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Estado de Minas

Síndrome do ninho vazio inspira o filme francês 'Meu bebê'

Dirigido por Lisa Azuelos, filme se inspira na experiência da própria cineasta, cuja filha se mudou para o Canadá. A garota é interpretada por Thais Alessandrin, a caçula dela


postado em 04/08/2019 04:09

Thais Alessandrin e Sandrine Kiberlain interpretam mãe e filha às vésperas da separação(foto: Pathé/divulgação )
Thais Alessandrin e Sandrine Kiberlain interpretam mãe e filha às vésperas da separação (foto: Pathé/divulgação )

A diretora e roteirista francesa Lisa Azuelos, de 53 anos, leva a máxima “seja universal falando de sua aldeia” quase como um mantra. Todos os seus seis longas-metragens têm passagens autobiográficas. Em sua estreia na direção – na comédia obscura Ainsi soient-elles (1995) –, deu à mãe, a atriz Marie Laforêt, o papel da mãe da personagem que tinha muito a ver com a própria Lisa. Em seu novo longa, Meu bebê, em cartaz no Cine Belas Artes, a diretora foi bem além. Conta a sua história e a da filha mais nova, Thais Alessandrin. A própria caçula interpreta a personagem.

Meu bebê acompanha Héloise (Sandrine Kiberlain), separada e mãe de três filhos. Os dois mais velhos já saíram de casa. Jade (Thais Alessandrin) está descobrindo o amor, o sexo, as drogas. Só que a garota deixará Paris rumo ao Canadá, onde vai estudar. Essa mudança traz uma série de reflexões de Héloise sobre sua relação com os filhos.

A comédia dramática foi lançada em junho no Festival Varilux de Cinema, quando mãe e filha vieram ao Brasil para apresentar o longa. “Faço filmes para o público. Com eles, tento mostrar para as pessoas que elas não estão sozinhas, que não devem se sentir culpadas por nada, que o que sentem é normal. É uma forma de dividir minha humanidade”, comenta Lisa.

A síndrome do ninho vazio que acomete a personagem de Meu bebê havia sido vivenciada pela própria diretora. Se na ficção Jade ainda vai para o Canadá, na vida real sua intérprete, Thais Alessandrin, já vive naquele país – aos 20 anos, ela estuda filosofia em Montreal. Tanto por isso, teve de voltar para a França para rodar o longa.

“É o terceiro filme que faço da minha mãe (os anteriores são Rindo à toa, de 2008, e Um reencontro, de 2014). Mas esse é o primeiro em que trabalhei num papel grande. Falar sobre minha vida foi um tanto difícil, pois você está ali assumindo tudo, expondo sua intimidade para o mundo. Minha mãe me deu muita força, pois me senti intimidada com o papel”, conta Thais. O pai dela é o cineasta Patrick Alessandri, ex-assistente de Luc Besson.

GODARD Já com a devida confiança para assumir o papel, Thais deu seus pitacos no roteiro. A descoberta recente da Nouvelle Vague lhe rendeu a paixão pelos filmes de Jean-Luc Godard. Tanto que a própria atriz sugeriu que a mãe recriasse a cena icônica de Brigitte Bardot em O desprezo (1963).

A intenção de que a história fosse próxima da vida real influenciou a escolha da protagonista. Sandrine Kiberlain, durante as filmagens, também estava com uma filha saindo de casa.

Agora que os três filhos se foram, Lisa afirma que o tema se esgotou. “Minha intenção é fazer histórias que não tenham nada de mim”, diz. No início desta década, ela foi para Los Angeles, onde dirigiu Miley Cyrus e Demi Moore em Lola, versão estadunidense para Rindo à toa. O longa não teve boa repercussão, mas, mesmo assim, Lisa vai voltar para Los Angeles. “Gostei muito de lá. Como não tenho mais filhos em casa, posso ir sem problemas. Sempre sigo meus sonhos”, finaliza.

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