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Estado de Minas

'The handmaid's tale' volta com mais dilemas do que violência

June (Elisabeth Moss) tem um novo 'proprietário' pouco interessado em sexo para procriar na terceira temporada da série, que estreia no domingo


postado em 16/08/2019 04:00 / atualizado em 15/08/2019 18:38

June (Elisabeth Moss) tem um novo 'proprietário' pouco interessado em sexo para procriar na terceira temporada da série, que estreia no domingo(foto: PARAMOUNT CHANNEL/DIVULGAÇÃO)
June (Elisabeth Moss) tem um novo 'proprietário' pouco interessado em sexo para procriar na terceira temporada da série, que estreia no domingo (foto: PARAMOUNT CHANNEL/DIVULGAÇÃO)


O que mais pode acontecer, o quanto June ainda poderá sofrer e quando virá sua vingança? São essas as perguntas que nos ocorrem a cada novo episódio de The handmaid's tale – O conto da aia. Série inspirada no livro homônimo publicado em 1985 pela escritora canadense Margaret Atwood, a produção, sem dúvida uma das mais bem-acabadas séries desta década, virou do avesso o meio do entretenimento desde que foi lançada, em 2017. A terceira temporada estreia neste domingo (18), no Paramount Channel.

Para quem está chegando agora: o livro é de 1985, mas a história, narrativa distópica que aposta em um mundo (Gilead, na verdade uma parte dos EUA) vivendo sob o jugo de uma ditadura teocrática, dialoga com os tempos sombrios da atualidade. As mulheres perderam seus direitos e cada uma tem uma função definida. June (Elisabeth Moss), a heroína, é uma aia. Foi separada do marido e da filha e virou concubina de uma família poderosa. Como ainda está em idade reprodutiva, é abusada mensalmente pelo seu “dono” para que possa engravidar. Tem um novo bebê.

Mesmo passando pelo diabo, June consegue resistir. O terceiro ano começa justamente onde terminou o anterior. June desiste de fugir para o Canadá e resolve ficar em Gilead para tentar salvar a filha mais velha, adotada por um casal. Em uma fuga desatinada, a aia Emily (Alexis Bledel) consegue chegar à fronteira canadense com o bebê de June embaixo do braço. No início desta temporada, que conta com 13 episódios, vemos essas mulheres tentando se adaptar às mudanças.

PROPRIETÁRIO O casal Waterford, “os antigos donos de June”, passa ao segundo plano. A aia agora tem um novo proprietário. Joseph (Bradley Whitford) é também do alto escalão de Gilead. Só que ele, que a ajudou a tentar fugir, não parece, pelo menos nos episódios iniciais, interessado em fazer sexo com ela para procriar. A dubiedade do personagem – até onde ele vai fazer vistas grossas para os movimentos de resistência ao regime dentro de sua própria casa? – é um dos destaques do começo desta temporada.

June, agora fortalecida por tudo por que passou, se une a um grupo de Marthas (as mulheres que se tornam serviçais das residências ricas) e passa a ser uma figura de liderança. Já no Canadá, acompanhamos a vida de Emily após o trauma vivido. Como ela vai lidar com a liberdade alcançada? E Luke (O-T Fagbenle), o marido de June, agora segurando o bebê que ela teve com outro, como lidará com a culpa de viver com alguma tranquilidade no país vizinho, enquanto mulher e filha continuam presas em Gilead?

São essas questões que aparecem desenhadas no início do novo ano. Entre as novidades do elenco estão Christopher Meloni e Elizabeth Reaser, como George e Olivia Winslow, mais um casal sombrio no topo da cadeia de poder de Gilead.

The handmaid's tale já foi criticada pelo excesso de violência. A questão é que a série, produzida nos EUA pela plataforma de streaming Hulu, fez um sucesso muito além do previsto e acabou estendida. Para além da história bem- amarrada que suscitou debates mundo afora, a produção tem um elenco e um esmero visual (cada enquadramento é único, nada é comum na série) que vão muito além do que se vê na produção televisiva atual.

O conto da aia, o livro, virou um best-seller tardio, sendo mais conhecido agora do que na época de sua edição original. Isso fez com que Margaret Atwood, coprodutora da série, se aventurasse a publicar uma continuação do livro. Com lançamento previsto para 10 de setembro no mercado de língua inglesa, The testaments (Os testamentos) vai se passar 15 anos após a cena final do primeiro livro (que termina de forma bem diferente da série) e será narrado por três personagens femininas.

A série, cuja terceira temporada terminou nesta semana nos EUA, terá em 2020 um quarto ano. Violência contra a mulher, perda de direitos civis e ascensão do fundamentalismo religioso ao poder ainda estão na pauta. Tanto na ficção quanto, infelizmente, no mundo real.

THE HANDMAID'S TALE – O CONTO DA AIA
• A terceira temporada estreia domingo (18), às 20h, no Paramount Channel. Novos episódios a cada domingo, no mesmo horário.





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