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Estado de Minas CINEMA

Três aspirantes em busca de um roteiro


postado em 07/08/2019 04:00 / atualizado em 06/08/2019 20:57

Em Noite mágica, um dos títulos da 8½ Festa do Cinema Italiano, três jovens inexperientes tentam a sorte no cinema, nos anos 1990(foto: IMOVISION/DIVULGAÇÃO)
Em Noite mágica, um dos títulos da 8½ Festa do Cinema Italiano, três jovens inexperientes tentam a sorte no cinema, nos anos 1990 (foto: IMOVISION/DIVULGAÇÃO)

Em 3 de julho de 1990, a Itália, jogando em casa, preparava-se para um grande noite. Só que, nas semifinais da Copa do Mundo, os anfitriões perderam para a Argentina de Caniggia e Maradona. Toda a  Roma estava mesmerizada em frente da TV por causa da fatídica partida em Nápoles. Tanto é assim que ninguém viu quando um carro caiu no Rio Tibre. Lá dentro, é encontrado o corpo do produtor de cinema Leandro Saponaro (Giancarlo Giannini). Em meio à ressaca que toma conta da capital italiana, a polícia vai atrás dos três suspeitos.

É desta maneira que tem início Noite mágica, filme de Paolo Virzì (Ella e John, Capital humano). O longa-metragem é um dos destaques da quinta edição da 8½ Festa do Cinema Italiano, que começa nesta quinta (8), em várias capitais brasileiras. Em BH, as sessões irão até a próxima quarta-feira (14), no Cine Belas Artes. O programa reúne uma série de filmes inéditos no país, caso de Silvio e os outros, de Paolo Sorrentino, sobre o ex-premiê Silvio Berlusconi, e Euforia, dirigido pela atriz Valeria Golino. A mostra ainda vai relançar, com cópia restaurada, A melhor juventude (2003), épico com seis horas de duração (será exibido em duas partes), de Marco Tullio Giordana.

O futebol é apenas um detalhe no filme de Virzì. É o cinema o grande personagem desta comédia satírica. Com duas sessões na mostra – nesta sexta (9), às 21h, e na próxima terça (13), às 16h20 – e previsto para chegar ao circuito comercial em 15 de agosto, Noite mágica homenageia o último grande momento do cinema italiano.

Naquele verão de 1990, três jovens se encontram em Roma. Aspirantes a roteiristas, Antonino Scordia (Mauro Lamantia), um siciliano caxias e um tanto chato, Eugenia Malaspina (Irene Vetere), uma romana hipocondríaca e neurótica, e Luciano Ambrogi (Giovanni Toscano), um toscanês metido a Don Juan, são os finalistas de um importante prêmio. Decidem tentar a carreira no cinema – e se aventuram com veteranos do meio, entre cineastas decadentes, produtores picaretas e velhos roteiristas sem mais nenhuma história para contar. A morte de Saponaro coloca o trio no olho da polícia.

MEMÓRIAS “Fiz este filme para reconectar as minhas memórias daquela época. Tentei construir algo que ficasse entre o humor negro e o amadurecimento”, diz Virzì. Todos os grandes nomes são citados no filme – Monicelli, Scola, Antonioni. Há uma cena, inclusive, que reproduz Fellini no set de seu último longa, A voz da lua (1990). Para entrelaçar tantas histórias, Virzì trabalhou com alguns roteiristas “tentando buscar lembranças pessoais de cada um”. “Criamos uma grande farsa, mas com coisas que realmente aconteceram”, afirma o cineasta.

Filmando com longos planos e colocando Roma e seus lugares históricos sempre em destaque, Virzì acompanha a jornada frenética de seus protagonistas (os três com pouca ou nenhuma experiência em cinema) “duelando” com grandes nomes da sétima arte. Ornella Muti faz uma pequena participação como uma veterana atriz que desperta a paixão de Luciano.

Já Giancarlo Giannini tem bons momentos como o produtor que quer levar a melhor em cima de um jovem inexperiente. “Quando o convidei para o filme, falei: 'Você tem que fazer este papel, pois é o único dos gigantes que está vivo. E foi muito bom, pois ele fez um retrato efetivo de um velho produtor. E posso dizer que as pessoas reais foram até mais exageradas do que os meus personagens”, comenta Virzì.

8½ FESTA DO CINEMA ITALIANO
Em BH, a mostra será desta quinta (8) até quarta-feira (14), no Cine Belas Artes. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Confira a programação em www.festadocinemaitaliano.com.br. 

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