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Estado de Minas

O sucesso vira crise para a 'rainha do sexo' em 'De pernas pro ar 3'

No longa que estreia nesta quinta (11), Alice Segretto (Ingrid Guimarães) lida com o alto preço a pagar pela bem-sucedida carreira como proprietária de sex shop e busca equilíbrio entre a vida profissional e a familiar


postado em 11/04/2019 05:08

O terceiro filme da franquia De pernas pro ar estreia nesta quinta (11) em aproximadamente mil salas em todo o país. Dois primeiros títulos somam mais de 8 milhões de espectadores(foto: Desirée do Valle/divulgação)
O terceiro filme da franquia De pernas pro ar estreia nesta quinta (11) em aproximadamente mil salas em todo o país. Dois primeiros títulos somam mais de 8 milhões de espectadores (foto: Desirée do Valle/divulgação)

A entrevista com Ingrid Guimarães está marcada para as 13h de sábado (6), mas tem que ser adiada por um motivo mais do que justo: a atriz iria conferir uma apresentação de sua filha Clara, de 9 anos, na escola. Alice Segretto, a personagem de Ingrid na franquia cinematográfica De pernas pro ar, cujo terceiro título estreia nesta quinta (11), também é mãe de uma Clara (Duda Batista) – o nome é uma homenagem à filha da atriz – e de Paulinho (Eduardo Melo). Só que ela não acompanhou tão assiduamente as atividades escolares dos filhos, por estar dedicada com muito afinco à própria carreira de empresária no ramo de sex shop.

“Mas mesmo assim ela (a personagem) é superparecida comigo. A Alice tem muito da Ingrid. É, sem dúvida, o papel com que mais me identifiquei em toda a minha carreira. Ela tem muito a ver com a mulher da minha geração, que conquistou muita coisa, foi para o mercado de trabalho e se realizou profissionalmente, mas pagou um preço alto por isso. É sempre complicado equilibrar os pratinhos”, afirma Ingrid.

O terceiro (e provavelmente o último) título da franquia estreará em aproximadamente mil salas no país, sete anos após o lançamento de seu antecessor. O primeiro De pernas pro ar chegou aos cinemas em dezembro de 2010 e fez surpreendentes 3,5 milhões de espectadores. A sequência veio dois anos mais tarde e superou a marca do primeiro filme, com um público de 4,8 milhões. A expectativa dos produtores em relação à performance deste terceiro é alta.

“Tinha essa cobrança do público e do mercado para que houvesse uma continuação, mas a ideia tinha que ser boa. E acredito que De pernas pro ar 3 não só renova, como se mantém fiel aos personagens e à trama”, afirma Julia Rezende, que assumiu a direção do terceiro longa, depois de ter sido assistente de Roberto Santucci nos dois anteriores. Julia não nega a pressão por resultados numa franquia de índices tão altos, mas contemporiza.

“O cinema brasileiro está atravessando um momento difícil. Vamos torcer para que as pessoas comprem o (título número) 3, assim como os anteriores. Nas sessões de pré-estreia, estão respondendo muito bem”, diz. Ingrid Guimarães também aponta para a diferença no cenário do país entre os lançamentos anteriores e o desta quinta-feira. “O momento é bem diferente de quando tudo começou. A concorrência aumentou, o nosso cinema vive uma situação complicada. Assistir a um filme nacional hoje em dia é quase um ato político. Daí a importância de o espectador assistir ao nosso filme já na primeira semana, para dar fôlego.”

ROTEIRO Na opinião da atriz, as mudanças são perceptíveis também no roteiro, que ela assina junto com Marcelo Saback e Rene Belmonte. Ela observa que desta vez a história “é mais voltada para questões familiares e tem uma visão muito feminista, mesmo quando fala dos homens. Aliás, dos três (filmes), é o que mais dá espaço para o marido da Alice. Por isso era importante esse olhar de uma mulher na direção, ainda mais a Júlia, que é uma excelente profissional”. Atriz e diretora trabalharam juntas também na versão brasileira do longa argentino Um namorado para minha mulher (2016).

