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Para enxergar longe


postado em 22/05/2019 04:08


O glaucoma é uma doença neurodegenerativa de etiologia multifatorial que provoca lesão progressiva no nervo óptico com perda de campo visual correspondente. Após a catarata, é a segunda maior causa de cegueira, além de ser a principal causa de cegueira irreversível em todo o mundo. É uma doença crônica, silenciosa, que não tem cura, mas na maioria dos casos pode ser controlada com tratamento adequado. Oitenta por cento dos glaucomas não apresentam sintomas no início da doença, por isso a importância da consulta oftalmológica rotineira. Diante da importância do tema, 26 de maio foi instituído – por meio de Decreto de Lei nº 10.456, de 13 de maio de 2002 – como o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce, que aumenta as chances de evitar a perda da visão.

“O glaucoma é responsável por 12,3% dos casos de perda de visão em adultos. Inúmeros trabalhos mostraram que a prevalência da doença se eleva significativamente com o aumento da idade, particularmente em latinos e afrodescendentes. É estimada entre 1% e 2% na população geral, chegando a 6% e 7% após os 70 anos de idade. A prevalência é três vezes maior e a chance de cegueira pela doença é seis vezes maior em indivíduos latinos e afrodescendentes em relação aos caucasianos”, destaca a oftalmologista Nicole Ciotto, da equipe multidisciplinar da Clínica Blues.

No Brasil, já existem mais de 1,2 milhão de pessoas cegas e a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que até 80% dos casos de cegueira pelo mundo poderiam ser evitados ou tratados. De acordo com a OMS e centros de pesquisa internacionais, em 2020, 80 milhões de pessoas terão glaucoma no mundo, e em 2040 esse grupo somará 111,5 milhões. Os principais fatores de risco são: histórico familiar, pressão intraocular elevada, idade acima de 50 anos, diabetes, uso prolongado de corticoides, presença de lesões oculares, descendência negra, ametropias e espessura central corneana fina. “O glaucoma pode ser classificado como glaucoma primário de ângulo aberto (forma mais comum), glaucoma de pressão normal, glaucoma primário de ângulo fechado, glaucoma congênito e glaucoma secundário (causado por doenças oculares predisponentes, trauma ou uso de medicamentos, principalmente corticoides)”, alerta a médica.

O quadro clínico da doença é insidioso, lentamente progressivo e usualmente bilateral, podendo ser assimétrico. Se não forem tratados, a maioria dos tipos de glaucoma avança e gradualmente agrava os danos visuais, perdendo inicialmente a visão periférica e, nos estágios mais avançados, a visão central também é atingida podendo evoluir para a cegueira. O tratamento inicial é feito com colírios que abaixam a pressão intraocular, podendo-se recorrer ao laser ou cirurgias, de acordo com o tipo de glaucoma e estado no nervo óptico do paciente.
O objetivo primário do tratamento de glaucoma é a redução da pressão intraocular. Nos últimos anos, diversos estudos evidenciaram a eficácia dessa conduta na redução das taxas de progressão da doença.“Ainda não há cura para o glaucoma e a perda da visão é irreversível, mas medicamentos ou cirurgia (tradicional ou a laser) podem estacionar ou desacelerar a perda da visão. Portanto, a detecção prematura é essencial para restringir a deficiência visual e prevenir seu progresso na direção de deficiências visuais graves ou cegueira. O glaucoma, por ser assintomático, é uma doença perigosa. Por isso, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia recomenda consultas anuais a todos e àqueles com histórico familiar devem consultar um oftalmologista mais assiduamente”, reforça a oftalmologista.


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