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Estado de Minas

Areia movediça envolve trama policial em grandes questões


postado em 03/05/2019 05:13

Maja Norberg (Hanna Ardéhn) acaba de completar 18 anos e é acusada de ser autora de um massacre num colégio, na série que é a primeira produção sueca na Netflix(foto: NETFLIX/DIVULGAÇÃO)
Maja Norberg (Hanna Ardéhn) acaba de completar 18 anos e é acusada de ser autora de um massacre num colégio, na série que é a primeira produção sueca na Netflix (foto: NETFLIX/DIVULGAÇÃO)

Não é de hoje que a produção nórdica de tramas policiais vem tomando a programação de canais de TV e plataformas de streaming. Entre as boas opções estão A ponte (sueco-dinamarquesa, no Mais Globosat, que acabou gerando uma versão, bastante inferior, nos EUA), O método de um assassino (sueca, no Mais Globosat), Trapped (Islândia, na Netflix) e Bordertown (Finlândia, na Netflix).

Essas séries, vale dizer, foram produzidas por canais de TV locais e, posteriormente, vendidas mundo afora. A recente Areia movediça, por seu lado, é a primeira produção sueca bancada pela Netflix. E, ainda que os personagens sejam adolescentes, a trama vai muito além do universo teen. O mote é um assunto que, infelizmente, não sai do noticiário mundial: os massacres em escolas.

Adaptação do livro homônimo da autora sueca Malin Persson Giolito (lançado neste ano no Brasil pela editora Intrínseca), a série, em seis episódios, acompanha a jovem Maja Norberg (Hanna Ardéhn), acusada de participar de um massacre em um colégio de Djursholms, um subúrbio rico de Estocolmo. Ela acabou de completar 18 anos. Já no primeiro episódio, Maja admite o assassinato. Porém, traumatizada e sem memória do ocorrido, nega a culpa. A mídia cai de pau na garota, que é apontada como uma serial killer.

A série vai culminar no julgamento da jovem – o embate é mais para descobrir o porquê dos crimes. Por meio de flashbacks o universo de Maja vai se descortinando, quando aparecem sua família e seus amigos próximos. O envolvimento com o milionário Sebastian Fagerman (Felix Sandman), também colega de escola e morto no massacre, é que surge como detonador da tragédia.

Os fatos vão sendo entregues aos poucos. No momento inicial, nem sequer sabemos quem saiu vivo e quem foi morto no ataque. Teria sido ela vítima das loucuras do namorado, um jovem seriamente perturbado e dependente de drogas? Ou Maja realmente conspirou com ele? Até o momento final, ficamos em dúvida sobre a culpa da personagem.

Como trama policial, Areia movediça tem bom ritmo, não deixando pontas soltas e criando suspense nos momentos necessários. Também abre o leque, levando a discussão do crime para outras searas. As desigualdades sociais e a imigração na Suécia são bastante destacadas. Outro assunto recorrente, com um pé na realidade, é a violência contra a mulher. E, como não poderia deixar de ser, o mundo irreal das redes sociais.

Por outro lado, há um desnível na criação das personagens. Os adultos, de uma maneira geral, não têm meios-tons. Ou são ausentes (os pais da garota são de uma nulidade irritante) ou a personificação do mal (o milionário pai de Sebastian é de um clichê sem limites). Todos parecem um tanto disfuncionais, o que tira por vezes o pé da realidade.

Dessa maneira, Areia movediça aparece mais como uma série que pretende discutir as relações humanas nos dias de hoje do que simplesmente como uma trama policial a ser desvendada. O buraco, é o que a personagem Maja parece dizer a cada momento, é mais embaixo.



AREIA MOVEDIÇA
Os seis episódios da série estão disponíveis na Netflix


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