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Filmes de Plástico celebra 10 anos com prêmios e reconhecimento

Produtora de Contagem, que circula pelos principais festivais de cinema do mundo, como Cannes, credita sucesso de seus filmes à voz que dão às pessoas %u2018periféricas, rejeitadas e à margem%u2019. Longa Temporada estreou recentemente no catálogo da Netflix "periféricas, rejeitadas e à margem"


postado em 30/04/2019 05:09

Maurilio Martins, André Novais de Oliveira, Thiago Macêdo e Gabriel Martins fundaram a Filmes de Plástico a partir de paixões em comum: cinema, Contagem e Cruzeiro (foto: Mauro Figa/Divulgação)
Maurilio Martins, André Novais de Oliveira, Thiago Macêdo e Gabriel Martins fundaram a Filmes de Plástico a partir de paixões em comum: cinema, Contagem e Cruzeiro (foto: Mauro Figa/Divulgação)


Tudo começou num fim de semana. Ou melhor, foi justamente quando finalizaram o curta Filme de sábado, em abril de 2009, que os cineastas Maurilio Martins, André Novais Oliveira e Gabriel Martins fundaram a produtora Filmes de Plástico, que hoje conta ainda com o produtor-executivo Thiago Macêdo. Em 10 anos, os jovens de Contagem ganharam o mundo, circulando por Cannes, Locarno e Rotterdã, entre outras grandes praças do cinema mundial, mas sem nunca abandonar os bairros da cidade onde cresceram, na Região Metropolitana de BH. Com uma extensa coleção de 15 curtas e dois longas lançados e vários prêmios, eles celebram a primeira década de existência.

 

Grande vencedor do Festival de Brasília em 2018, Temporada, dirigido por André Novais Oliveira, premiado como melhor longa-metragem, melhor atriz para Grace Passô, melhor ator coadjuvante para Russo APR e melhor fotografia, entrou recentemente no catálogo da Netflix. Antes da inclusão no maior serviço de streaming do mundo, esteve no circuito comercial nacional. Tudo isso sem abrir mão das principais características que os filmes da produtora apresentam desde o princípio. Rodado no Bairro Nacional, em Contagem, o longa mostra o cotidiano de uma funcionária do controle de zoonoses, recém-chegada do interior. Embora não tenha sido um objetivo previamente estabelecido, a ambientação nos bairros da periferia da cidade da Grande BH e as tramas protagonizadas por trabalhadores e estudantes originários desses locais são um ponto em comum entre as várias das realizações do grupo.

 

“Foi muito natural. O Gabriel Martins, no lançamento do Temporada, em São Paulo, lembrou um ponto importante: tudo isso partiu do desejo de escutar e dar rosto a pessoas que nunca tinha sido ouvidas nem mostradas. Fizemos isso sem nenhum panfletarismo. Era um desejo legítimo e natural nosso. Entendíamos esse processo bem menos do que hoje, mas queríamos fazer”, argumenta Maurilio Martins, que conheceu Gabriel no curso de cinema da UNA, poucos anos antes de montarem a produtora. Este, por sua vez, conhecia André da Escola Livre de Cinema. Além da sétima arte, também tinham em comum a origem no município vizinho de BH.

 

“Sou do Bairro Laguna e o Gabriel, do Milanez. O André era do outro lado da cidade, mas sempre brincávamos que éramos os três de Contagem, cruzeirenses e cinéfilos, além de outras características que nos uniram”, conta Maurílio. Pouco tempo depois, o trio ganhou a companhia de Thiago Macêdo na sociedade.

 

No começo, os próprios cineastas participavam e incluíam pessoas próximas nas filmagens. “Desde o início, já existia esse desejo de ouvir pessoas próximas, esses rostos que queríamos mostrar. Desde quando comecei a filmar, sempre chamei amigos. Eles (Gabriel e André), mesma coisa. Quando nos juntamos para produzir, isso ficou mais forte. No Filme de sábado, dirigido pelo Gabriel, atuei. Depois, o André fez o Fantasmas, e chamou eu e o Gabriel. Isso está na gênese da produtora e até hoje os filmes mesclam familiares, pessoas próximas e vizinhos com atores profissionais”, argumenta o diretor.

Reconhecimento Tão logo as realizações da Filmes de Plástico foram acontecendo, o reconhecimento veio junto. Ainda em 2009, Filme de sábado participou do Festival Brasileiro de Cinema Universitário, no Rio de Janeiro, e recebeu o prêmio de Pesquisa de Linguagem. “Foi o primeiro contato nosso com essa validação. Era muito fã do Eduardo Valente (cineasta), que publicou um artigo elogiando o filme. Foi como se fosse nosso primeiro troféu. Não é que isso molde seu trabalho, mas ajuda. Balizou no sentido de saber que estávamos no caminho certo”, relembra Maurilio.

 

A realização seguinte assinada pela Filmes de Plástico teve um reconhecimento ainda maior. O curta Fantasmas foi selecionado para a Mostra de Tiradentes, em 2010, e outros festivais fora do Brasil. Na sequência, Contagem, curta-metragem realizado como projeto de conclusão de curso por Gabriel e Maurilio Martins, esteve no Festival Brasília e recebeu o prêmio de melhor direção na mostra competitiva de curtas. “Além do prêmio, houve uma postagem do Carlos Reichenbach (1945-2012) elogiando o filme, que nos marcou muito”, relata Maurilio.

 

“Essas validações, através de premiações e críticas, nos ajudaram muito. Principalmente para sermos ainda mais soltos e livres. Quanto mais validação, mais entendíamos o que queríamos”, destaca o cineasta mineiro. A trilha de sucesso da Filmes de Plástico seguiu para grandes eventos cinematográficos, como o festival de Cannes, com os curtas Pouco mais de um mês (André Novais de Oliveira, 2013), Quintal (André Novais de Oliveira, 2015) e Nada (Gabriel Martins, 2017), exibidos na Quinzena dos Realizadores. O longa Temporada esteve em Locarno, na Suíça. Ela volta na quinta, docudrama de André Novais de Oliveira, além de ter sido premiado em Brasília, em 2014, e outros festivais nacionais, foi exibido no International Film Festival Rotterdam, assim como o longa No coração do mundo, dirigido por Maurilio e Gabriel, incluído na edição deste ano do festival holandês. O filme deve ser lançado em agosto no Brasil. 


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