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Estado de Minas

O choro pede passagem

No embalo de uma BH que se abre cada vez mais para a combinação de bares e música, grupos do tradicional estilo brasileiro ampliam espaço na agenda e viram atração fixa


postado em 03/06/2019 04:13

No Choro do Jura, sempre nas noites de quarta-feira, uma das novidades é a presença de mais um instrumento, o contrabaixo acústico(foto: Natália Gomes/Divulgação)
No Choro do Jura, sempre nas noites de quarta-feira, uma das novidades é a presença de mais um instrumento, o contrabaixo acústico (foto: Natália Gomes/Divulgação)

Dona do título de “a capital dos bares”, Belo Horizonte não oferece apenas boas bebidas e deliciosos petiscos em seus muitos botequins. A vida boêmia na capital tem também ritmos instigantes, e a melodia da vez é o choro. Embalado pela renovação de artistas e de público, o estilo vem conquistando novos espaços, com agenda de segunda a segunda, apresentando novas composições e resgatando a tradição da música genuinamente brasileira, que teve suas origens justamente na boemia.

A história do chorinho, como é mais popularmente identificada a vertente do samba instrumental tocada com violão, bandolim, pandeiro e flauta, vem de longa data em BH. Há mais de uma década, o Clube do Choro se reúne no Bar Vila Rica, no Padre Eustáquio. O Bar do Salomão, na Serra, também abre espaço para as rodas às segundas e quintas há pelo menos 10 anos, ficando tão concorrido nesses dias quanto nos jogos do Atlético, cuja torcida tradicionalmente se reúne por ali.

Dessa história fazem parte artistas de maior notoriedade, como o compositor Belini Andrade (1920-2017) e o grupo Flor de Abacate, uma referência em BH desde o fim dos anos 1980. Mas, em 2019, o momento é de maior democratização e renovação. Um dos novos expoentes é o Choro do Jura. O violonista André Milagres, de 30 anos, conta que o projeto começou “quase por acaso”. Desde 2011, ele integra o Assanhado Quarteto, também dedicado ao estilo, mas em formato mais experimental. Em 2018, às vésperas de uma turnê na Austrália, ele e o contrabaixista Rodrigo Magalhães se juntaram a Marcelo Pereira (flauta/sax), Rafael Zavagli (cavaquinho) e Sandra Leão (pandeiro) no bar Juramento 202 – Cervejaria Viela, em práticas mais informais, para arrecadar alguns fundos para a viagem e assim nasceu o grupo. “O pessoal gostou e resolvemos manter a roda, que é um pouco diferente por ter nascido com contrabaixo acústico, que não é tão comum. Fizemos para experimentar e aí foi ficando e foi crescendo”, conta Milagres, que toca o violão de sete cordas.

Nas apresentações, sempre às quartas, eles incluem composições próprias, músicas de outros artistas de BH e clássicos, como Pixinguinha e Jacob do Bandolim. André destaca a boa circulação dos músicos por diferentes rodas. “BH tem muitos bares e esse é o ambiente do choro. Ainda que ele possa aparecer no teatro ou em outros lugares, a essência é ali, nesse momento de compartilhar a música. Costumo brincar que é igual à cerveja de garrafa, que é dividida entre várias pessoas à mesa”, avalia Milagres, que entende a música nos bares como um subterfúgio à escassez de recursos públicos para a realização de eventos em outros locais. “É uma forma de resistência”, diz ele.

FESTIVAL A proliferação de artistas interessados no gênero fez surgir o festival Circuito do Choro, realizado no fim de abril, justamente com objetivo de celebrar a variedade de opções semanais em BH. “O festival nasceu exatamente dessa percepção. Começamos a observar e contamos quase 30 rodas de choro por semana na cidade. Tem dia que são até quatro. Começamos com uma ideia de divulgação unificada no Instagram e acabamos celebrando isso na Semana Nacional do Choro”, explica André, ressaltando ainda o bom interesse do público durante todo o ano.


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