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Estado de Minas

Manifesto de resistência

A dança dos não famosos é base do show que o Mundo Livre faz hoje em BH, inspirado com acidez e sarcasmo no 'campo de batalha' em que se transformou o Brasil nos últimos anos


postado em 10/05/2019 05:08

Líder da banda, Fred Zero Quatro diz que o disco é retrato do país:
Líder da banda, Fred Zero Quatro diz que o disco é retrato do país: "Demanda absurda de refletir o contexto que é quase aberração" (foto: CRISTIANO BIVAR/DIVULGAÇÃO)

A dança dos não famosos. O título, por si só, já é de uma ironia e tanto para o Brasil de hoje. Sobretudo se acompanhado de uma imagem de um jovem sendo agredido pela polícia – no caso, o estudante Matheus Ferreira da Silva, que durante um protesto contra as reformas trabalhista e previdenciária, em Goiânia, há dois anos, ficou gravemente ferido ao ser atingido com um golpe de cassetete na cabeça pelo capitão Augusto Sampaio de Oliveira Neto.

Fred Zero Quatro, líder da banda pernambucana Mundo Livre S/A, fez a melhor leitura possível do episódio. “Quando vi a foto, ela parecia um passo de dança, o que me remeteu à capa de London Calling (álbum de 1979 do The Clash). E toda vez que entro em processo de concepção de um novo trabalho, minhas antenas vão para várias direções. Uma coisa foi conectando com a outra e virou isso, como se a população não famosa precisasse tomar na cabeça”, conta.

Pois este “pegadinha dos não famosos” conceituou o novo álbum da banda. A dança dos não famosos (2018) é a base do show que o Mundo Livre faz nesta sexta (10) no Mercado Distrital do Cruzeiro. No disco, que reúne 12 faixas, Zero Quatro manda seus versos certeiros (e um tanto sarcásticos) para o Brasil atual. Meu nome está no topo da sagrada planilha mistura religião com ladroagem. Eletrochoque de gestão é introduzida pela voz do ex-presidente Michel Temer dizendo “não renunciarei”.

“Quando a necessidade de um novo álbum veio naquele momento, havia uma demanda absurda de refletir o contexto que é quase uma aberração. Não via algum assim na música, de gente se propondo a manifestar de forma mais clara. (O momento) Parecia mais um manifesto à procura de uma banda”, continua Zero Quatro.

NOVAS E VELHAS CANÇÕES
O show vai contar com pelo menos meia-dúzia das novas canções. Completando 35 anos em 2019, o Mundo Livre, uma das bandas-chave da Geração Mangue, tem uma obra que mistura groove, samba, ironia, leveza e engajamento social. Na apresentação, o grupo recupera parte de suas canções, entre elas as mais conhecidas, como Meu esquema, Melô das musas e Free world.

“No ano passado também saiu o vinil dos 20 anos do (álbum), Carnaval na obra. Então, temos tocado Édipo, o homem que virou veículo e Bolo de ameixa”, continua Zero Quatro. Há pelo menos dois anos sem vir a Belo Horizonte, o Mundo Livre também deve levar para o palco canções de Chico Science e Nação Zumbi – em 2013, as bandas, responsáveis pelo manguebeat, lançaram um álbum conjunto, com releituras de canções uma da outra.

MUNDO LIVRE S/A
Show nesta sexta (10), a partir das 20h, no Mercado Distrital do Cruzeiro, Rua Ouro Fino, 452, Cruzeiro. Abertura com Swing Safado e DJ Guto Borges. Ingressos: a partir de R$ 20 (www.sympla.com.br).


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