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Estado de Minas

Netflix lança hoje oito novos episódios de 'La Casa de papel'

Série é a produção de língua não inglesa mais vista da plataforma de streaming


postado em 19/07/2019 04:08 / atualizado em 19/07/2019 08:53

Novos capítulos explicam aos poucos por que o grupo, mesmo já tendo muito dinheiro, decide ir atrás de outra fortuna (foto: Fotos: Netflix/Divulgação)
Novos capítulos explicam aos poucos por que o grupo, mesmo já tendo muito dinheiro, decide ir atrás de outra fortuna (foto: Fotos: Netflix/Divulgação)

O plano foi mais longe do que se previa. A terceira temporada de La casa de papel, que a Netflix disponibiliza a partir desta sexta-feira (19), não figurava na ideia dos criadores da série, que tomou de assalto corações de milhões de fãs no mundo. O Estado de Minas assistiu aos dois primeiros dos novos oito capítulos de uma trama cujo encerramento havia sido traçado na segunda temporada.

A ousadia de reabrir a narrativa começa mostrando a nova vida dos integrantes do grupo, agora milionários, vivendo em pontos distintos do globo. Tóquio (Úrsula Corberó), figura central da série e narradora da história, está em uma ilha paradisíaca com Rio (Miguel Herrán). Mas, depois de dois anos desfrutando da paz proporcionada pelos euros da Casa da Moeda, ela deixa claro que sente falta de “um pouco de caos” e resolve sair dali. Porém, o método escolhido para se comunicar com o namorado se transforma numa grande armadilha, e ele termina sendo capturado pela polícia, o que coloca todos os ex-comparsas em risco.

As primeiras cenas desta terceira leva de episódios têm uma clara demarcação temporal – elas antecedem um momento chamado de Grande Dia, que não demora a ser explicado. Trata-se de um novo assalto, ainda mais arriscado, que o Professor idealiza. Desta vez, o alvo é o Banco Central da Espanha, com seu cofre impenetrável a 48 metros de profundidade, no subsolo.

O grupo se junta novamente para executar o plano. O roteiro tem o cuidado de explicar por que razões eles aceitam se arriscar outra vez por uma fortuna. Depois de uma cena emblemática envolvendo um dirigível no fim do primeiro episódio, temos de volta a estrutura de um roubo complicado executado por mentes ainda mais complexas. A entrada no local se dá logo no segundo episódio.

Álex Pina e Esther Martínez, criadores da série, já explicaram por que resolveram esticá-la até além do que haviam imaginado originalmente. “Foram muitos fatores, e um deles é a aceitação mundial da série. Você se sente pressionado quando percebe a paixão do público, que, às vezes, atinge extremos irreais, como tatuar o rosto do Professor, ou homenagens em partidas de futebol, ou shows que terminam tocando uma versão de Bella ciao. Nós fomos invadidos pela vontade de continuar com este clamor dos fãs, dando-lhes mais minutos de diversão”, disse Esther Martínez ao jornal espanhol Expansión.

Insurreição
 
A terceira temporada de La casa de papel faz claras referências ao seu próprio sucesso, incluindo imagens não ficcionais do uso de máscaras de Dalí em protestos políticos ao redor mundo e também em bandeiras de torcidas de futebol. Esses elementos surgem na trama como justificativa para o novo assalto, ao mostrar o quanto a população se identifica com a proposta do Professor e seus seguidores de atacar o Estado e o capital, numa interessante conexão entre a ficção e realidade, sobretudo em tempos de forte crise dos modelos econômicos e políticos em vários países.
Essa ponte com o contexto econômico e sociopolítico ainda é feita ao abordar a tortura, aspecto essencial do conflito apresentado logo de cara na nova temporada. Um diálogo entre os personagens põe relevo na ideia de que a prática da tortura por parte do Estado permanece mesmo nas chamadas democracias consolidadas, por meio do uso da força policial. A terceira temporada introduz alguns novos personagens, como a cruel inspetora Alicia Sierra (Najwa Nimri), que aparece como a grande inimiga dos protagonistas.

