. Regência: Tim Rescala

SEXTA (22)
14h – Oficina: Faça sua trilha sonora ao vivo, para jovens. Com Mauricio Maas, do grupo Barbatuques
17h – Debate: O mercado internacional para compositores de trilhas sonoras: a música do cinema em Hollywood e na Europa
19h30 – Palestra do compositor norte-americano Christopher Young

SÁBADO (23)
10h – Workshop com Christopher Young
16h – Debate: Trilha sonora, projetos sociais e o mercado de Minas Gerais
18h – Academia Orquestra Ouro Preto interpreta trilhas clássicas do cinema
19h30 – Concerto e entrega do Prêmio Remo Usai a Edino Krieger e Christopher Young

DOMINGO (24)
10h – Oficina aberta: Monte a música de uma cena
11h – Mostra de cinema infantil Musimagem
19h30 – Palestra: As famosas trilhas de John Williams – Star wars e Harry Potter






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