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Estado de Minas

Dicas de português


postado em 22/05/2019 04:08

Recado
“Um homem nunca deve sentir vergonha de admitir que errou, o que é apenas dizer, noutros termos, que hoje ele é mais inteligente do que era ontem.”
 Alexander Pope

Na ponta da língua

Segunda-feira foi dia de festa. Os ministros da Esplanada estavam todos lá. Era lançamento da campanha anunciada como mágica, capaz de convencer os brasileiros da necessidade de aprovar a reforma da Previdência. Em filmes curtinhos, protagonizados por gente como a gente, pessoas apresentam as dúvidas. Alguém esclarece a questão com palavras simples e frases curtas. A empreitada recebeu o nome de “Nova Previdência. Pode perguntar”.

A questão
Quando o slogan veio a público, uma interrogação invadiu a cabeça de gregos, romanos e troianos. Ei-la: quem pergunta quer a resposta. Qual é a regência do verbo responder? O dicionário, pai de todos nós, esclarece:


1. No sentido de dar a resposta a alguém ou a alguma coisa, a preposição a pede passagem: responder à carta, responder ao ofício, responder a questões da prova, responder às acusações, responder ao desafio, responder a este e àquele professor.
2. Na acepção de dizer em resposta, o verbo dispensa a companhia e se liga diretamente ao complemento: Maria responderá o que quiser. O diretor respondeu que não aceitaria as acusações. Respondi que quero embarcar na Nova Previdência.

Cartaz
Na solenidade de lançamento da campanha, um cartaz dizia o seguinte: “Nova Previdência é para todos. É melhor para o Brasil. Essa é a verdade”. Ops! Uma pulga se instalou atrás da orelha dos presentes. Eles questionaram o emprego do pronome essa. Não seria esta? Não. No caso, o demonstrativo indica que a tal verdade já foi referida. O pronome remete ao que foi dito antes. O quê? “Nova Previdência é para todos. É melhor para o Brasil.”

Outros exemplos
“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” Esse verso foi escrito por Fernando Pessoa.
“Uma frase curta não é nada mais que duas curtas.” Esse período nos ensina uma lição: um ponto é sempre bem-vindo.
“Quem não se comunica se trumbica.” Quem disse essa frase? Foi Chacrinha. Ele usava todos os recursos para se comunicar com clareza. E não se trumbicar.

A vez do esta
Quando dar vez ao pronome esta? Quando ele introduz uma declaração, uma citação, uma enumeração etc. e tal. O demonstrativo vem antes, o anunciado vem depois:


Fernando Pessoa escreveu este verso: “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.


Vinicius de Moraes nos ensina uma lição com esta frase: “Uma frase longa não é nada mais que duas curtas”.
Quem disse esta frase: “Quem não se comunica se trumbica”?

Tropeço

Nos discursos sobre a Nova Previdência, nem tudo foram acertos. Houve tropeços aqui e ali. Um dos mais vistosos figurou no pronunciamento de Onyx Lorenzoni. Dirigindo-se ao presidente, o ministro disse: “O senhor andou por cada canto deste país”.
Uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Doeu. Na leitura, por cada soa porcada, coisa de porcos. Cruz-credo! Xô! Melhor fugir da enrascada. Que tal “O senhor andou pelos quatro cantos deste país”?

Leitor pergunta
O dólar está pela hora da morte. Passou de R$ 4. O Banco Central precisou intervir no mercado. A imprensa noticiou o fato. Ouvi esta manchete: “O Banco Central interviu no mercado do dólar”. A conjugação do verbo intervir está correta?

Breno Souza, Santos

Não. Intervir é cria de vir. Pai e filho se flexionam do mesmo jeitinho: venho (intervenho), vem (intervém), vimos (intervimos), vêm (intervêm); vim (intervim), veio (interveio), viemos (interviemos), vieram (intervieram).
Em bom português, a notícia teria esta chamada: Banco Central interveio no mercado de dólar.


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