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O FIM ESTÁ CHEGANDO

Primeiro episódio da última temporada de Game of thrones vai ao ar hoje na HBO. Série de TV que se tornou fenômeno mundial antecipa conclusão do livro no qual se baseia. Pesquisadora analisa relação entre as duas linguagens


postado em 14/04/2019 05:09

(foto: FOTOS: HBO/DIVULGAÇÃO)
(foto: FOTOS: HBO/DIVULGAÇÃO)


Neste domingo (14), às 22h, a maior produção da história da TV mundial começa a se encerrar, com a exibição do primeiro dos seis episódios da oitava e última temporada de Game of thrones. Lançada em 2011, a série da HBO conquistou 47 prêmios no Emmy e bateu vários recordes de audiência, arrecadação e pirateamento. Mais do que isso, transformou a trama em um dos maiores itens da cultura pop, com uma legião de fãs semelhante à de clássicos do cinema, como Star wars, ávidos por consumir camisetas, brinquedos e, é claro, histórias.

Porém, antes de Kit Harington, Emilia Clarke, Peter Dinklage, Sophie Turner e Maisie Williams atingirem o posto de supercelebridades interpretando os personagens, a história já existia nas páginas escritas pelo norte-americano George R. R. Martin, autor da série literária As crônicas de gelo e fogo. A atração televisiva acabou avançando em relação à trama dos livros que a originou. Martin ainda não concluiu sua série literária. A conexão entre as duas versões ajuda a explicar como Game of thrones se transformou num fenômeno midiático.

Antes de se dedicar à obra, cujo primeiro volume foi lançado nos EUA em 1996 (no Brasil, em 2010), Martin, hoje com 70 anos, era roteirista em Hollywood, com passagens pelas séries Além da imaginação e A Bela e a Fera, nos anos 1980. Ironicamente, foi a literatura que lhe deu seu maior sucesso na TV, quando David Benioff e D. B Weiss idealizaram e lançaram Game of thrones na HBO. O trabalho da dupla, que sempre contou com a colaboração do autor, foi capaz de transformar os extensos romances ficcionais, com mais de 700 páginas cada um e mais de mil personagens citados, em um programa televisivo atraente para milhões de pessoas, mesmo apresentando um enredo fantasioso complexo e muitas cenas de violência extrema, sexo e nudez.

O sucesso fez a criatura engolir seu criador. Diferentemente da série de TV, que terá seu último capítulo exibido em 19 de maio, a literária não foi concluída nem tem previsão de data para isso. O quinto volume de As crônicas de gelo e fogo saiu em 2011, ano em que a trama televisiva começou. Ainda estão previstos mais dois volumes para arrematar a história. Ocorre que Martin está longe de terminá-los e já revelou sentir certa frustração por ver a versão adaptada antecipar o final, que não necessariamente será o mesmo em seus livros.

Até a sexta temporada, exibida em 2016, o que se via na TV tinha grande proximidade com o que se lia nos livros. Porém, eles ficaram para trás, e a sétima sequência, exibida em 2017, já não se baseou especificamente em nenhum dos cinco volumes publicados, assim como é o caso desta oitava temporada.

CASAMENTO Mas isso não necessariamente ameaça o casamento entre a literatura e a TV. Doutoranda em comunicação social pela UFMG e mestra em comunicação midiática pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, a pesquisadora Kellen do Carmo Xavier, que estuda ficção fantástica e relações de gênero, destaca que as séries televisiva e literária fazem parte do mesmo universo ficcional.

“Ao mesmo tempo em que essa complexidade pode afastar alguns consumidores, atrai outros, que não se satisfazem em apenas ver a série. Vão ler os livros, pesquisar sobre a saga na internet e se reunir em comunidades on-line, por exemplo”, cita Kellen. “É característico do que chamamos sagas fantásticas essa expansão e dispersão de um mesmo mundo entre diferentes meios e linguagens. Via série de TV, muitos consumidores tiveram uma amostra do universo criado por George R. R. Martin e de como, nele, nem tudo é o que parece”, afirma a pesquisadora, autora de uma monografia sobre o arco narrativo em torno do personagem Jaime Lannister (Nikolaj Coster-Waldau) na série de TV.

“Se você pensar em As crônicas de gelo e fogo e em Game of thrones como uma mesma saga fantástica, vai entender essas narrativas não como concorrentes, mas complementares. Consumir ambos dá acesso a mais informações sobre o universo de que fazem parte do que cada produto isolado”, diz.

