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O FIM (NÃO) ESTÁ CHEGANDO

George R.R. Martin e HBO preparam novas histórias derivadas da trama que originou Game of thrones. Segundo autor, narrativa será interminável. Para editora, ele provocou "revolução " no mercado com o gênero fantasia


postado em 14/04/2019 05:09

Estreia da última temporada de Game of thrones será exibida em bares da capital mineira, que pretendem reunir fãs da série em todos os domingos, até 19 de maio(foto: FOTOS: HBO/DIVULGAÇÃO)
Estreia da última temporada de Game of thrones será exibida em bares da capital mineira, que pretendem reunir fãs da série em todos os domingos, até 19 de maio (foto: FOTOS: HBO/DIVULGAÇÃO)

George R. R. Martin começou a escrever sobre o universo fantástico que imaginou em 1990. Seis anos depois, foi publicado nos Estados Unidos A game of thrones (traduzido como A guerra dos tronos no Brasil, onde foi lançado em 2000), que viria a ser o primeiro volume da série chamada As crônicas de gelo e fogo. O segundo título saiu em 1998, e o terceiro, em 2000.

Embalado por boas vendagens, prêmios e muitos elogios de crítica, como a do The New York Times, que descreveu a série como “a melhor fantasia desde que Bilbo achou o anel”, comparando-a com O senhor dos anéis, de J.R.R. Tolkien, seu grande ídolo, Martin publicou o quarto volume em 2005 e o quinto em 2011. Naquele ano, ele viu sua ficção ir para a TV e também originar outras criações, games e todo um leque de produtos, com o sucesso da adaptação televisiva.

No Brasil, As crônicas de gelo e fogo começaram a chegar às livrarias em português apenas em 2010, pela editora Leya. Em 2019, a Companhia das Letras, com o selo Suma, assumiu a edição e a distribuição dos cinco volumes e também do restante da obra de Martin. “Muita gente só conhece As crônicas de gelo e fogo, mas é um autor cuja obra é bem mais antiga. Quando sai o primeiro livro da série, ele já tinha muita coisa publicada. Mas essa série o fez se destacar e atingir outro patamar. Com a chegada da adaptação para a TV, ele foi lançado mundialmente”, diz Beatriz D’Oliveira, editora da Suma, que também lançará Wild cards, série de ficção científica assinada por R. R. Martin.

A editora aponta o escritor norte-americano como “uma revolução” para o mercado de literatura. “Desde Harry Potter, não havia um nível de fandom (termo usado para a subcultura derivada de um universo narrativo), vendas, engajamento e comunidade de fãs assim. Temos muito respeito pela comunidade de Game of thrones e vamos fazer essas edições com cuidado e garantir que os livros não fiquem fora das livrarias”, diz ela.
Fã de O senhor dos anéis e outros títulos fantásticos, a publicitária Gabriela Machado se antecipou à estreia na HBO e comprou o primeiro volume quando soube que a série seria lançada na TV, ainda em 2010. Em seguida, foi adquirindo e devorando os livros seguintes, tão logo saíam por aqui. Entusiasta da história contada em cada livro, ela passou a admirar ainda mais a série.

“Criar uma série exige a excelência de profissionais de áreas diversas. Tem a adaptação de roteiro, o seleção de elenco, a maquiagem e caracterização, a ambientação e direção de arte, os efeitos especiais, o figurino, muita coisa. As descrições de Martin são extremamente detalhadas, muitas vezes utilizando até mesmo nomenclaturas e referências a itens com os quais não somos familiarizados. Algumas coisas acabam passando um pouco batidas. Você sabe que tem tudo ali e consegue ter uma noção de como a imagem da cena se constrói, mas, na hora de fazer a série, existe um excelente profissional dedicado a cada pedacinho dela”, diz a leitora e espectadora, que cita o figurino como o aspecto mais fascinante da adaptação.

ADAPTAÇÃO Conhecedora dos dois caminhos possíveis para consumir a ficção de Martin, Gabriela avalia que cada uma tem suas particularidades. “Livros e séries de TV são mídias completamente diferentes. O que funciona para um não necessariamente funciona para outro. Adaptações são necessárias, por mais que tenhamos um carinho com a história original. E também há de se levar em conta que, quando lemos um livro, a cabeça de cada leitor imagina a coisa de um jeito, com detalhes distintos, e isso acaba influenciando principalmente na aceitação do elenco. Acho que as adaptações da série foram, no geral, muito bem-sucedidas, por mais que eu tenha minhas ressalvas pessoais sobre isso ou aquilo”, diz.

