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Estado de Minas

Cineasta russo ganha liberdade parcial

Kirill Serebrennikov tem ordem de prisão domiciliar retirada, mas Justiça russa continua proibindo-o de sair de Moscou. Diretor do aclamado Lego é acusado de fraude, mas seus defensores afirmam que ele %u2018paga%u2019 por ousadia em suas obras


postado em 09/04/2019 05:08

Kirill Serebrennikov, diretor do aclamado Leto, é conhecido por misturar política, sexualidade e religião em suas criações (foto: Kirill KUDRYAVTSEV/afp)
Kirill Serebrennikov, diretor do aclamado Leto, é conhecido por misturar política, sexualidade e religião em suas criações (foto: Kirill KUDRYAVTSEV/afp)


O diretor de cinema e teatro russo Kirill Serebrennikov, em prisão domiciliar desde agosto de 2017, sem acesso a telefone ou internet, poderá voltar ao trabalho depois que o tribunal que o julga pela acusação de fraude decidiu retirar a pena. A decisão representa a liberdade do diretor, que rejeita a as acusações, e que agora poderá se deslocar livremente, mas sem poder abandonar Moscou.

“Isto significa que continuará morando em seu apartamento de Moscou, mas poderá sair para trabalhar”, afirmou  Dmitri Kharitovov, um de seus advogados. O tribunal anunciou a mesma decisão para outras duas pessoas acusadas no caso, que o mundo da cultura considera um novo ataque dos meios conservadores contra os artistas.
Serebrennikov, diretor artístico do Centro Gogol, que ele transformou no centro nervoso da cultura contemporânea em Moscou, disse que pretende retomar rapidamente suas atividades, embora em sua prisão domiciliar tenha conseguido trabalhar em vários filmes e espetáculos.

“Não é fácil psicologicamente, mas há muitas coisas a fazer. Temos espetáculos, ensaios”, afirmou o diretor de Leto, filme ovacionado no ano passado no Festival de Cannes, em declarações à agência Interfax.

Serebrennikov está sendo julgado por fraude, acusado de supostamente ter desviado 130 milhões de rublos (1,7 milhão de euros) de subsídios públicos destinados a seu teatro em Moscou, graças a um sistema de orçamentos e notas fiscais falsas entre 2011 e 2014. No início do julgamento, em novembro, o promotor o acusou de ter coordenado “um grupo criminoso” com o objetivo de enriquecimento pessoal.

Mas o diretor respondeu que trabalha apenas em “processos artísticos e na criação de programas” e declarou que não roubou nada. Serebrennikov foi detido na madrugada de 22 de agosto de 2017, quando rodava um filme em São Petersburgo. Depois foi colocado em prisão domiciliar. Desde então, personalidades culturais da Rússia e de todo o mundo pediram a retirada das acusações.

Para seus partidários, o diretor paga por sua liberdade de criação e por suas obras frequentemente ousadas, que misturam política, sexualidade e religião em um país onde as autoridades promovem os valores tradicionais e conservadores.

Em prisão domiciliar, o diretor não compareceu à exibição de seu filme em Cannes, em maio do ano passado, onde o longa-metragem foi aclamado pela crítica. Ele completou a montagem da obra em sua casa.

POLÊMICA

 Também não compareceu, em dezembro, à estreia do balé Nureyev, no Teatro Bolshoi de Moscou, sobre o bailarino soviético que fugiu para o Ocidente em 1961. A polêmica sobre o espetáculo provocou um adiamento de seis meses da obra. Em março, estreou em Hamburgo (Alemanha) sua versão da ópera Nabucco, de Verdi.

Para preparar o espetáculo, os ensaios eram filmados com um telefone celular e enviados ao advogado do artista, que os passava para cartões de memória e entregava ao diretor. Kirill Serebrennikov filmava seus comentários, que eram transmitidos a Hamburgo. (AFP)


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