Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Argentino Conrado Paulino lança seu quinto álbum

A canção brasileira chega recheado de clássicos como Todo sentimento, de Cristóvão Bastos e Chico Buarque, Falando de amor e Tema de Gabriela, de Tom Jobim. Menina da Lua, do compositor mineiro Renato Motha, também está no novo trabalho do compositor e violonista


postado em 20/04/2019 05:07

Em seu novo trabalho, Conrado Paulino incluiu Menina da Lua, do compositor mineiro Renato Motha (foto: Flávio regis/Divulgação )
Em seu novo trabalho, Conrado Paulino incluiu Menina da Lua, do compositor mineiro Renato Motha (foto: Flávio regis/Divulgação )


O compositor e violonista Conrado Paulino nasceu em Buenos Aires e morou na Argentina até os 18 anos. Era 1978. Sob o comando do presidente Jorge Rafael Videla, o país enfrentava um momento difícil com a ditadura militar. O período foi marcado por repressão política, violações aos direitos humanos perseguição a opositores, censura, torturas e mortes. Foi para fugir desse contexto que Conrado deixou a família e se mudou de mala e cuia para Campinas (SP), onde um amigo portenho já vivia. “Foi ali que comecei a virar músico. Minha formação musical é toda brasileira. Mesmo quando morava na Argentina, as minhas influências sempre foram a MPB”, destaca o artista que reside em São Paulo.

A maior referência é sem dúvida Vinícius de Moraes en La Fusa, considerado o disco de música brasileira mais vendido na história da Argentina e que traz o poetinha ao lado de Toquinho e Maria Creuza interpretando clássicos como A felicidade, Canto de ossanha, Garota de Ipanema e Minha namorada. “A Argentina ama a música brasileira. Se bobear, Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti são mais conhecidos lá do que aqui. Até clube de choro tem em Buenos aires. Mas o contrário não acontece muito, talvez pelo fato de o Brasil ter uma diversidade e uma riqueza musical muito maior, tem a questão do idioma também”, acredita.

O amor e a admiração de Conrado pelos nossos artistas é tamanho que ele acabou se tornado um expert no cancioneiro brasileiro e acaba de lançar o quinto álbum da carreira, A canção brasileira. O disco – disponível nos formatos físico e virtual – traz 12 canções. “Escolher o repertório diante de um universo tão abrangente é muito difícil. Corta o coração deixar alguma música de fora porque tem tanta coisa bonita. Acabei escolhendo por uma questão afetiva, por algum motivo aquela composição me toca de alguma maneira”, explica.

Conrado conseguiu dar uma nova cara a clássicos como Todo sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque), Falando de amor e Tema de Gabriela (Tom Jobim), Sim ou não (Djavan), Menina da Lua (do compositor mineiro Renato Motha) e Dinorah, Dinorah (Ivan Lins e Vitor Martins). “Os arranjos são todos meus e acho importante dar esse toque criativo. Mas o grande desafio é respeitar o compositor e a melodia”, diz o violonista que tem um trabalho autoral. “O melhor compositor aparece no quarteto que leva o meu nome. Mas quem sabe não pinta um álbum só com canções minhas”, anseia.

Conrado começou a tocar num mercado que hoje está cada vez mais escasso: o de bailes. Esse período foi determinante para a sua formação. “A gente tinha tempo para ensaiar, aprender. É diferente do músico que toca na noite. Rodei muito pelo interior de São Paulo, Sul de Minas. Fui fazer faculdade mais tarde e, mesmo antes de ter graduação, já dava aulas em vários lugares”, conta o artista, que lecionou no Centro Livre de Aprendizagem Musical (CLAM) do Zimbo Trio e na Universidade Livre de Música.

TURNÊ

Apesar de ter morado mais tempo no Brasil do que na Argentina, Conrado Paulino carrega um pouco do sotaque. Ele diz que ainda há pessoas que estranham o fato de não ser um brasileiro legítimo e tocar e conhecer tão bem a nossa música. “Mas pra mim isso não existe. Ser brasileiro, ser argentino, não faz a menor diferença. É a mesma coisa de você ser ruivo, careca, negro, branco. E essa coisa da rivalidade, tão alimentada pela mídia, sobretudo daqui, é uma bobagem. O argentino ama o Brasil. Tanto que quando o Vinicius gravou em Buenos Aires o disco com o Toquinho e a Maria Creuza, em 1970, logo depois que o Brasil se sagrou tricampeão, abriu o show com A copa do mundo é nossa e foi aplaudidíssimo”, ressalta.

O show de lançamento de A canção brasileira ocorreu em São Paulo, mas Conrado pretende levar esse projeto para outros lugares, inclusive Minas. “Esse ano está bem complicado, ainda mais pra cultura. Músico tem que atacar em várias frentes. Tanto que, além do meu projeto solo e do quarteto que leva o meu nome, eu toco há vários anos com alguns artistas, como a Alaíde Costa. Mas é o que a gente gosta e sabe fazer. Então, vamos correr atrás”, frisa.


A canção brasileira

Conrado Paulino
12 faixas
Preço médio: R$ 30
Vendas na Discoplay (Rua dos Tupis, 70, Centro) e pelo site www.tratore.com.br


Publicidade