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Bate-papo e debates ganham espaço no teatro em BH

Interação com a plateia é realizada após apresentação das peças. Para atores e diretores, troca de ideias com o público traz reflexões e questionamentos que enriquecem o trabalho no palco


postado em 08/04/2019 05:08

Nathalia Timberg chega a BH neste fim de semana para encenar Através da Iris, em homenagem aos seus 90 anos, e participará de bate-papo com a plateia(foto: Rodrigo Lopes/DivulgaçãoRodrigo Lopes/Divulgação)
Nathalia Timberg chega a BH neste fim de semana para encenar Através da Iris, em homenagem aos seus 90 anos, e participará de bate-papo com a plateia (foto: Rodrigo Lopes/DivulgaçãoRodrigo Lopes/Divulgação)


No próximo fim de semana, a atriz Nathalia Timberg apresenta, pela primeira vez em Belo Horizonte, o espetáculo comemorativo de seus 90 anos, o documentário cênico Através da Iris. A peça, que tem texto de Cacau Hygino e direção de Maria Maya, faz homenagem à nova-iorquina Iris Apfel, ícone da moda que, aos 97 anos, é empresária, designer de interiores e uma das referências mundiais na arte pop e no universo fashion. Após a sessão que fará no domingo (14), Nathalia participará de bate-papo com o público, uma prática que tem se tornado cada vez mais comum nas produções teatrais do país. Só para citar alguns exemplos, foi assim com Os guardas do Taj, com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi, que se apresentaram recentemente no Cine Theatro Brasil Vallourec; com Pi – Panorâmica insana, estrelado por Cláudia Abreu e Leandra Leal, encenado no Sesc Palladium no fim de março, e com Baixa terapia, protagonizado por Antonio Fagundes e que esteve no ano passado na cidade.

 

Aliás, não é de hoje que Fagundes tem colocado o público mais próximo de suas produções, convidando-o a participar de ensaios abertos ou permanecendo para debates após a encenação. Na ocasião, o ator chegou a dizer ao Estado de Minas que essa participação do espectador acaba enriquecendo o trabalho dos artistas. “Em Baixa terapia, chegamos a ter mais de 800 pessoas acompanhando todo o processo de criação. O público acaba se tornando um integrante da produção, ainda mais na comédia, em que as pessoas interagem mais. E, no fim dos espetáculos, eles fazem perguntas, a gente debate. É garantia de mais risadas”, comentou.

 

Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, na Praça da Liberdade, a peça Banho de sol, novo espetáculo da Zula Cia. de Teatro – que tem sessão hoje, às 19h – também tem promovido, após as apresentações de sábado, debates sobre questões levantadas pela produção. A montagem aborda a vida de mulheres do sistema prisional e é fruto do projeto A arte como possibilidade de liberdade, composto, entre outras atividades, por aulas de teatro que foram realizadas em um complexo penitenciário feminino ao longo de um ano, durante o banho de sol das detentas.

 

Mariana Maioline, uma das atrizes em cena ao lado de Gláucia Vandeveld, Kelly Crifer e Talita Braga, acredita que pelo próprio processo de construção do espetáculo era importante realizar essas conversas com a plateia. “As pessoas que convidamos para debater são ligadas a essa temática e há um interesse e um desejo do público de conhecer mais sobre a realidade dos presídios femininos. Claro que surgem questões sobre o fazer teatral, dúvidas sobre a peça mesmo, e essa curiosidade e essa troca são muito válidas”, analisa.

 

A atriz acredita que há um interesse das pessoas em refletir e discutir sobre o que estão assistindo e cita como exemplo o saudoso avô, que, sempre após uma sessão de cinema ou de teatro com a família, soltava: “E aí, vamos comentar?”. “A gente acha que a plateia não vai se interessar por esses bate-papos, que o espetáculo fala por si, mas muita gente tem permanecido e participado. E isso nos surpreendeu. Tem muita coisa envolvida, como formação de público, troca de conhecimento e experiências, é um aproximar não só dos artistas, e do tema da peça, mas do próprio fazer teatral”, salienta Mariana.

TENDÊNCIA O diretor Marcos Malafaia, do Giramundo, vê com bons olhos essas ações. O grupo encerra hoje, também no CCBB, a temporada de O pirotécnico Zacarias, montagem adaptada de contos do escritor Murilo Rubião, e que chegou a fazer na última quinta um debate com a plateia. Malafaia explica que instituições culturais como o próprio Centro Cultural do Banco do Brasil e o Itaú Cultural têm adotado como protocolos esse tipo de atividade justamente pensando na formação e na qualificação do público. “E é uma tendência também das leis de incentivo criar mecanismos de interação mais intensa entre espetáculo e espectador, para que não se torne um entretenimento passivo, mas sim algo que provoque discussão, transmita conhecimento, transfira know- how”, ressalta.

 

E essa interação e inclusão do público não se limitam aos debates. O Giramundo promove outras manifestações de troca, como workshops. Marcos Malafaia destaca que pelo fato de o grupo ter nascido dentro de uma universidade – a UFMG – e tendo a maior parte dos integrantes vindos desse meio, as atividades sempre foram atreladas a projetos de educação. “Estar próximo à academia acaba estimulando o pensamento científico, crítico. Esse é o nosso viés e isso acaba indo para dentro dos espetáculos”, frisa o diretor, que torce para que, com o passar do tempo, eventos, produtores e agentes culturais incorporem essas medidas como desdobramento do processo de produção de um espetáculo.

ALÉM DA CORTINA Ele ressalta ainda que um programa de entretenimento não pode e não deve ser uma diversão pura e simples. Muito pelo contrário. E que a troca é sempre positiva. “Não é um fluxo de mão única; apenas do palco para a plateia. Quando o espectador devolve para quem está em cena o seu pensamento através de perguntas, debates, questionamentos, temos um feedback do nosso trabalho, da nossa linguagem e isso só enriquece”, defende. Malafaia destaca também que essas reuniões com o público ajudam a desmitificar os artistas, justamente pelo fato de ser um encontro, uma celebração humana. “Essa barreira entre o palco e a plateia acaba transformando os artistas em seres superiores, inatingíveis, algo que eles não são. Somos seres humanos. Acho muito bacana essa coisa de abrir a cortina e mostrar como o truque foi feito, o que realmente acontece”, opina. No entanto, o diretor acredita que cabe bom senso para não quebrar totalmente a magia. “Acredito que conhecimento nunca destrói o encantamento; ele potencializa”, enfatiza.

PROGRAME-SE

O pirotécnico Zacarias, com o Grupo Giramundo. Hoje, última sessão, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários.
(31) 3431-9400. Ingressos: R$ 30 (inteira)
 e R$ 15 (meia).

Através da Iris, com Nathalia Timberg. Sábado (13), às 20h, e domingo (14), às 19h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia. (31) 3241-7181). Ingressos: plateias 1 e 2 R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Bate-papo com a atriz após a sessão de domingo (14), com mediação da jornalista Cris Guerra.

Banho de sol. De sexta a segunda, até 22/4, às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários. (31) 3431-9400. Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Bate-papo sábado (13), com Natália Martino (jornalista e pesquisadora) e Leo Drummond (fotógrafo), autores do livro Mães do cárcere; Andreia de Jesus, deputada estadual; e Cida Falabella, vereadora. Dia 20, debate com Daniela Tiffany Prado de Carvalho, psicóloga, pesquisadora e especialista em
 segurança pública.


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