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Mariana recebe 143 especialistas em falar a verdade sem ofender

Edição 2019 do Circovolante - 11º Encontro Internacional de Palhaços terá apresentações no Centro e na periferia da cidade histórica e homenageia a palhaça argentina Jasmin. Evento vai desta quinta (26) a domingo, com atividades gratuitas


postado em 26/09/2019 04:00 / atualizado em 25/09/2019 18:40

O palhaço Biribinha e sua trupe são um dos representantes de São Paulo que participam do encontro (foto: Nathalia Torres/Divulgação)
O palhaço Biribinha e sua trupe são um dos representantes de São Paulo que participam do encontro (foto: Nathalia Torres/Divulgação)
Mais de 40 trupes do Brasil e do exterior abrem nesta quinta-feira (26) o Circovolante – 11º Encontro Internacional de Palhaços, que ganha ruas e palcos de Mariana até domingo (29).
 
São quatro dias de intensa programação, entre espetáculos gratuitos, exposição e lançamentos de livros e filmes com o mote circense. Além de praças e do Centro Histórico da cidade, a agenda contempla bairros e distritos periféricos, descentralizando o encontro, que neste 2019 está maior do que nas edições anteriores.  
  
"O palhaço é o ser mais puro que existe. É verdadeiro, sensível, direto, cirúrgico. Está presente na história desde a época de reis e imperadores. Fala o que pensa de uma forma lúdica, fala a verdade sem fazer doer. Representa um eu escondido, com problemas e sofrimentos. Afinal, somos iguais na diversidade, e o palhaço nivela tudo isso. No fundo, todos têm suas mazelas e suas feiuras", diz Xisto Siman, o palhaço Xinxin, integrante e coordenador do Circovolante, ao lado de João Pinheiro, o palhaço Juaneto. 
 

''O palhaço é o ser mais puro que existe. É verdadeiro, sensível, direto, cirúrgico. Fala o que pensa de uma forma lúdica, fala a verdade sem fazer doer. Representa um eu escondido, com problemas e sofrimentos. Afinal, somos iguais na diversidade, e o palhaço nivela tudo isso''

Xisto Siman, o palhaço Xinxin, coordenador do Circovolante

 
Além dos grupos em cena nas estruturas montadas nas praças da Sé, Gomes Freire e dos Ferroviários (esta última sedia a abertura do evento) e das performances no Teatro de Mariana, rodas de palhaços se espalham pelos caminhos barrocos, alcançando um número maior de espectadores. Nos bairros, Centro Histórico e distritos ao redor, são 44 apresentações em 25 escolas públicas. 

No total, o Circovolante reúne 143 palhaços convidados. Neste ano o festival presta reverência a Jasmin, palhaça que ganha vida com a incorporação da argentina Lily Curcio, também com formação em antropologia, que estuda a clowneria clássica há 24 anos. Ela será homenageada em um grande cortejo, quando cerca de 500 pessoas vestirão a maquiagem de Jasmin. 

A artista tem passagem pela escola do italiano Circo Ercolino, time da família Colombaioni, que há muito reúne mestres da palhaçaria. "Cada um tem um palhaço interno. A Jasmin é a descoberta de uma parte minha. Descobri a Jasmin que estava escondida e queria sair há muito tempo", diz Lily, que interpreta a personagem há quase 25 anos. 
 
Palhaços Xinxin e Juaneto, de Xisto Siman e João Pinheiro, idealizadores e organizadores do festival (foto: Samuel Consentino/Divulgação)
Palhaços Xinxin e Juaneto, de Xisto Siman e João Pinheiro, idealizadores e organizadores do festival (foto: Samuel Consentino/Divulgação)
Lily conta que sua palhaça não tem sexo, idade ou gênero; brinca de ser e pode ser qualquer coisa. "Ser palhaço é brincar com todas as possibilidades que o ser humano tem. Trabalha com a verdade, sem medo de mostrar o ridículo, tem uma linguagem tão direta que não precisa da razão. Pode ser um palhaço provocador ou que faz cócegas no coração, que fala coisas simples ou profundas. É uma porção autêntica do indivíduo e cada um encontra uma lógica própria. Quando o público assiste a um palhaço que tem o coração aberto, imediatamente a alquimia se estabelece. É sua poética", diz a argentina. 

