Publicidade

Estado de Minas

Rutger Hauer morre aos 75

Intérprete do inesquecível vilão Roy Batty em Blade Runner morreu em casa, na sexta, após um %u201Cbreve período doente%u201D, e foi sepultado ontem, segundo informou seu agente


postado em 25/07/2019 04:09

Rutger Hauer no papel do antagonista de Harrison Ford no filme de Ridley Scott, de 1982, que foi um fracasso de bilheteria e mais tarde se tornou cult (foto: Warner Bros./Divulgação )
Rutger Hauer no papel do antagonista de Harrison Ford no filme de Ridley Scott, de 1982, que foi um fracasso de bilheteria e mais tarde se tornou cult (foto: Warner Bros./Divulgação )

“Eu vi coisas que vocês não imaginariam... Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer.” O ator holandês Rutger Hauer não precisaria ter feito mais nada depois dessa fala do replicante Roy Batty, na última cena de Blade Runner: O caçador de androides (1982). Com o curto discurso, que o próprio Hauer escreveu, interpretado com uma humanidade que ia muito além da artificialidade dos homens-máquina do filme de Ridley Scott, ele cravou seu lugar na história do cinema.

Assim como Batty, Hauer saiu de cena discretamente. Sua morte, aos 75 anos, ocorreu na sexta-feira (19) em sua casa, na Holanda, “após breve doença”, segundo a revista Variety. O agente do ator, Steve Kenis, confirmou ontem (24) a notícia à publicação norte-americana. O funeral de Hauer ocorreu também ontem.

Ainda que Batty tenha sido seu maior momento – Blade Runner, hoje cultuadíssimo, na época um fracasso nos cinemas, foi o segundo longa-metragem norte-americano do ator –, Hauer tem outras grandes performances em seu currículo.
Para quem foi adolescente nos anos 1980, não há como esquecê-lo como o cavaleiro Etienne de Navarre de O feitiço de Áquila (1985). No drama fantástico, ele vivia um amor impossível por Isabeau d'Anjou (Michelle Pfeiffer), a mulher transformada em falcão.

Em 2008, Hauer publicou sua autobiografia, All those moments: stories of heroes, villains, replicants, and Blade Runners (Todos esses momentos: histórias de heróis, vilões, replicantes e Blade Runners, em tradução livre), que faz uma menção à coleção de personagens que interpretou. Sempre fortes, porém nem sempre bons, que iam ao encontro da imagem do homem de aparência marcante.

Nascido em 23 de janeiro de 1944, em Breukelen, na Holanda, Hauer era filho de professores. Aos 15 anos, fugiu de casa para se juntar à Marinha mercante holandesa. Descobriu a atuação no início dos anos 1960. Estudou por uma curta temporada em Amsterdã, pois logo deixou a escola para cumprir um período no Exército.



ESTREIA 

Depois de alguns papéis em produções televisivas, Hauer estreou no cinema pelas mãos do conterrâneo Paul Verhoeven. Louca paixão (1973), um drama sobre uma relação destrutiva entre o escultor Eric (Hauer) e a jovem Olga (Monique van de Ven). Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o longa marcou o início de uma série de colaborações entre Hauer e Verhoeven: O amante de Kathy Tippel (1975), Soldado de laranja (1977) e Conquista sangrenta (1985). Sobre a morte do ator, Verhoeven disse que “havia perdido seu alter ego”.

Fluente em vários idiomas, Hauer protagonizou a produção italiana A lenda do santo beberrão (1988), sobre um bêbado sem teto que deu ao cineasta Ermanno Olmi o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Chegou aos Estados Unidos no início dos anos 1980. No thriller Falcões da noite (1981) foi um coadjuvante para Sylvester Stallone. A partir de Blade Runner, somou uma série de papéis no cinema e na TV. Houve grandes momentos – foi indicado ao Globo de Ouro como ator coadjuvante no telefilme Fuga de Sobibor (1987) – e outros menos relevantes, como participações nas séries Buffy: a caça-vampiros (1992) e Alias (2003).

Mais recentemente, esteve em grandes produções como Sin City: A cidade do pecado, de Frank Miller, e Batman begins, de Christopher Nolan, ambos de 2005. Sempre próximo do universo fantástico, fez uma participação regular na série de vampiros True blood (2013). E ainda esteve na sequência inicial, de tirar o fôlego, de Valerian e a cidade dos mil planetas (2017), superprodução futurista do francês Luc Besson. (Com agências)


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade