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Estado de Minas

Prevenção necessária


postado em 07/06/2019 04:09


A coluna abre espaço hoje para Agnaldo Lopes, professor da UFMG e ginecologista da Rede Mater Dei de Saúde, que avalia a situação das mulheres brasileiras em relação aos exames ginecológicos:

“Apesar de ser extremamente necessária, a visita ao ginecologista ainda é um tabu para muitas brasileiras e os motivos são os mais variados: falta de conhecimento, vergonha do próprio corpo, medo sobre o que o profissional pensará sobre o caso e, até mesmo, receio em descobrir alguma doença grave. A função médica é tão somente, única e exclusivamente, ajudar. A rotina de hábitos saudáveis, como consultas e exames regulares, deve iniciar na adolescência como prevenção de doenças e diagnósticos precoces. Pesquisa da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), em parceria com o Datafolha, sobre a saúde da brasileira e o relacionamento dela com o ginecologista ouviu 1.100 mulheres em quase 130 municípios. O resultado revelou que 2% não têm frequência definida, 5% nunca foram e 8% não costumam ir ao especialista, ou seja, mais de 5,6 milhões de brasileiras não vão ao ginecologista.

Outro dado relevante é que a primeira consulta ocorre aos 20 anos, chamando a atenção por se tratar de uma idade tardia. Geralmente, o principal motivo para essa primeira consulta é gravidez ou suspeita de gravidez. Também pode ocorrer de a mulher procurar um ginecologista por algum tipo de problema ginecológico ou a chamada prevenção. Infelizmente, a falta de conscientização e, até mesmo, de esclarecimento impede a primeira consulta já no início do período menstrual. O contato é oportunidade para expor os processos de amadurecimento da puberdade e orientar sobre como deve ser a sua habitualidade menstrual. A consulta também é espaço para repassar informações sobre iniciação sexual e os perigos e meios de se evitarem doenças sexualmente transmissíveis, assim como métodos contraceptivos.

O ginecologista orienta sobre a necessidade de diversos exames, como os preventivos contra o câncer de colo de útero e de mama, importantes para a descoberta precoce de doenças. A recomendação é uma consulta anual, no mínimo, e de três em três anos para o exame de Papanicolau. A falta de cuidado gera um grande problema nos consultórios, sendo relacionado à impossibilidade do diagnóstico precoce. Os vários cânceres ginecológicos se apresentam de forma silenciosa e, por isso, de difícil descoberta. A maioria dos tumores é diagnosticada em estágio avançado e com menores chances de cura. Cerca de 75% dos casos são detectados quando a doença já está em fase avançada, comprometendo o prognóstico.

É preciso uma mudança de mentalidade, trocando uma medicina baseada em tratamento de doenças por uma medicina mais preventiva. A prevenção continua sendo o melhor remédio e os cuidados possibilitam um cotidiano feminino saudável e ativo. A mulher deve estabelecer visitas regulares ao ginecologista para exames de rotina e garantir boa qualidade de vida. A prática de atividades físicas, alimentação balanceada e saudável, combate ao sobrepeso e obesidade, evitando maus hábitos e cuidando para que a vacinação esteja em dia são hábitos recomendados. Apesar de parecer clichê, as recomendações têm eficácia comprovada em manter uma saúde adequada”.


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