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Estado de Minas

Infarto de mulher


postado em 20/04/2019 05:07


Pesquisa publicada no periódico científico The British Medical Journal analisou os dados de quase meio milhão de pessoas sem histórico de doença cardiovascular, com idade entre 40 e 69 anos. Os autores tinham um objetivo: checar por que alguns fatores de risco podem tornar mais elevada a possibilidade de ocorrência de infarto em mulheres do que em homens – apesar de a possibilidade de ataque cardíaco nos homens ser maior. A fonte foi o UK Biobank, base de dados com informações biológicas sobre os adultos do Reino Unido.

Em sete anos, em média, 5.081 indivíduos (29% mulheres) tiveram seu primeiro infarto. A incidência, nelas, foi de 7,76 por 10 mil pessoas/ano, contra 24,35 por 10 mil pessoas/ano, neles. Os pesquisadores descobriram que pressão alta, diabetes e tabagismo aumentaram o risco de o problema ocorrer em ambos os sexos, mas, entre as mulheres, o impacto foi bem mais significativo.

Mulheres tabagistas apresentaram risco de ataque cardíaco 55% maior do que homens fumantes. Já a hipertensão elevou a probabilidade de o mal ocorrer entre elas em 83%. Por fim, no caso do diabetes tipo 2, o índice foi de 47%, e no do tipo 1, três vezes mais acentuado na ala feminina. Pesquisadores acreditam que esse é o primeiro trabalho a analisar a diferença absoluta e relativa no risco de infarto entre os sexos por meio de uma série de fatores de risco na população em geral. Mas enfatizam: trata-se de um trabalho observacional, o que não permite tirar conclusões de causa e efeito.

“Por esse importante estudo, atual e representativo, tais fatores de risco estatisticamente impactam mais fortemente o coração das mulheres”, alerta a cardiologista e clínica-geral Sofia Lagudis, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “Não se pode afirmar se isso reflete maior sensibilidade cardíaca, se tem a ver com pior controle dos níveis de pressão e diabetes (diferenças de tratamento ou de aderência à medicação, por exemplo), ou mesmo com maior tempo de doença antes de iniciar o tratamento.”

Outros estudos têm demonstrado resultados semelhantes. Há mais evidências demonstrando que o fumo acarreta maior risco de infarto na mulher que no homem. A mortalidade por doença cardiovascular como um todo é maior nas mulheres do que nos homens. “Verificou-se o crescimento da incidência de infarto nas mulheres de meia-idade, na faixa entre 45 e 65 anos”, informa.

De acordo com a cardiologista, a mulher permanece sob risco elevado de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral e morte (mais que os homens), no primeiro ano após um infarto. “Discute-se se isso está relacionado com maiores taxas de hipertensão arterial, diabetes e depressão. Embora o sintoma de infarto na maioria das mulheres seja a dor no peito, a incidência de manifestações atípicas é mais ampla nelas se comparada aos homens, o que pode levar não à identificação do ataque cardíaco, mas à suspeita de um quadro de origem emocional. O infarto pode vir à tona associado ou não à dor no peito. Outros indícios incluem sensação dolorosa ou desconforto em um ou nos dois braços, nas costas, no pescoço, na mandíbula ou no estômago. A respiração também pode ficar curta ou haver falta de ar, náusea e vômito”, informa a especialista.

A boa notícia é que a maioria dos fatores de risco na mulher é modificável, como hábito de fumar, hipertensão arterial e diabetes, observa a doutora Sofia Lagudis. A mulher saudável deveria ser avaliada rotineiramente por um cardiologista a partir da menopausa. Porém, no caso de histórico familiar de doença cardíaca, colesterol alto, dor no peito, falta de ar, taquicardia, depressão alta, diabetes ou tabagismo, essa avaliação deve realizada independentemente da idade.


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