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Estado de Minas

Pernas de fora


postado em 30/04/2019 05:09






Meu primo querido que já se foi, e que me acudia como um irmão muito próximo, era um craque no tratamento de varizes e outros problemas de veia. Tratava com rara sabedoria e técnica, participava de congressos aqui e no exterior, era relacionadíssimo com seus colegas de fora do país. Dedicou-se com raro conhecimento e prática a um dos problemas que mais afetam a saúde vascular de homens e mulheres: as varizes. Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), quase metade das mulheres desenvolve o problema, e nos homens o percentual é de 37%. Mas como a obesidade, o sobrepeso e o sedentarismo são fatores que colaboram para o aparecimento do problema, surge uma dúvida na hora de tratar as varizes: é preciso emagrecer para operá-las?. Como as veias varicosas estão localizadas em uma camada de gordura embaixo da pele chamada tecido celular subcutâneo, a obesidade dificulta a visualização das varizes e o acesso cirúrgico. Antes era necessário emagrecer, mas com as tecnologias de hoje, como ultrassom intraoperatório, espuma densa e técnicas de laser para safena, o tratamento de veias, anteriormente de difícil acesso, ficou mais fácil. Sendo assim, conseguimos tratar as veias, mesmo sem perda de peso. É bom não se esquecer de que o controle da obesidade é imprescindível para o controle da doença varicosa e diminuição de recidivas.

De acordo com os angiologistas, pessoas obesas têm maior disposição de desenvolver varizes por causa da sobrecarga nos membros inferiores e aumento da pressão intra-abdominal, que dificulta o retorno do sangue. Além das varizes, outra complicação que pode surgir entre obesos é a trombose venosa profunda e quadros arteriais, já que a obesidade é um dos fatores de risco para aterosclerose. Outro problema das varizes é que, quando ocorre um emagrecimento, como o que aparece depois de uma cirurgia contra obesidade, dietas agressivas, problemas de saúde associados à perda de peso, a camada de gordura sofre uma diminuição e isso torna a veia varicosa mais aparente. Na realidade, o problema não piorou. Simplesmente estava lá.

A cirurgia convencional é realizada com um corte pequeno no tornozelo e outro em torno de 2 a 3cm na virilha. Pelo corte do tornozelo é introduzido um aparelho que se chama fleboextrator, que vai correr pela safena e sai pela virilha. Depois, esse aparelho é arrancado juntamente com a veia, trazendo com ele a varize e é o método mais realizado no Brasil, consagrado e com bons resultados. Outros tratamentos são com radiofrequência, que libera uma energia que queima a veia. Uma vez queimada, ela se transforma em um cordão que não vai mais participar da circulação da perna. Menos comum é o tratamento feito com uma espuma densa, que usa o ar ambiente e um produto que é injetado na veia com duas seringas. A aplicação provoca um processo inflamatório que vai cicatrizar a veia, sendo realizado de uma só vez. Não pede qualquer tipo de internação hospitalar, mas o processo de cicatrização pode ser muito incômodo. Há também o processo chamado ClaCs, que é usado principalmente em microvarizes, tratadas a laser e com injeções de glicose. É totalmente antialérgico, feito em consultório, mas precisa de várias sessões e não pode ser usado em todas as microvarizes de uma só vez.

Essa moda nem sempre apropriada para todas as mulheres, de colocar as pernas de fora, com o uso de shorts cada vez menores, aumentou a procura aos angiologistas em busca da solução do problema. Afinal de contas, mostrar pernas varicozas só pelo prazer de estar acompanhando a moda é uma perda clara de autorrespeito. Todo mundo de bom senso sabe que o senso crítico é o melhor companheiro para seguir tendências de moda.


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