A ROTA DE CADA UM

Confira onde estão alguns dos principais personagens no início da terceira temporada

Tóquio (Úrsula Corberó) e Rio (Miguel Herrán)
Vivem o sonho romântico de um verão infinito em uma ilha do Caribe.

Professor (Álvaro Morte)
Vive na Tailândia, casado com a ex-inspetora Raquel (Itziar Ituño), que, por sua vez, mudou de lado e se juntou ao grupo sob o codinome Lisboa.

Denver (Jaime Lorente) e Mônica (Esther Acebo)
O bebê da ex-funcionária da Casa da Moeda nasceu, e os três vivem como uma família em Java, na Indonésia.

Helsinque (Darko Peric) e Nairóbi (Alba Flores)
Embora não sejam um casal, foram juntos para a Argentina, por determinação do Professor, onde curtem animadas festas.

TIJOLO POR TIJOLO

Você pode até não ter assistido à série, mas certamente já viu algum de seus elementos por aí:

>> Bella ciao – A canção é uma espécie de hino para o grupo de assaltantes, que a entoa em diversos momentos. Ela tem uma simbologia especial para o Professor, cujo avô lutou contra os fascistas na Itália. Como os assaltantes enxergam o crime que cometem como um ato revolucionário, a música se encaixa bem.

>> Salvador Dalí - A máscara com o rosto do pintor espanhol foi escolhida pelo grupo de assaltantes, que usa ainda um macacão vermelho no assalto à Casa da Moeda.

>> Casa de Papel - O título é uma referência ao alvo do assalto: a Casa da Moeda da Espanha.

>> Tóquio, Denver, Nairóbi, Rio… - Embora a trama se passe apenas em Madri, algumas cidades do mundo aparecem como nomes de personagens. Assim que se reúnem para o assalto, eles assumem essa identidade, para não ter conhecimento sobre nada da vida dos comparsas, algo semelhante às cores no filme Cães de aluguel, de Quentin Tarantino.

Relembre como foi a construção da Casa
 
La casa de papel foi criada e exibida pela emissora espanhola Antena 3, em maio de 2017. Em dezembro do mesmo ano, a série entrou no catálogo da Netflix, que adaptou seus nove episódios originais para 13, com duração menor (aproximadamente 50 minutos cada um). O sucesso que a série fez na plataforma de streaming impulsionou a produção de uma segunda temporada, lançada em abril de 2018.

Segundo a Netflix, La casa de papel se tornou sua série de língua não inglesa mais assistida, atingindo números globais superiores aos de algumas produções norte-americanas. No Brasil, La casa de papel foi o título de série mais buscado no Google no ano passado. A dupla de roteiristas Álex Pina e Esther Martínez também é responsável por Vis a vis, que também está no serviço de streaming, e El embarcadero, lançada pela Movistar.

Tamanho sucesso fez a Netflix adquirir os direitos de produção e tocar uma nova temporada de La casa de papel. A fórmula que conquistou a audiência nas primeiras sequências tinha um grupo de bons protagonistas que se metem num planejadíssimo e grandiloquente assalto à Casa da Moeda da Espanha – de onde vem o título da história. Liderados pelo genial Professor (Álvaro Morte), os assaltantes assumem nomes de cidades como codinomes, tomam o local e por lá ficam durante toda a história, mantendo um grupo de reféns e planejando como escapar da polícia.

O Professor fica em um galpão, coordenando as ações. O primeiro plano de fuga dá errado, e novas estratégias são traçadas, com acontecimentos surpreendentes. O envolvimento com os reféns é complexo, e alguns deles aderem à causa dos assaltantes. O Professor acaba estabelecendo uma relação amorosa com a inspetora responsável pela investigação. Ao longo do processo, três membros do grupo acabam morrendo na ação: Moscou (Agustín Ramos), Roberto García (Oslo) e Berlim (Pedro Alonso), que se sacrifica para a fuga dos outros. Toda a narrativa se estende até a fuga, com sucesso, dos assaltantes sobreviventes com muitos milhões de euros.

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