Para a acadêmica, a notoriedade de Game of thrones no gênero fantástico está relacionada à forma como os personagens são desenvolvidos, tanto nos livros quanto na TV. “Para compreendê-los, não é suficiente conhecer suas ações, é preciso ter acesso às suas motivações. Quando você entende por que Jaime tornou-se o Regicida (desde o começo da trama, ele é conhecido assim por ter assassinado o rei que deveria proteger como membro da guarda real), você passa a vê-lo de uma forma diferente. E quando é visto de outra forma por Brienne (Gwendoline Christie), ele começa a se mostrar diferente também. Enquanto muitas fantasias oferecem o ponto de vista de apenas um personagem, Game of  thrones permite compreender mais a fundo uma porção de personagens, que, assim como Jaime, mostram-se mais complexos do que poderíamos estar esperando”, diz Kellen.

Com tantas reviravoltas, revelações e surpresas, que incluem a morte de vários personagens importantes, o enredo apresenta aspectos que o tornam único em meio a tantas sagas envolvendo reis, rainhas, espadas e dragões. “Muitos fãs que participaram da minha pesquisa destacaram o modo como Game of thrones consegue se mostrar realista, mesmo se passando em um universo ficcional. Os dilemas das personagens e as disputas de poder não só estão presentes, como são tratados em profundidade. A saga também se destaca por permitir que o leitor e o espectador conheçam a história por meio dos pontos de vista de várias personagens, muitas delas mulheres. Já na franquia cinematográfica de O Hobbit, foi necessário criar uma personagem feminina (Tauriel), pois o livro de J. R. Tolkien não tinha nenhuma mulher retratada em profundidade. Além disso, George R. R. Martin e os produtores da série sabem selecionar muito bem o que mostrar e o que ocultar para despertar curiosidade e surpreender”, avalia a pesquisadora.

Game of thrones x As crônicas de gelo e fogo


Se você não é iniciado no assunto que domina as conversas neste domingo, entenda do que todo mundo está falando com o breve guia a seguir

 


O que é Game of thrones?

É a série de TV da HBO, criada e produzida por David Benioff e D. B Weiss, inspirada na série literária As crônicas de gelo e fogo. A história foi contada em oito temporadas.
1ª (10 episódios) – 2011 emc10108
2ª (10 episódios) – 2012 emc10106
3ª (10 episódios) – 2013 emc10105
4ª (10 episódios) – 2014 emc10104
5ª (10 episódios) – 2015 emc10103
6ª (10 episódios) – 2016 emc10102
7ª (7 episódios) – 2017 - emc10107
8ª (6 episódios) – 2019* - emc10109
*Um episódio a cada domingo, a partir de hoje (13) até 19 de maio

O que são As crônicas de gelo e fogo?
É a série literária escrita por George R. R. Martin. A história é contada em cinco livros já publicados e ainda será concluída em outros dois volumes a serem lançados.

Livro 1 - A guerra dos tronos (704 páginas) - 1996 nos EUA e 2010 no Brasil
Livro 2 - A Fúria dos reis (784 páginas) - 1998 nos EUA e 2011 no Brasil
Livro 3 - A tormenta das espadas (992 páginas) - 2000 nos EUA e 2011 no Brasil
Livro 4 - O festim dos corvos (784 páginas) - 2005 nos EUA e 2012 no Brasil
Livro 5 - A dança dos dragões (959 páginas) - 2011 nos EUA e 2012 no Brasil
Livro 6 - The winds of winter (Os ventos do inverno) - sem data de lançamento
Livro 7 - A dream of spring (Um sonho de primavera) - sem data de lançamento

Qual é a história dos livros e a da série de TV?
É uma fantasia, que se passa em um mundo medieval imaginário. A trama é sobre uma guerra entre diferentes casas dinásticas pelo trono de Westeros e seus sete reinos unificados. Essa disputa ocorre em paralelo à ameaça de um apocalipse comandado por mortos-vivos vindos de terras geladas.

Onde a história se passa?
Em um mundo imaginário com características semelhantes às da Terra. Os acontecimentos se dividem em dois continentes: Westeros, que seria análogo à Europa, e Essos, que guarda aspectos geográficos mais próximos do Norte da África e Oriente Médio.

Quando se passa a história?
Como tudo acontece em um mundo imaginário, a história não é inserida na cronologia que conhecemos. No entanto, as estruturas sociais são semelhantes às da Idade Média.


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