Em De pernas pro ar 3, Alice está mais agitada do que nunca. As lojas Sexy Delícia são um sucesso no mundo todo, e ela viaja sem parar. Mas, subitamente, a incorrigível workaholic se dá conta de que está cada vez mais longe do marido, João (Bruno Garcia), e dos filhos – o adolescente Paulinho e Clara, que, aos 6 anos, fica sob os cuidados de Rosa (Cristina Pereira). A empresária acaba tomando uma decisão que surpreende todos. Durante a festa de abertura da primeira filial em Paris, ela anuncia que entregará o comando dos negócios para sua mãe, Marion (a sempre ótima Denise Weinberg), para se dedicar à família.

Mas a jovem Leona (Samya Pascotto) entra em cena com um produto erótico revolucionário e rouba não apenas o lugar de Alice nesse disputado mercado internacional, como também o coração de Paulinho. Essa sucessão de eventos coloca em xeque os planos de Alice.

O elenco conta com Maria Paula e as participações de Cauã Reymond e Stepan Nercessian. Mas é Samya quem se destaca, por seu desempenho e pela pitada de novidade que sua personagem traz a uma história que já demonstra dificuldades em fugir da fórmula “mais do mesmo”. Leona surge como uma nova Alice, mais high-tech. Contar com a atriz no elenco era um desejo antigo da equipe, conforme afirma a diretora. “Eu já tinha visto o trabalho dela na série Vizinhos, de Luiz Villaça, que passava no GNT. Assisti a todos os episódios e fiquei impressionada com o talento dela. Fiquei louca para trabalhar com a Samya. Tanto é que ela fez uma participação em Um namorado para minha mulher. Agora surgiu a oportunidade de tê-la em um projeto maior”, diz Julia Rezende.

Já a inclusão de Duda Batista foi uma sugestão de Ingrid. A menina de 8 anos já havia interpretado a filha da atriz no filme Fala sério, mãe (2017), quando viveu a fase da infância da personagem de Larissa Manoela. “Ela é fora de série, incrível. E agora já foi escalada para a próxima novela das 21h (A dona do pedaço, TV Globo)”, diz Ingrid.

Depois de Nova York ter sido o cenário para a história do segundo longa, a trupe desta vez vive suas peripécias na capital francesa, a cidade em que mais se filma no planeta, segundo diz Julia, e onde, precisamente por isso, as regras são mais rígidas. “Tivemos que ir algumas vezes antes para escolher as locações. Tudo tinha que ser previamente definido. Mas tínhamos uma equipe francesa que nos ajudou muito. A estrutura foi excelente. Foram momentos muito divertidos e inesquecíveis. Paris é uma cidade cinematográfica que está no nosso imaginário e acabou se tornando uma personagem do filme”, diz a diretora.

Ingrid, cuja carreira ganhou novo impulso com a franquia De pernas pro ar, afirma que os efeitos positivos desse sucesso não se restringem a ela. “A gente tinha muito filme estrelado por homens, especialmente na comédia – Leandro Hassum, Bruno Mazzeo, Fábio Porchat. E o De pernas quebrou um pouco isso, abrindo as portas para várias protagonistas femininas.”


NA TELINHA
E NA TELONA


Após viver a portuguesa Elvira Matamouros, uma atriz sem talento e fracassada, na novela Novo mundo (2017), Ingrid Guimarães vai interpretar Silvana Nolasco, uma estrela de novelas, na próxima trama das 19h da Globo, Bom sucesso, escrita por Rosane Svartman e Paulo Halm. “É uma outra pegada bem diferente da Elvira, que não tinha talento e se achava a melhor atriz do mundo. Agora, essa personagem é muito famosa, tem milhões de seguidores e estará no núcleo de humor”, conta Ingrid. A estreia do folhetim está prevista para julho. Já Julia Rezende começou a rodar seu novo longa, Depois a louca sou eu, que conta a história de uma mulher marcada pelas manias, ataques de pânico e outras consequências de sua angústia e ansiedade. O longa, inspirado no livro homônimo de Tati Bernardi, traz as atrizes mineiras Débora Falabella e Yara de Novaes.


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