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Estado de Minas

Teatro da Vertigem perde patrocínio


postado em 04/08/2019 04:09

Lucienne Guedes em cena de Enquanto ela dormia, mais recente espetáculo do Teatro da Vertigem, com direção de Eliana Monteiro(foto: Mayra Azzi/Divulgação)
Lucienne Guedes em cena de Enquanto ela dormia, mais recente espetáculo do Teatro da Vertigem, com direção de Eliana Monteiro (foto: Mayra Azzi/Divulgação)
O Teatro da Vertigem completou 25 anos em 2018. Houve motivos para comemorar, afinal, é uma das mais importantes companhias teatrais de pesquisa do país, que fez história com a chamada Trilogia Bíblica (os espetáculos O paraíso perdido, 1992; O livro de Jó, de 1995; Apocalipse 1,11, de 2000). Para marcar a efeméride, a editora Cobogó lançou uma caprichada publicação, que reuniu artigos de críticos, dramaturgos e pesquisadores sobre os modos e meios de criação do grupo.

Mas a comemoração não foi longe. Também em 2018, o Teatro da Vertigem teve o patrocínio da Petrobras cortado. Atualmente o grupo não conta com patrocínio algum. “A condição do Brasil é precária, pois está havendo uma regressão total”, afirma Araújo. O grupo vem se mantendo porque os integrantes estão colocando “dinheiro do próprio bolso” para pagar o aluguel da sede, no bairro de Bela Vista, em São Paulo. “Como todo mundo (do grupo) tem outros trabalhos, estamos conseguindo bancar a manutenção da sede”, diz ele.

O apoio governamental veio por meio de um edital recente da Prefeitura de São Paulo, que vai custear a circulação do espetáculo mais recente do Teatro da Vertigem. Lançado em 2017, Enquanto ela dormia, com dramaturgia de Carol Pitzer, marca a primeira direção solo de Eliana Monteiro. Em cena, a atriz Lucienne Guedes interpreta Dora, uma professora de literatura que, ao presenciar uma cena de abuso em um ônibus, revive difíceis memórias de sua própria infância. Entre setembro e novembro, a montagem será apresentada na sede do grupo. No início do próximo ano, o Vertigem leva a peça para outros espaços culturais de São Paulo.

Araújo se afastou do grupo há três anos, por razões familiares. Seu retorno está ocorrendo agora. “Estou com vontade de voltar a dirigir, de voltar a fazer um trabalho artístico. Neste momento, estou conversando com o grupo sobre o próximo projeto”, conta ele. O projeto será lançado no exterior em junho de 2020. Mais do que isto Araújo não fala. “O convite foi feito a nós, mas há o compromisso de o anúncio vir deles primeiro. Vou dirigir o próximo, e a ideia é depois trazê-lo para o Brasil na sequência.”

A MITbr EM NÚMEROS*
447
propostas recebidas

34
trabalhos apresentados

68
curadores internacionais

17
curadores nacionais

5 mil
pessoas assistiram às montagens

* Edições de 2018 e 2019, segundo os organizadores da mostra
 
MITBR – PLATAFORMA BRASIL
Artistas e grupos devem se inscrever no site mitsp.org. O resultado será anunciado em 14 de novembro. 

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