Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Fazer cera


postado em 01/04/2019 05:05

Coisa irritante para quem está perdendo o jogo de futebol é ver algum adversário, geralmente o goleiro, retardar a devolução da bola só para ganhar tempo. Isso, todo mundo sabe, é fazer cera, mas qual será o berço dessa expressão?

Falemos de abelhas. Na Antiguidade, a cera que elas produzem era dada como pagamento de impostos e outras obrigações. A ilha da Córsega, por exemplo, pagava a Roma o tributo anual de 38t de cera! Entre nós, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro, criada em 1567, pagava seus funcionários com cera, matéria-prima para iluminação, veja você.

Produzida por glândulas no abdômen das abelhas-operárias, a cera é usada para a construção dos favos. Segundo Maria Teresa do Rego Lopes, pesquisadora da Embrapa, a construção de um só alvéolo (pequenas unidades de formato hexagonal que constituem o favo) exige minucioso trabalho de equipe e leva tempo – as operárias consomem 7kg de mel para produzir 1kg de cera. Elas executam com movimentos rápidos outras atividades, mas nessa são relativamente morosas – lentidão que explicaria a origem do desespero de muita torcida. Mais que suplício, um perigo para as coronárias...

ABAPORU – Estranho nome do famosíssimo quadro pintado por Tarsila do Amaral, que fez furor na 24ª Bienal de São Paulo, em 1928, e se tornou notável ícone da moderna pintura brasileira. O quadro exibe uma figura monstruosa de pés enormes, sentada numa planície verde, braço alado repousando num joelho, a mão sustentando uma cabecinha minúscula, diante de um cacto absurdo. A palavra abaporu vem do tupi awa a’wa, homem, índio, e de poru, aquele que come carne humana, antropófago. A inspiração da obra, segundo a pintora, nasceu de imagens subconscientes sugeridas por histórias que ela ouvira em criança, contadas na hora de dormir pelas velhas negras da fazenda. A inusitada figura levou Oswald de Andrade, depois marido de Tarsila, a divulgar o polêmico Manifesto Antropofágico. Esse Oswald, aliás, marcou época com loucuras e excentricidades. Quer ver um exemplo? O incrível nome de seus filhos: Rolando pela Escada Abaixo de Andrade e Lança Perfume Rodometálico de Andrade. Só faltou o Abaporu...

MAÇANETA – O nome da peça que serve para abrir portas e gavetas vem de maçã, do latim mattiana, com o acréscimo do sufixo eta, indicando diminutivo. Quer dizer, maçaneta é uma pequena maçã, a fruta que acompanha o homem desde sua origem, frequentemente relacionada ao proibido, ao tentador, ao pecado original cometido por Eva, a primeira mulher que, na tradição bíblica, ofereceu a maçã a Adão, que a comeu e ficou com o pomo na garganta. A maçaneta também tem inspirado muitos autores. Acionada para abrir um cômodo, pode desencadear desde sensuais cenas de alcova até o mais cruel dos crimes, passando por prosaicas situações domésticas. Marcel Proust, que sabia das coisas, descreveu uma maçaneta em 80 páginas num de seus livros...

MALUCO – Na Indonésia, ficam as Ilhas Molucas, palavra que vem do vocábulo local maluku. Quem nasce lá é moluco ou molucano. O termo tem origem curiosa. É que os portugueses chegaram lá em 1512, ávidos pela riqueza daquelas terras de valiosas especiarias. Em 1570, enfrentaram furiosa revolta dos malucos – assim se escrevia a palavra naquela época –, que deixou assombrados os lusitanos pela ferocidade sangrenta e prolongada. Dessa veemente e ensandecida reação derivou o sentido de louco, aquele que sofre de distúrbios mentais ou, figurativamente, ama loucamente, como diz a canção de Caymmi: “Só louco/ amou como eu amei/ Só louco/ quis o bem que eu quis/ Ah!, insensato coração/ Por que me fizestes sofrer?/ Porque de amor para entender/ É preciso amar”...

FRANCISCO – É prenome com origem no germânico, referente a uma tribo de franks, cujo significado veio do latim francus, ou seja, de condição franca, livre. Essa tribo teria emigrado para a Gália e dado origem aos francos e à própria França. Transposto para a Itália, originou o termo Francisco, seria corruptela familiar. São Francisco de Assis, um dos mais sublimes seres humanos, nasceu em 1181, na cidade de Assis. Em 1209, ele adotou o vestuário dos humildes: túnica grossa de lã, corda na cinta e sandálias, passando a praticar e pregar a simplicidade e a caridade cristã. Amava todas as pessoas, protegia animais e plantas aos quais chamava de irmãos. Para ele, também a chuva, o vento e o fogo devem ser reverenciados como irmãos. É respeitado em todo o mundo por sua mensagem de paz. Ficou famosa a oração atribuída a ele, que começa assim: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz...”. É muito declamada não só pelos católicos, mas por todos aqueles que cultivam a fraternidade entre os homens.


Publicidade