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Estado de Minas

Mistura de instrumentos para inovar


postado em 24/06/2019 04:07

Portugal, Cabo Verde e Brasil estão na linguagem musical do trio Michi Ruzitschka, Ricardo Araújo e Beto Angerosa(foto: Pipo Gialluisi/Divulgação)
Portugal, Cabo Verde e Brasil estão na linguagem musical do trio Michi Ruzitschka, Ricardo Araújo e Beto Angerosa (foto: Pipo Gialluisi/Divulgação)
Unir instrumentos de universos diferentes é a proposta dos músicos Michi Ruzitschka (violão de sete cordas), Ricardo Araújo (guitarra portuguesa) e Beto Angerosa (percussão). E, para mostrar o resultado, eles estão lançando o álbum Café Mestiço, com canções autorais e de outros compositores. O disco registra o primeiro encontro dos três e traz ainda a participação especial de Toninho Ferragutti (acordeon), na faixa Eu quero é sossego. O repertório traça uma linha imaginária que parte de Lisboa, passando por Cabo Verde e chegando ao continente sul-americano. Com 13 faixas, o repertório do CD traz composições do argentino Astor Piazolla, do paraguaio Augustin Barrios e dos brasileiros Jacob do bandolim e João Pernambuco, entre outros. Michi explica que a junção do cajon com o violão de sete cordas e da guitarra portuguesa ainda não existia tradicionalmente no choro ou no fado, mas que o trio trouxe esta inovação para o disco, formando uma nova linguagem musical. Nascido na Áustria, Michi é instrumentista, compositor e produtor e graduado em jazz. %u201CMudei para o Brasil há cerca de 15 anos. Confesso que vim movido pela minha paixão pela música brasileira%u201D, garante. Ele conta que, no ano passado, produziu o CD Estado de poesia ao vivo, de Chico César, cujo álbum ganhou o Prêmio da Música Brasileira (2018). %u201CTemos esta formação de violão de sete cordas, guitarra portuguesa e percussão, um casamento que deu muito certo. A princípio, minha ideia era tirar a guitarra do fado e trazer para o Brasil e América Latina. Isto pensando em temas que funcionariam, como o choro.%u201D O violonista ressalta que, para este projeto, pensou em algumas canções autorais, que acredita ter funcionado bem para o trio. %u201CElas não haviam entrado no meu disco solo, lançado anteriormente. Meu objetivo é juntar esse fio Portugal, Cabo Verde e América Latina, como se pode ver na música La catedral, de Augustin Barrios, na qual fizemos algo diferente com a guitarra portuguesa%u201D, comenta o músico austríaco. Ele está feliz com o resultado do disco e acredita que este será o primeiro de muitos que virão com o projeto do trio. %u201CÉ um CD independente, mas, para fazê-lo, contamos com apoio de lei de incentivo do estado de São Paulo. Já o lançamos oficialmente na capital paulista e agora faremos shows e oficinas com o intuito de divulgar o trabalho. Temos alguns shows agendados e daremos sequência ao projeto. Em setembro, vamos tocar em Portugal e Áustria.%u201D Michi conta que, quando chegou ao Brasil, em 2003, já era músico. %u201CFormei em música nos Estados Unidos, mas estudava violão erudito em meu país. Lá, gostava de ouvir compositores brasileiros, como Heitos Villa-Lobos, João Gilberto e outros. Formei-me em Boston, apresentando um trabalho baseado em samba e bossa nova. Lá, fiquei conhecendo muitos músicos e cheguei até a tocar com alguns%u201D. Ele já gravou um disco solo autoral e hoje também faz parte do grupo do violinista popular paulista Ricardo Herz, ao lado do baterista e percussionista Pedro Hito, músicos com quem também gravou dois discos. %u201CTocamos músicas autorais e nos apresentamos nos principais teatros e festivais do Brasil e exterior%u201D, orgulha-se Michi. CLIPES Café mestiço já tem vários clipes rodando no YouTube. Os mais acessados são os das músicas Touro, Santa Morena e Vira de frielas, que é uma peça tradicional do repertório português para guitarra. Entretanto, La catedral, Sodade, Eu quero é sossego, Variações em ré menor e Valsa chilena também têm clipes na plataforma digital. Michi lançou seu primeiro disco solo no Brasil, no ano passado. %u201CO álbum se chama SP e mostra minhas influências. Gosto muito da escola do Sul do país, da Argentina, da música brasileira em geral, principalmente dos ritmos nordestinos. Tenho um disco lançado no Japão, mas somente com bossa nova.%u201D Ricardo Araújo gravou o projeto Cancioneiros da imigração, CD lançado em nove países e participou do filme Sons de São Paulo. Em 2010 lançou seu CD de guitarra portuguesa. Beto Angerosa é percussionista e baterista, bacharel em filosofia pela USP, realiza um trabalho de criação e pesquisa musical, numa perspectiva de grande versatilidade em diferentes estilos da percussão mundial. É especialista em flamenco e ritmos latinos. (AGP) REPERTÓRIO 1 %u2013 O touro (Michi Ruzitschka) 2 %u2013 La catedral (Augustin Barrios) 3 %u2013 Luar do sertão (João Pernambuco) 4 %u2013 Maria Landó (Cesar Calvo/ Chabuca Granda) 5 %u2013 Sodade (A.Z. Soares) 6 %u2013 Santa Morena (Jacob do Bandolim) 7 %u2013 Eu quero é sossego (K-Ximbinho) 8 %u2013 Oblivion (Astor Piazolla) 9 %u2013 La sonora (Michi Ruzitschka) 10 %u2013 Vira de frielas (José Nunes) 11 %u2013 La partida (Carlos Bonnet) 12 %u2013 Variações em ré menor (Fontes Rocha) 13 %u2013 Valsa bugre (Michi Ruzitschka)


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