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Estado de Minas

Dicas de português


postado em 29/05/2019 04:07

Recado
“Deus usa o silêncio para ensinar sobre a responsabilidade das palavras.”

>> Paulo Coelho

Ruas verde-amarelas
Os manifestantes que tomaram as ruas no domingo vestiram as cores nacionais – o verde e o amarelo. Elas apareceram grafadas de dois jeitos. Um: verde-amarelo. O outro: verde e amarelo. Ao se referir à dupla ou ao trio, narradores e repórteres tropeçaram na flexão. Como acertar no plural e no feminino? É fácil como andar pra frente.

Verde-amarelo – o primeiro adjetivo mantém-se invariável. Só o segundo varia em gênero e número. Assim: calção verde-amarelo, calções verde-amarelos, blusa verde-amarela, blusas verde-amarelas.

Verde e amarelo – os dois adjetivos concordam com o nome a que se referem: calção verde e amarelo, calções verdes e amarelos, blusa verde e amarela, blusas verdes e amarelas.

O xis da faixa
Brasileiros vestidos de verde-amarelo demonstraram apoio ao governo Bolsonaro e às reformas por ele propostas. Muitos exibiram faixas e cartazes. Pintou, então, a dúvida. Por que faixa se escreve com x? A resposta: porque a letra vem depois de ditongo. É o caso de caixa, baixa, ameixa, baixela, frouxo, peixe, trouxa, rouxinol, embaixada. Exceção? Eis uma: caucho (árvore que dá o látex do qual se produz borracha). Daí recauchutar e recauchutagem.

Nota 10
Lauro Augusto Pinheiro escreve: “Li esta manchete no jornal – o` Brasil na Antártica. Ao que me consta, dá-se o nome de Antártida ao continente antártico. Por sinal, tenho a impressão de que o emprego controvertido desse vocábulo se deve à omissão da Academia Brasileira de Letras, que, até hoje, não editou os nomes dos topônimos adotados na nossa língua, cumprindo encargo atribuído a ela pela nossa legislação. Em razão disso, todas as vezes que a empresa em que trabalhei pretendia instalar uma sucursal numa localidade cuja grafia era objeto de discussão, consultava a Nomenclatura dos Municípios Brasileiros adotada oficialmente pelo IBGE – e pronto”.

É isso. Antártida, com d, é o substantivo. Antártica, com c, o adjetivo: Visitei a Antártida. Visitei o continente antártico. Visitei a zona antártica.

Dengue e denguice
Há dengues e dengues. Um é faceirice, feitiço, requebro. Criança mimada é cheia de dengues. Dengosa que só. Outro é a doença. O pobre picado pelo mosquito Aedes aegypti sofre. Sente tantas dores nos músculos e articulações que não tem saída. Anda requebrando. O quadril pra lá e pra cá lembra os caprichos da denguice. Os espanhóis não deixaram por menos. Chamaram a enfermidade de dengue. Nós os seguimos. Moral da história: no mundo nada se cria. Tudo se copia.

Gênero
A dengue? O dengue? A doença é feminina. O dengo, masculino: A dengue preocupa o governo na época da chuva. O dengue é a marca de crianças mimadas. E de marmanjos também.

Leitor pergunta
Li o Correio de sábado. Ops! Levei um baita susto. Na capa, estava escrito: “Aos 13 anos, Karine Mota, pela primeira vez, passou por um exame oftalmológico e ganhou um óculos”. Fiquei confuso. Há como alguém ganhar um óculos? Não seria um par de óculos ou simplesmente óculos? Pergunto porque vejo comerciais na TV, de grandes óticas, vendendo um óculos.

>> Lincon Santos da Silva, Brasília

Você tem razão, Lincon. Óculos é substantivo plural: os óculos, meus óculos, óculos escuros. Karine ganhou óculos ou um par de óculos. Existem as palavras óculo e óculos. Óculo significa luneta. Tem uma lente. Binóculo é filhote dele. Bi quer dizer dois. O danadinho tem duas lunetas. Óculos, sempre com s, tem duas lentes, uma para cada olho. Daí o plural obrigatório.


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