Lily apresenta em Mariana o espetáculo Pedaços de mim, em que narra sua história como mulher, artista e palhaça. "Misturo os pedacinhos de todos os meus espetáculos. O público presencia como é o processo criativo do artista. Está aí a Lily bonequeira, palhaça, mulher e mãe. Sou a primeira mulher homenageada pelo Circovolante. É um reconhecimento sobre a figura feminina, a palhaça mulher, que tem crescido no Brasil e no mundo. Começa a surgir uma dramaturgia circense, cômica, feita pelas mulheres", comemora.
 

''(O palhaço) Trabalha com a verdade, sem medo de mostrar o ridículo, tem uma linguagem tão direta que não precisa da razão. Pode ser um palhaço provocador ou que faz cócegas no coração, que fala coisas simples ou profundas. Quando o público assiste a um palhaço que tem o coração aberto, imediatamente a alquimia se estabelece. É sua poética''

Lily Curcio, a palhaça Jasmin, homenageada desta edição

 
 
Uma das atrações será a manhã de autógrafos do livro Noites circenses, de Regina Horta Duarte, além do lançamento da publicação Palhaços: performance, hibridismo e multiplicidade, obra de Lili Castro. A história do Circovolante será contada com a exibição do curta documental Década de encontros e com a exposição fotográfica 10 anos de encontro. 

De Minas Gerais, além do próprio conjunto do Circovolante, participam Circo de Família, Grupo Trampulim, Luciene Luba, palhaço Viralata, palhaço Vinagre, palhaça Purpurina, palhaça Jojoba, palhaços Furreca e Lambreta, Sociedade do Riso e Trupe Balão Mágico

Do Rio de Janeiro, comparecem Adorável Companhia, Cia Pé de Chinelo, Circo Dux, Grupo Teatro de Anônimo e Guga Morales. De São Paulo virão o Barracão Teatro, Cia La Mínima, Circo Caramba, Grupo Palombar, Grupo Seres de Luz, Irmãs Cola, Lucca Show e Reinaldo Facchini.

De Alagoas estará presente a Turma do Biribinha e, entre os representantes internacionais, Atawallpa Coello (Peru), Daniel Satim (Colômbia), François Bouille (França) e Romina Krause (Argentina).

Veterana no Circovolante, a Cia. La Mínima teve sua primeira formação, no fim da década de 1980, com a união entre os atores Fernando Sampaio, o palhaço Padoca, e Domingos Montagner, o palhaço Agenor, falecido em 2016. Atualmente, a La Mínima é integrada por Marcelo Castro, o palhaço Ministro, Fernando Paz, o palhaço Montanha, e Filipe Bregantim, o palhaço Mendonça, além de Fernando Sampaio. 

Em Minas, a companhia apresenta o espetáculo Reprise, da linhagem da palhaçaria clássica, dos palhaços de circo e picadeiro. A Cia La Mínima montou em seus 22 anos 16 espetáculos, sendo que nove deles estão no repertório. 

"O palhaço é a linguagem-chefe. Algumas criações são próprias; outras são adaptações. Alternamos em apresentações em salas, na rua, mais ou menos ingênuos, com a linguagem mais bufônica ou não. Estamos em Mariana com muito prazer. É um dos festivais mais importantes do Brasil", afirma Fernando Sampaio. 

O Circovolante é um a iniciativa da dupla Xisto Siman e João Pinheiro, sediada em Passagem de Mariana, distrito de Mariana, e que atua em todo o país apresentando performances como Xinxin e Juaneto Circo Show, Samba no pé de moleque, Sem refresco e Clavestrovas & rock and roll, além do projeto Noites circenses, lançado em 2018.

CIRCOVOLANTE – 11º ENCONTRO INTERNACIONAL DE PALHAÇOS

De quinta (26) a domingo (29), na Praça dos Ferroviários, Praça Gomes Freire, Praça da Sé, Praça Minas Gerais e Rua Frei Durão (em frente à Casa de Cultura), em Mariana. Toda a programação é gratuita. Mais informações e a programação completa estão disponíveis em circovolante.com.br.








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