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Estado de Minas

Filho de Benito de Paula lança mais um disco

No terceiro CD, Rodrigo Vellozo reafirma as influências do teatro em sua obra e diz que mostrará no palco o que tem de "mais pessoal e sincero"


postado em 20/04/2019 05:07

Depois de Samba de Câmara e de Como é bonito, Benito, Vellozo grava Cada lugar na sua coisa:
Depois de Samba de Câmara e de Como é bonito, Benito, Vellozo grava Cada lugar na sua coisa: "Este trabalho começou a me colocar em contato com a minha essência" (foto: FOTOS: Léo Aversa/Divulgação)


Para reforçar o velho ditado “filho de peixe peixinho é”, o pianista, cantor, compositor e ator Rodrigo Vellozo se mantém fiel aos passos do pai, Benito de Paula, e lança agora seu terceiro disco: Cada lugar na sua coisa (Warner), com 11 faixas, sendo quatro autorais. “Desde o início do projeto, minha ideia era fazer um CD de intérprete, ou seja, penso que é quase um disco de ator. Mas não aquela coisa caricata, porque procurei dar para cada música o que ela precisava. Não é um disco autoral, porque, além de quatro composições minhas, gravei sete clássicos da MPB, inclusive uma parceria com meu pai, que se chama You. Fiz a letra e ele musicou.”

Aos 36 anos, ele diz que o CD nasceu um tanto inspirado da faixa que lhe dá nome. “Foi tirado de uma canção de Sérgio Sampaio, que acabei gravando e se tornou a sexta do álbum. Foi a última música a entrar no repertório. E acabou que ela ficou sendo a única faixa piano e voz, gravada ao vivo. Confesso que aquela letra e gravação surgiram pra mim, num momento de criação artística muito intenso que eu vivia tanto como músico, como ator”, ressalta Vellozo. Sampaio, morto em 1994, é autor da célebre Eu quero é botar meu bloco na rua (1973). Cada lugar na sua coisa é de 1976.

O álbum, ele observa, é o resultado de um “processo de troca que se estabeleceu de maneira muito natural” com os produtores Marcus Preto e Alexandre Fontanetti, também guitarrista: “O repertório nasceu a partir do encontro com Marcus. Foi um processo longo, pois fizemos muita pesquisa e ouvimos muita coisa”. Ele já havia lançado Samba de Câmara, a estreia, em 2009, que misturava MPB com arranjos cameristas. O segundo, Como é Bonito, Benito (2013) é um tributo aos 40 anos de carreira do pai, com quem se apresentou em shows desde a infância, relembra o artista, que iniciou sua carreira no Rio de janeiro, mas como ator.

“Tudo começou quando conheci Marcus Preto, que estava produzindo vários discos na época. O convidei para fazermos este álbum e ele topou na hora. Acredito que neste disco entro em contato com minha personalidade como cantor. Pude colocar a minha voz de uma maneira pura, de intérprete mesmo”, garante Vellozo. “Resumindo, este trabalho começou a me colocar em contato com a minha essência e pensei em trazer isto para a minha música e acho que consegui.”

LIBERTADOR


Em Cada lugar na sua coisa, Vellozo diz que, por meio da voz, apresenta aquilo que tem de mais pessoal e sincero. “Um exercício libertador e muito sensível de aceitação das minhas possibilidades e limitações como cantor. Sinto como se fosse o meu primeiro disco. Acho que a entrega e o empenho de todos os envolvidos tanto na parte artística quanto na parte técnica foram essenciais para que eu pudesse chegar o mais perto possível da minha essência enquanto pessoa e enquanto artista”, avalia.



REPERTÓRIO

Farrapo humano
(Luiz Melodia)

Para fazer sucesso
(Rômulo Fróes/Nuno Ramos/ Guilherme Held)

Tão fácil
(Marina Lima/Antônio Cícero)

Tranquilo
(Maurício Pereira)

Trágico
(Rodrigo Vellozo/Thiago Sak)

Cada lugar na sua coisa
(Sérgio Sampaio)

Anjo
(Nuno Ramos)

Arrego
(Jota Velloso/Andó)

Alívio
(Rodrigo Vellozo/Xande de Pilares)

Mito
(Rodrigo Vellozo/Anna Toledo)

You
(Rodrigo Vellozo/Benito Di Paula)




Na formação, piano erudito

Vellozo é formado em piano erudito pelo Conservatório Brasileiro de Música (RJ), em composição popular na Berklee School Of Music (Boston) e em teatro no Indac (SP). “Confesso que nunca fiz um CD totalmente autoral, mas isto já está em meus planos. Tenho muitas músicas prontas, não será difícil. Na verdade, é meio que sazonal, pois tem épocas que componho muito e, em outras, menos. O meu processo de compor sempre foi assim”. Ele adianta, porém, que neste momento vai se concentrar na turnê pelo país.

No álbum, em que está presente seu piano, ele tem a companhia da banda Cosmopolita, formada por Zé Ruivo (teclados, órgão e piano elétrico), Gustavo Sato (baixo), Dani Andreotti (guitarras) e Bruno Tessele (bateria). Ele abre o CD com Farrapo humano, de Luiz Melodia. “No primeiro encontro com o Marcus Preto, lembro que falamos sobre o disco Pérola Negra, do Melodia, e sobre os de Ângela Ro Ro. Fiquei com Farrapo Humano no meu repertório desde então. Fui cantando nas apresentações que fazia e vi que ela funcionava demais com o público. Aí, não tive dúvidas”.

O álbum traz também a primeira letra de Vellozo, You. “Virou uma parceria com meu pai, a coloquei encerrando o disco. É em inglês e falo do meu amor por ele. Escrevi quando tinha 15 anos e, na época, ia sempre passar as férias com ele, em Sampa”. Nesse período, ele morava no Rio, e Benito, em São Paulo. “Foi quando me aproximei mais ainda da música. A letra fala de minha relação com meu pai, de sua importância e influência. Hoje, moramos juntos na capital paulista”. O artista afirma estar muito confiante neste trabalho. “Espero que o público também goste”.

Além de trabalhar na divulgação do álbum, Vellozo não abandona a cena teatral e vem ensaiando a peça Casa submersa, uma produção da Velha Companhia, de São Paulo, que estreia no Sesc/SP em setembro, com direção de Kiko Marques. Ele já havia atuado em outras peças como Fricção (baseada na obra de Plínio Marcos, dirigida também por Kiko Marques), Henrique V (de William Shakespeare, com direção de Diego Villar), Senhor das Moscas (a partir da obra de William Goulding e direção de Zé Henrique de Paula) e ainda no show solo Trágico, que promovia uma mistura de teatro e música com direção de Renato Andrade.

A gravação de Cada lugar na sua coisa foi feita em apenas três dias. “É um disco gravado, meio que ao vivo”, resume. “Tínhamos feito antes toda uma pesquisa estética para o que a gente queria. Agora, é entrar na luta para levar para a estrada”. O roteiro da turnê sai em breve.


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