No entanto, ela admite que a leitura que foi tão prazerosa para ela pode ser maçante para quem não se dá bem com fantasias, sobretudo por causa da quantidade de detalhes ou de pontos em que a narrativa difere do que é mostrado na TV. Na estrutura criada pelo autor nos livros, cada capítulo é narrado por um personagem, oferecendo muitos pontos de vista diferentes sobre a história, que adquire assim um nível muito elevado de detalhes.

Martin criou pelo menos mil personagens, dezenas de casas reais, cada uma com seu lema, bandeira e história, dois continentes, inúmeras localidades, além de etnias, religiões, canções e envolvimentos que até agora nem ele conseguiu terminar.

Na verdade, como ele mesmo já atestou em muitas entrevistas, sua fantasia não terá fim, nem com o encerramento da série, em maio deste ano, nem com a publicação do último livro. O próprio autor já escreveu outras publicações derivadas da saga principal, como Fogo & sangue, publicado ano passado pela Suma, contando uma história que se passa 300 anos antes da original. Há ainda os quadrinhos O cavaleiro andante, A espada juramentada e O cavaleiro misterioso, que formam a trilogia O cavaleiro dos sete reinos, também com acontecimentos que precedem Game of thrones. Na TV, a HBO já tem elenco, direção e produção preparados para uma nova série inspirada nesse universo, a ser lançada em 2020 ou 2021.

“A fantasia sempre teve um nicho muito fiel, também no Brasil. Nos EUA, é um gênero muito produzido desde Tolkien, sempre com grandes autores”, pontua Beatriz D’Oliveira. Segunda ela, “o que o George Martin fez foi superpopularizar. Antes, muitas pessoas tinham preconceito, não levavam sério, e ele faz uma história de grande qualidade, representatividade e envolvimento emocional que quebrou barreiras e fez um favor para o estilo, que sempre vai ter novidades”.

GLOSSÁRIO GOT
Entenda termos e personagens que a série acrescentou à cultura pop

The winter is coming…  (O inverno está chegando...)
No mundo de “gelo e fogo”, as estações do ano são irregulares e podem durar anos. Quando os acontecimentos da trama começam, há uma profecia de que um novo inverno se aproxima e, com ele, ameaças sobrenaturais de outras eras.

White walkers

Também traduzidos para “caminhantes brancos”, são seres místicos, criados no gelo capaz de ressuscitar os mortos, comandando um exército de zumbis.

A Muralha
Uma enorme estrutura de gelo, com 220 metros de altura, erguida para separar os reinos de Westeros da terra gelada onde há séculos apareceram os White walkers.

 The night is dark and full of terrors (A noite é escura e cheia de terrores): É o dito profético da personagem Melisandre (Carice van Houten),   sacerdotisa adoradora do Senhor da Luz (as religiões e seitas também são fictícias). Na crença dela, o deus maior é associado à luz e ao fogo, que se opõem às trevas. Ela repete isso tanto na série, que a frase virou um meme.

O Trono de Ferro
Forjado por Aegon Targaryen com centenas de espadas dos inimigos que enfrentou quando conquistou e unificou os sete reinos, é o centro do poder de Westeros. Quem senta nele é o soberano máximo do continente.

Dragões e a Mãe dos Dragões
Os dragões são personagens chave da trama. Decisivos no passado na conquista de Aegon e na manutenção de seus descendentes no poder, eles se encontram extintos há séculos, e os Targaryen destituídos, quando a história dos livros e da TV começa. Tudo muda quando Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), exilada em Essos e última representante viva de sua família, ganha três ovos de dragão e consegue “chocá-los”. Ela cria seus dragões, que crescem e se tornam armas importantes para concluir seu objetivo de reconquistar o trono.

 Jon Snow

Ele é apresentado como um filho bastardo do lorde Ned Stark (Sean Bean), um dos personagens mais importantes. Embora comece como coadjuvante, Jon (Kit Harington) vai ganhando importância por seus feitos, torna-se um herói e fatos importantes sobre sua origem
são revelados.


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