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Sérgio Alcides explica por que é fácil gostar de Manuel Bandeira

Professor da UFMG analisa obra do poeta nesta terça (9) em BH e mostra que a espontaneidade aparente de sua obra esconde uma laboriosa construção


postado em 09/04/2019 05:08

Cena do curta O poeta do castelo, de Joaquim Pedro de Andrade, que será exibido antes do bate-papo no Café do Minas Tênis Clube (foto: INSTITUTO MOREIRA SALLES/REPRODUÇÃO)
Cena do curta O poeta do castelo, de Joaquim Pedro de Andrade, que será exibido antes do bate-papo no Café do Minas Tênis Clube (foto: INSTITUTO MOREIRA SALLES/REPRODUÇÃO)


“Como ler Manuel Bandeira” é o tema da edição desta terça-feira (9) do projeto “Letra em cena”, realizado pelo Minas Tênis Clube, com o objetivo de difundir grandes autores. A poesia do escritor pernambucano será analisada pelo poeta e professor da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sérgio Alcides, A atriz Bruna Kalil Othero declamará trechos da obra de Bandeira (1886-1968), ao fim do bate-papo com o público.

Eleito imortal da Academia Brasileira de Letras em 1940, o autor de Os sapos e Vou-me embora pra Pasárgada é admirado há gerações por suas poesias publicadas em mais de 10 livros. O estilo peculiar de falar sobre sentimentos, beirando a informalidade, será analisado por Alcides, que pretende se debruçar principalmente sobre as obras lançadas entre 1930 e 1950.

Com a intenção de “falar mais sobre os poemas do que sobre a pessoa”, o professor irá propor uma leitura compartilhada de alguns poemas. “Pretendo desmanchar a impressão de espontaneidade que ele transmite. Quero mostrar ao público como essa aparência esconde um trabalho de arte muito intenso”, explica, lembrando, em contrapartida, que “o trabalho de Manuel Bandeira tem a ver com uma consciência artística profunda sobre a forma da poesia, sua vivência estética e o que ela pode fazer na vida de um indivíduo”.

Ainda sobre as características da escrita do autor pernambucano, que fez parte do modernismo brasileiro, Alcides aponta que “Manuel Bandeira é um poeta muito sedutor por causa desse truque de falar mais perto do leitor. É uma linguagem que não é opressiva para quem lê, inclusive para quem não é assíduo da poesia. Ele facilita a aproximação, mas isso não quer dizer que ele facilite a experiência”.

GOSTAR E ESQUECER

O professor observa que “vivemos uma época de extrema facilitação do simbólico. Tudo é feito para se gostar e se esquecer logo, dentro da indústria do entretenimento. Obviamente, a poesia não pode ser experimentada como quem ouve uma música no rádio. Requer atenção e dedicação. Mas Manuel Bandeira facilita essa aproximação por ser cativante. Se você é fisgado pela leitura e decide se abrir, vai se identificar com várias coisas, se sentir explicado em algumas emoções e compreender aquela magia da obra de arte que se impõe ao leitor quando ele empresta um pouco de si”.

Sérgio Alcides ainda aponta outra particularidade que torna o trabalho do poeta bem assimilável atualmente, mesmo que suas primeiras obras tenham sido lançadas há 100 anos, como o livro Carnaval, de 1919. “Além dos poemas, ele criou também uma espécie de personagem. Uma persona, que em latim significa máscara. De certa maneira, se dirige ao leitor com essa máscara de um homem frágil, tuberculoso, com um pé na vida e outro na morte, solitário, pobre, que vive à mercê da frustração e dos desejos. E é possível sentir o prazer dessa companhia por meio da leitura. Tem muito a ver com ele, mas é outra pessoa. O poeta morreu, mas essa persona continua viva. O hálito dele é a poesia, o perfume é o texto”, argumenta.

Antes da conversa com o público, será exibido o curta-metragem documental O poeta do castelo, de 1959, dirigido por Joaquim Pedro de Andrade. Com 10 minutos de duração, o filme mostra o cotidiano de Manuel Bandeira no pequeno apartamento em que vivia no Centro do Rio.

LETRA EM CENA. COMO LER MANUEL BANDEIRA


Com o poeta e professor Sérgio Alcides. Leitura de trechos da obra de Bandeira pela atriz Bruna Kalil Othero e exibição do curta O poeta do castelo, de Joaquim Pedro de Andrade. Nesta terça (9), às 19h, no Café do Centro Cultural Minas Tênis Clube (Rua da Bahia, 2.244, Lourdes). Entrada franca, com retirada de ingressos no site www.sympla.com. Mais informações: (31) 3516-1360.


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