Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

Bianca Comparato estreia na direção com documentário sobre feminista

Atriz dirigiu Elogio da liberdade, no qual entrevista a escritora Rosiska Darcy de Oliveira sobre sua vida e a luta das mulheres de sua geração


postado em 31/03/2019 05:10

Documentário, que tem o formato de uma longa entrevista entre a diretora e a protagonista, estreia neste domingo (31) na TV por assinatura(foto: HBO/DIVULGAÇÃO)
Documentário, que tem o formato de uma longa entrevista entre a diretora e a protagonista, estreia neste domingo (31) na TV por assinatura (foto: HBO/DIVULGAÇÃO)

 
"O tempo fez seu trabalho de grande escultor. Nesses anos, o feminino escapou do mármore do eterno, investiu um espaço de liberdade, abrigou uma desorganização profunda, forçando-se a reconhecer em um mesmo processo desintegração e gênese”, afirmou a jornalista e escritora Rosiska Darcy de Oliveira em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, em junho de 2013.

A atual ocupante da cadeira 10 da ABL é uma referência na luta pelos direitos da mulher no Brasil. Atuante nos movimentos feministas e pela volta da democracia – passou a década de 1970 exilada na Suíça e só retornou ao país no início dos anos 1980, com a Anistia –, a autora é a personagem do documentário Elogio da liberdade, que estreia neste domingo (31) no canal pago Max. O longa é uma coprodução da HBO Latin America com a Los Bragas, produtora que tem como sócia a atriz Alice Braga.

O projeto marca a estreia na direção da atriz Bianca Comparato. Durante 90 minutos, Rosiska, de 74 anos, repassa sua trajetória. Nascida em uma tradicional família carioca, graduou-se em Direito na PUC-Rio. Nos anos 1960, começou sua atuação na imprensa – passou pelas redações da revista Senhor, do Jornal do Brasil e da TV Globo. Com o marido, o então diplomata Miguel Darcy de Oliveira, foi para a Europa.

Já envolvida com o ativismo pró direitos humanos, criou com o marido um relatório com denúncias sobre tortura no Brasil. Em 1970, no período mais duro da ditadura militar (1964-1985), o casal se vê obrigado a voltar ao país. Miguel ficou preso pouco mais de um mês no Itamaraty, e Rosiska teve o passaporte apreendido. Conseguiram fugir do país e se tornaram refugiados políticos na Europa. No retorno, o engajamento continuou.

HISTÓRIA O contato de Rosiska com Bianca se deu por meio da mãe da atriz, a fonoaudióloga Leila Mendes, que é amiga da escritora. “Há algum tempo pessoas amigas me diziam que eu deveria contar a minha história pessoal e a história da luta das mulheres vivida pela minha geração. Bianca se interessou pelas minhas ideias e eu pela maneira como ela conduziu as conversas. Foi ficando claro para nós que a diretora seria ela”, conta Rosiska.

No filme, Bianca conduz uma longa entrevista com Rosiska. “Foi a única entrevista que fiz”, conta a atriz. Em ordem cronológica, o filme acompanha infância, adolescência, vida adulta e o movimento das mulheres. Ainda que não haja outros entrevistados, o filme traz imagens históricas. Há trechos com a filósofa Djamila Ribeiro, com a vereadora Marielle Franco e registros das passeatas feministas mais recentes.

Rosiska fala em movimento de mulheres, em vez de movimento feminista. “O que começou na minha vida com um pequeno grupo de militantes, como se fosse um grupo de amigas, acaba em manifestações globais com milhões de mulheres. Hoje, não vejo mais vivendo um movimento de mulheres, vejo as mulheres em movimento, sejam elas feministas ou não”, diz.

Para Bianca, que participou de duas séries produzidas pela HBO (Sessão de terapia e O hipnotizador), a estreia na direção “é uma evolução” de sua carreira. “Cada vez mais admiro atores que são também produtores, diretores. É uma porta nova para mim, mas acho que não consigo fazer as duas coisas (atuar e dirigir) ao mesmo tempo”, afirma.

Elogio da liberdade
Domingo (31), às 21h
Max


Publicidade