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Estado de Minas

É tudo (meia) verdade


postado em 06/06/2019 04:07

Johnny Hooker compara canções ao universo da ficção: %u201CEssa é a mágica%u201D (foto: Diego Ciarlariello/divulgação %u2013 25/4/18)
Johnny Hooker compara canções ao universo da ficção: %u201CEssa é a mágica%u201D (foto: Diego Ciarlariello/divulgação %u2013 25/4/18)


“É ingênuo pensar que um artista vive tudo o que canta”, avalia o cantor e compositor pernambucano Johnny Hooker, enquanto se prepara para o encerramento da turnê Coração, que passará pela última vez por Belo Horizonte nesta quinta-feira (6). Na visão de Hooker, canções são como contos e crônicas – ou seja, ficções. “Nossa experiência de vida se concretiza na arte. Porém, há músicas que são mais biográficas e outras menos. Essa é a mágica”, diz o cantor.

No palco, a ‘mágica’ de Hooker é teatral. O show segue uma narrativa à la Madonna, uma de suas referências. A rainha do pop surge mais de uma vez durante entrevista ao Estado de Minas. “Parei em um artigo que dizia ‘Precisamos falar sobre o fetiche que Madonna tem por armas’, porque ela já as usou como elementos em cenas da turnê. Isso me pareceu tão real quando falar que Freddie Mercury influenciou o homicídio em Bohemian Rhapsody porque ele diz que matou alguém. É uma narrativa ficcional. Para você escrever um livro sobre psicopata você não precisa ser um”, comenta.

O segundo álbum da carreira de Hooker, lançado em 2017, abusa de ritmos nordestinos, como samba, brega, frevo, guitarrada e axé, em composições politizadas. “Esse disco fala do amor como ato político, da depressão, do luto. Foi muito bom lançá-lo em um momento tão complicado do país e receber o carinho das pessoas que se identificaram e encontraram nele algum alento”, observa.

No ano passado, foi nomeado pela ONU Brasil como campeão da igualdade na campanha de Livres & Iguais, título conferido a quem apoia oficialmente a iniciativa das Nações Unidas pela igualdade de direitos. Em Flutua, ao lado de Liniker, Hooker já havia dado um aviso: “Ninguém vai poder querer nos dizer como amar.”

Para quem se define como “uma mulher em fúria no corpo de um homem com os olhos marejados de lágrimas”, o conceito da androgenia sempre foi algo presente. “A dualidade do personagem Johnny Hooker é muito inspirada na minha mãe, que sempre foi muito andrógena. Ela era punk nos anos 1980, seus ídolos eram andrógenos”, lembra.

TURNÊ

Além das capitais brasileiras escolhidas para receber o encerramento de Coração, Johnny Hooker fará shows em alguns países da Europa. A apresentação final será em Lisboa, em 22 de junho, na vigésima Marcha do Orgulho LGBTI+. Há planos para outros shows no Nordeste após a investida europeia.

Sem entregar muito, o artista adianta um novo disco inspirado em São Paulo, onde mora há dois anos. A proposta segue o mote dos trabalhos anteriores, o primeiro gravado no Recife, e o segundo no Rio. Hooker promete um álbum mais sombrio do que Coração, “tal como os tempos que estamos vivendo”, avisa.

*Estagiária sob a supervisão do subeditor Eduardo Murta

JOHNNY HOOKER

Nesta quinta-feira (6), às 21h. Turnê Coração. Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3270-8100. Plateia 1: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Plateia 2: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Plateia 3: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).


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