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Conversa de sexta-feira


postado em 19/04/2019 05:07


Gosto de passar a sexta-feira da Paixão com minhas primas, cumprir uma tradição familiar: preparar o esquife que recebe o corpo de Cristo depois do sermão do descendimento da cruz. Acompanho minhas primas que, morando em Santa Luzia, dedicam uma atenção cristã a tudo que ocorre na matriz. Quando viajam para a Europa, metade da bagagem que trazem é destinada ao uso na igreja, alfaias e brocados, cobertura para altares e tudo mais que é bonito para tornar o Santuário ainda mais cuidado. Então, é uma ocupação familiar, desde os tempos de minha baronesa, que usou tecidos preciosos, rendas de ouro, nas doações que fez à liturgia da semana santa. E já contei aqui, mas não custa repetir, que minha mãe, que era craque na pintura, fez um sudário para ser aberto pela Verônica na procissão de enterro.

Acho muito bom manter essa tradição, porque me liga pela fé à cidade em que nasci. E que, para manter uma das tradições luzienses, me fez tão implicante com grandes e pequenas coisas. No ano passado, quando fui participar da preparação do esquife, dei de cara com um rapaz de sandália havaiana, bermuda e camiseta na sacristia da matriz. Como ainda sou do tempo em que era terminantemente proibido desnudar-se na igreja, quis saber quem era. Levei o maior susto quando fiquei sabendo que era o padre, preferi ir embora para não criar caso. Atraso meu, continuo acreditando em tradições, em respeitá-las o tempo todo. Implico muito, por exemplo, com o fato de nosso governador acreditar que o blazer, ou terno, não faz parte do seu cargo. Para mim, esse detalhe é mais do que importante, ninguém vê políticos de outros lugares participando de acontecimento oficiais nessa informalidade. As duas vezes que o vi em situações importantes ele estava fagueiro, de camisa com as mangas dobradas.

E em igreja, esse cuidado é mais do que obrigatório, faz parte do sentimento de respeito ao lugar. Aliás, esse tipo de respeito é uma necessidade para católicos ou turistas. Levei o maior susto quando comecei a assistir ao incêndio da Notre-Dame, em Paris, um monumento de beleza sem igual. Que nos sufoca quando entramos nela pela primeira vez, por sua grandiosidade, beleza e imponência. A beleza é tão grande que a fé não consegue acompanhar, fica sufocada pela imponência. Já estão anunciando que ela será reconstruída como era antes de ser queimada, o presidente francês, Emmanuel Macron, deu um prazo de 5 anos para os trabalhos. Torço para que isso ocorra, que o mundo consiga doar à França o dinheiro necessário para a sua reconstrução. E pela comoção que o incêndio provocou, acredito que a deslumbrante construção gótica será mesmo refeita rapidamente.

Fui lá umas duas ou três vezes, tentando superar a leva de turistas que esperavam sua vez para entrar no templo. E, para manter minha implicância em dia, não podia entender como é que você vai esperar a vez de entrar num maravilhoso templo de fé cristã tomando Coca-cola, comendo cachorro-quente ou na brincadeira, como se a espera fosse na entrada de uma casa de alegre espetáculo. Para não perder a oportunidade de deslumbrar-me com o monumento, gostava muito é de passar um bom tempo na ponte sobre o Sena, que fica na ponta da ilha onde a Notre-Dame foi construída. Longe da multidão, sem ser sufocada pela beleza gótica do seu interior. Ponto de fé para mim, em Paris, sempre foi a capela da Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, que fica na Rua do Bac e sempre repleta de pessoas que vão em busca de esperança e fé. Na maior contrição.


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