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Estado de Minas

Personagem protagonizou disputa entre editoras e acusação de plágio


postado em 15/04/2019 05:06

É curioso que tanto o Shazam quanto a Capitã Marvel tenham protagonizado seus primeiros filmes com apenas um mês de distância. Afinal, a heroína mais poderosa da Marvel e o mortal mais poderoso da DC Comics guardam uma curiosa e turbulenta relação entre si para além das páginas dos quadrinhos. No princípio, entretanto, o personagem interpretado agora pelo ator Zachary Levi não se chamava Shazam e não era propriedade da DC.

Em dezembro de 1939, no ano seguinte à primeira aparição do Superman e no mesmo ano em que o Batman debutou, ambos publicados pela DC, que à época era a National Comics, a editora concorrente Fawcett lançou a revista Whiz Comics, que trazia em sua capa um super-herói com visual bem convencional: roupa colante rubra, capa branca curta e o símbolo de um trovão no peito, combinando com os detalhes dourados no uniforme. Ele era um garoto que gritava “shazam!” e se transformava em homem feito. Seu nome era Capitão Marvel.

A criação de C.C. Beck e Bill Parker para a Fawcett foi acusada pela DC em 1941 de ser uma cópia do Superman  – até a primeira capa da Whiz, que mostrava o herói arremessando um carro com as mãos, lembrava a arte da primeira edição da Action Comics, que marcou a estreia do Homem de Aço e o apresentava segurando um carro. Ao fim desse entrave judicial, anos depois, o Capitão Marvel deixou de ser publicado em 1953, e a editora fechou sua divisão de HQs. A popularidade do herói, contudo, não cessou, e ele acabou voltando às bancas nos anos 1970, agora pela própria DC.

NOME Quando ocorreu esse retorno, a Marvel já havia começado a publicar histórias de um herói com o mesmo nome, em 1967 – ao longo dos anos, a alcunha seria transmitida para outros personagens da empresa, até chegar à atual detentora, Carol Danvers, a Capitã Marvel, que foi interpretada no cinema por Brie Larson.

O Capitão Marvel da Marvel surgiu para impedir que outras editoras usassem esse nome. Portanto, a DC não pôde usar o título original da HQ do personagem quando o relançou, em 1973. A solução foi batizar a revista de Shazam!, que era o grito de Billy Batson, identidade secreta do herói, e colocar como subtítulo ‘‘O Capitão Marvel original’’. A Marvel, no entanto, ameaçou por meio de uma carta processar a DC por essa frase estampada na capa, e foi então que ele passou a ser chamado de “O mortal mais poderoso do mundo”, para evitar mais uma briga nos tribunais.

Desde então, Shazam (cujo nome é um acrônimo para os nomes de figuras mitológicas em referências à sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio) estrelou uma série de TV na década de 1970 – o jovem Billy Batson era vivido por Michael Gray, enquanto o Capitão Marvel foi interpretado por Jackson Bostwick e John Davey – e obteve relativo sucesso nos quadrinhos ao rivalizar com o poder do próprio Superman.

A origem do personagem foi recontada algumas vezes, como é comum no mundo dos quadrinhos, mas a versão que se tornou definitiva surgiu com os Novos 52, uma grande reformulação pela qual a DC passou em 2011. O tom cômico e escrachado que hoje é característico do personagem foi cristalizado pelo roteirista Geoff Johns e pelo quadrinista Gary Frank. Foram eles que aboliram definitivamente o nome Capitão Marvel, chamando-o oficialmente de Shazam (“É assim que todos achavam que ele se chama mesmo”, justificou o escritor na época) e é dessa versão que a adaptação atual, dirigida por David F. Sandberg, retira a maior parte das inspirações e referências. (Agência Estado)


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